sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Crítica e nós

Diante da tarefa que se te reserva, no levantamento do bem comum, é justo respeitar o que os outros dizem, no campo da crítica; entretanto, é forçoso não paralisar o serviço e nem prejudicar o serviço em virtude daquilo que os outros possam dizer.
Guardar a consciência tranqüila e seguir adiante.
Escapam da crítica exclusivamente as obras que nunca saem de plano, à maneira da música que não atrai a atenção de ninguém, quando não se retira da pauta.
Viver a própria tarefa é realizá-la; e realizá-la é sofrê-la em si.
Censores e adversários, expectadores e simpatizantes podem efetivamente auxiliar e auxiliam sempre, indicando-nos os pontos vulneráveis e aspectos imprevistos da construção sob nossa responsabilidade, através das opniões que emite; no entanto, é preciso não esquecer que se encontram vinculados a compromissos de outra espécie.
Encargos que nos pertença respira conosco e se nos dirige no caminho em alegria, aflição, apoio e vida. Cabe a nós conduzí-lo, executálo, aperfeiçoá-lo, revivescê-lo.
Muitos querem que sejamos desse modo; que nos comportemos daquela maneira; que assumamos diretrizes diversas daquela em que persistimos, ou que vejamos a estrada pelos olhos que os servem; todavia, é imperioso considerar que cada um de nós é um mundo por si, com movimentos particulares e órbitas diferentes.
Sustentemo-nos fiéis ao nosso trabalho e rendamos culto à paz de consciência, atendendo aos deveres que as circunstâncias nos conferiram, e, oferecendo o melhor de nós mesmos, em proveito do próximo, estejamos tranqüilos, porque, tanto nós quanto os outros, somos o que somos com a obrigação de melhorar-nos, a fim de que cada um possa servir sempre mais, na edificação da felicidade de todos, com aquilo que é e com aquilo que tem.
Emmanuel

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

O Mestre entre os homens

Meditemos sobre a figura de Jesus. Meditemos um tanto sobre sua passagem na Terra. Observemos alguns fatos marcantes da trajetória de Jesus neste Planeta:
A simplicidade do local de seu nascimento.
Sua posição de humildade e compreensão do Pai.
O amor materno que o sustentou.
Seu crescimento entre o trabalho.
Sua entrada no próprio Judaísmo, falando da idéia de Deus, para os chamados "homens sábios" da época.
O divulgar uma doutrina baseada no sentimento do amor ao próximo.
A capacidade de se manter despojado, mesmo sendo um ser superior.
O enfrentamento das forças tenebrosas da ignorância e mesmo do mal.
A certeza do seu fim próximo.
A grandiosidade do enfrentamento das forças do mundo, representadas por Pilatos.
A morte , enfim.
O Mestre esteve entre os homens, com a certeza de que o seu trabalho seria proveitoso e, por isso mesmo, volta à Terra, dando continuidade aos sinais de que Deus estaria presente, sempre junto aos homens.
Toda essa trajetória cristã mostra-nos como seria diferente o mundo se todos soubéssemos ver no comportamento de Jesus uma atitude a ser seguida.
Como não soubemos ou não pudemos manter o clima de superioridade, de determinação em viver no bem, vamos adquirindo agora, lentamente, passados tantos séculos, milênios, os valores cristãos, até que possamos novamente ingressar no mundo em que ele viveu, um mundo de determinação, de esforço, de fortalecimento.
Enquanto nos preparamos para entrar nesse mundo, vamos estudando sua lei, seu comportamento, sua vida, fazendo disso um verdadeiro esforço para retornarmos ao trilho da vida cristã com Jesus.
Que Deus abençoe a todos nós sempre! Paz! Graças a Deus!
Balthazar

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

A mensagem do Cristo

A figura de Jesus nunca será devidamene apreciada pelos homens, enquanto estiverem na faixa mental onde atualmente se encontram, uma vez que o Mestre trouxe essencialmente para todos nós uma mensagem que ainda nos é difícil perceber ou mesmo traduzir em sentimentos em favor do próximo.
O amor que ele trouxe para a humanidade ainda é algo de estranho para a maioria dos homens. para se chegar a esta noção de amor, serão preciso tempo, determinação e lapidação daquilo que não está ainda perfeito em nós.
O tempo não se medirá numa única encarnação. Para se entender a mensagem do Cristo serão necessárias múltiplas encarnações. Mas para se chegar a esse objetivo é necessário que a criatura se determine, que procure vencer, através dos milênios, toda essa fase de pouca absorção dos conhecimentos cristãos.
A determinação fará com que o homem se encaminhe, procure chegar ao objetivo maior. Por isso, a nenhum de nós é dado o direito de dizer, por exemplo: "Não venci e não vencerei mais; não superarei as minhas dificuldades." A nenhum homem é dado esse tipo de raciocínio, porque a criatura que deseja alcançar a visão crítica da vida e que deseja chegar aos pés do Mestre sabe que demorará uma, dez, vinte, quantas encarnações forem necessárias, mas sabe que há uma meta por atingir. Por isso nunca deixará de se esforçar.
A lapidação da massa bruta de que o homem ainda é constituído é outro objeto de preocupação dos grandes guias espirituais da humanidade. Eles sabem que a dor é companheira do iniciante, do incipiente, e que ela o desperta (...)
Por isso mesmo, os que sofrem, os que têm por que chorar, observem se a dor é extrema, isto é, intencionalmente provocada por alguém, por alguma coisa para despertar o nosso sentimento, ou se ela é interna, tal como as dores advindas da incompreensão, da insensatez dos amigos, do sofrimento de termos amigos infiéis. Todas essas formas de dor, provocando a elevação do homem, fazem fazem parte do processo de progredir que a todos está dado a fazer.
Assim, pois, que nos corações presentes haja a lembrança do Cristo como grande amigo e dispensador de todos os bens que possuímos, sendo o maior deles o amor.
Que sigamos nesta faixa de luz que ele nos oferece!
Nele nos apoiemos para atravessar a região das sombras e das revas.
Que Jesus Cristo nos ajude e conduza, hoje e sempre!
Balthazar

domingo, 14 de dezembro de 2008

O senhor da vida

Eis que o Senhor Jesus se apresenta para todos nós como o Mestre de amparo, do conforto espiritual, do equilíbrio!
Normalmente, quando pensamos em Jesus, identificamos os sentimentos da pacificação e do amor, parecendo ser o Mestre pessoa diáfana e capaz de agir de maneira enérgica, ou mesmo aquele homem curador que somente via necessitados à sua volta. Entretanto, o Senhor foi muito mais que isso, e seu trabalho educativo sobreviveu tanto quanto as suas práticas generosas, características da sua bondade.
Seus ensinamentos permaneceram educando, orientando, mostrando a milhões de almas o caminho a ser seguido. Sua determinação foi e continua sendo tão grande, que ele porometeu trazer-nos alguma forma de orientação nova, que veio a ser, justamente, a Doutrina Espírita.
É um Mestre, portanto, ativo; tão ativo que prometeu ficar conosco na fase de transição complexa do ser humano, até que atingíssemos a maturidade para compreender, definitivamente, os seus ensinos.
Jesus, sendo um ser extremamente dinâmico, atuante, forte e poderoso, pode ser, igualmente, classificado, ao lado daqueles valores a que me referi anteriormente, como um espírito de ação: ação no bem, na cura, na desobsessão, no ensino; ação estimulante, que fez com que milhares de homens dedicados, junto à sua doutrina, implantassem obras de amor ao próximo, através dos dois milênios, e até mesmo mantivessem acesa a chama do seu ideal de amor pela humanidade.
O "Consolador prometido" nada mais é, pois, do que o resultado da ação de um ser de bondade, de amor, mas de muita virilidade também. Este, o Mestre que estamos lembrando hoje: o homem de bem, mas o homem enérgico, diligente e sempre à testa daqueles acontecimentos maiores; o ser que providencia recursos para que a inquietação, o mal, o erro não se propaguem.
Saudemos o Senhor da vida, como aquele Senhor de todos nós; aquele que almejamos ter; aquele Senhor que, afinal de contas, é o condutor de nossos destinos imortais!
Balthazar

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O Cristianismo

Apesar das perseguições religiosas, a doutrina secreta perpetuou-se através dos tempos. Dela se encontra marca em toda a Idade Média. Os iniciados judeus já a tinham, numa época recuada, consignada em duas obras célebres, o Zohar e o Sepher-Jésirah. Sua reunião forma a Kabala, uma das obras capitais da ciência esotérica.
O Cristianismo primitivo traz dela uma forte marca. Os primeiros cristãos acreditavam na preexistência e na sobrevivência da alma em outros corpos, como no caso acontecido com Jesus sobre João Batista e sobre Elias, e essa pergunta feita pelos apóstolos a propósito do cego de nascência, o qual parecia "ter sido atraído a essa punição pelos pecados cometidos antes de nascer". A idéia da reencarnação era tão disseminada entre o povo judeu, que o historiador Josèphe reprovava aos fariseus do seu tempo de só admitir a transmigração das almas em favor das pessoas de bem. É o que chamavam de Gilgul, ou a circulação das almas.
Os cristãos abandonavam-se também às evocações e se comunicavam com os espíritos dos mortos. Encontram-se nos Atos do Apóstolos numerosas indicações sobre esse ponto; São Paulo, na sua primeira epístola aos Coríntios, descreve, sob o nome de dons espirituais, todos os gêneros de mediunidade. Ele se declara instruído diretamente pelo espírito de Jesus na verdade evangélica.
Léon Denis

As barreiras da morte

Nossa igualdade perante a vida parece com a nossa igualdade de criação espiritual. Maturidade e esforço próprio são os únicos fatores que fazem diferença.
Ante a lei divina estamos constrangidos a determinadas obrigações para a conquista de direitos, evidentemente comuns a todos.
Na humanidade, somos grande família e tão-somente alguns homens é que estabelecem fronteiras por agentes de separação e discórdia. As verdadeiras e mais sufocantes fronteiras de um povo são os seus filhos incompreensivos.
Deus não traçou raias na costa terrestre.
Nas demarcações entre dois países, as areias das praias nunca se discriminam. As vagas do mar são móveis e idênticas onde quer que se formem. O solo prossegue por vales e montes, sem nenhuma descontinuidade.
Os rios fazem contrabandos inocentes com recursos da terra e da sementeira de ambas as margens das regiões que interligam. As raízes dos vegetais, sob as pedras de um muro, não mostram alterações. as árvores dão frutos sem saber que espécie de criatura os devora.
Comunicam-se os pássaros sem qualquer noção de limite.
Os peixes não marcam as águas em que nasceram. Os ventos, de pólo a pólo do Globo, compõem as mesmas árias.
De modo análogo, as ondas hertziana transformam-se em sons de rádio, desconhecendo balizas. As ondas luminosas alinham imagens na televisão, transcendendo divisórias geográficas.
Ainda hoje, anotamos a ansiedade com que o homem demanda quebrar as segregações lingüísticas, difundindo o Esperanto por língua internacional.
A cada instante somos defrontados por múltiplas iniciativas de troca, entre valores culturais e artísticos, de nação a nação.
Justo perceber que dia virá em que todos os marcos separatistas desapareceção; contudo, até lá, cumpre-nos derruir as fronteiras morais existentes entre nós, preparando caminho para o congraçamento integral da humanidade futura.
À vista disso, reconheçamos a oportunidade de se desfazerem as barreiras da morte que, igualmente, só existem no cérebro humano.
Esfumemos os sonhos ilusórios, acerca do mundo espiritual, para que a grande transição não venha a condensá-los em pesadelos de dor.
Quando o homem desencarna não regride desastrosamente e tampouco avança, de chofre, nas trilhas da evolução; continua a ser o que era, o que viveu, o que fez. Permanecerá, como espírito, onde já vivia como encarnado: em plano inferior, se articulava o mal; ou em esfera superior, se edificava o bem. Portanto, desde agora, trabalhai servindo, para que vos transformei amanhã em cidadãos livres da pátria espiritual.
Abel Gomes

Fontes de fé

Dizem que o homem, ao buscar o infinito, começou a desenvolver em si os padrões de fé e, na medida de sua evolução, compreendeu outras formas de fé, que, aliadas à compreensão, lhe trouxeram a força capaz de envolvê-lo na busca do equilíbrio.
O destino do homem é a evolução: todos nós nos dirigimos para faixas maiores de compreensão, de trabalho, de alegria, de felicidade. Nessa busca infinita,o homem descortina um horizonte, e quanto mais esse horizonte se alongar, mas fé ele terá em alcançar os objetivos propostos por Deus para ele.
Assim, na medida que vamos caminhando e evoluindo, na medida em que descobrimos a figura de Deus, vamos fazendo esforços. De início, um esforço pequeno, como a fé simples dos homens simples, até chegarmos para um espaço mais elevado, para forças superiores, onde a fé passa a ser pensada, meditada, respondendo às necessidades do homem.
A cada dia, a cada momento, o homem descortina novas fontes de vida e de fé. Ao ver uma criança, descobre a fé no criador; ao ver uma pessoa que cresce espiritualizando-se, descobre a fé no homem que busca a compreensão do infinito; olhando para uma grande indústria, descobre a fé no trabalho; olhando para o bem, descobre a fé no amor.
Assim, a cada dia, descortinamos novas fontes de fé, novas frentes de trabalho, de descobertas e, conseqüentemente, aumentamos a nossa fé.
Que Deus, o Pai de todos nós, o Criador, nos impulsione sempre para a frente, na busca da fé com humildade, aquela fé que nos impulsiona a fazer tudo o que devemos fazer, de coração voltado para o bem, com equilíbrio em todos os momenos, e que todos nós deveremos ter até pelo ato de viver!
Que Jesus nos ajude nessa descoberta, nesse destino!
Graças a Deus!
Balthazar, pela graça infinita de Deus.
Balthazar

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Jesus

Quando os convidamos, caros irmãos, a participar conosco das alegrias do estudo, o fazemos com vistas ao progresso que nos cabe e também ao progresso que todos podem vir a adquirir.
Ora, falar de Jesus é sempre muito interessante, até porque quanto mais altas são a força e a responsabilidade de um líder, maior oportunidade de exame de seu comportamento é dada. São almas multifacetadas que agem. Num simples elevar de mãos, numa simples palestra, em uma bênção, sendo como são, superiores, abrem, para nós outros, os que vimos aprender, visões novas e importantes sobre um mesmo assunto.
Este é o enfoque que iremos dar à figura de Jesus: o grande Mestre do planeta que nos abriga, apesar das dores, das dificuldades, dos sofrimentos, dos crimes e da indiferença moral que a humanidade traz como marcas dolorosas no seu coração, existem, também, marcas otimistas, positivas, de elevação: a marca clara e evidente de que Jesus é o nosso governador; a marca excepcional de que ele é o nosso Mestre; a marca interessantíssima de Jesus, sempre o curador, e a marca humana, dos simples, como sendo a da vida comum que o próprio Jesus levou na Terra.
Ora, todas essas possibilidades de estudarmos personalidades como Jesus surgem para nós como oportunidade de crescimento moral e intelectual. As informações que vamos tendo, a pouco e pouco, dão-nos a certeza absoluta do poder desse Mestre e de seu imenso amor, e a certeza, compartilhada por todos os trabalhadores do bem, de que crescem, na humanidade, os sinceros e devotos crentes da lei de causa e efeito, da lei de amor, da lei de reencarnação, da lei de igualdade. 
Tais convicções, que felicitam o ser, hão de nos dar força e capacidade de prosseguirmos, a despeito de quaisquer dificuldades.
Que Deus a todos nós abençoe, e que todos participem da alegria do aprendizado!
Graça a Deus!
Balthazar

domingo, 23 de novembro de 2008

Especialmente à mulher

Homem e mulher guardam idênticos direitos perantes as leis da vida.
E ambos, análogas características de imortalidade; nos dois, os mesmos atributos do espírito eterno.
Entretanto, a sabedoria da Criação entregou à mulher as chaves da vida. Com ela, a repetição do berço, nos prodígios do renascimento.
O homem dominará a natureza, erguerá impérios, influenciará povos ou marcará época; no entanto a humanização de tudo isso pertence à mulher que o embala nos vínculos de sua própria renovação.
Por muito poderosos hajam sido os conquistadores da Terra, no passado e no presente, e por mais cultos os filósofos que traçam as diretrizes da cultura humana, de nenhum deles a vida suprimiu a necessidade das entranhas femininas para que se lhes gerasse a existência; e ainda agora, quando a ciência do mundo se dispõe a intervir nos processos da reencarnação, procurando nova nidação dos recursos genéticos, a favor da gestação em proveta criadora, nenhum sistema de sublimação espiritual pode substituir a assistência materna, no trabalho do renascimento físico, porque unicamente o amor é a luz da civilização, conduzindo-a para a integração com Deus.
Se te encontras na experiência feminina, ante os impositivos da evolução, é natural te compreendas, no mesmo nível do homem relativametne à cultura e à inteligência, com a mesma segurança de competência. Mas para a demonstração disso, não busques os pontos de vivência em que a maioria dos homens falhjou tantas vezes.
Para te mostrares tão eficiente quanto os melhores companheiros da Terra, não é necessário desças aos precipícios a que tantos se arrojam na própria imprevidência.
Recorda que podes ombrear com todos eles em matéria de trabalho e habilitação, entendimento e responsabilidade, mas é preciso pensar que Deus não confiou aos homens os dons que te concedeu na perpetuação da vida e no sustento do amor.
Emmanuel

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Verdade e crença

" E se vos digo a verdade, por que não credes?" Jesus, João, VII:46
Jesus lecionou a verdade em todas as situações da peregrinação messiânica.
A todos concedeu amor puro, bênçãos de luz e bens para a eternidade.
Provou com os próprios testemunhos a excelência de seus ensinos...
Ministrou a caridade simples e natural, sem melindrar ou ferir...
A cada qual apontou a lógica real das circunstâncias da vida...
A ninguém enganou...
Não sofismou por nenhuma razão...
Perdoou sem apresentar condições...
Cedeu a benefício de todos.
Não temeu, nem vacilou ao indicar a realidade, nem fugiu de demonstrá-la no próprio exemplo.
Não aguardou bonificações: serviu sempre.
De ninguém reclamou: sacrificou a si mesmo.
Não permaneceu em posição de neutralidade: definiu-se.
Cabe, portanto, a quem recolhe os dons divinos da claridade evangélica amar e perdoar, construindo o bem e a paz, esposando ostensivamente a vida cristã, na elucubração da teoria e no esforço da aplicação.
Se possuímos a luz da verdade, por que não lhe seguir a rota de luz?
Emmanuel

Ouvidos

"Quem tem ouvidos de ouvir, ouça". Jesus, Mateus, XI:15.

Ouvidos... Toda gente os possui.
Achamos, no entanto, ouvidos superficiais em toda a parte.
Ouvidos que apenas registram sons.
Ouvidos que se prendem a noticiários escandalosos.
Ouvidos que se dedicam a boatos pertubadores.
Ouvidos de propostas inferiores.
Ouvidos simplesmente consagrados à convenção.
Ouvidos de festa.
Ouvidos de mexericos.
Ouvidos de pessimismo.
Ouvidos de colar às paredes.
Ouvidos de complicar.
Se desejas, porém, sublimar as possibilidades de acústica da própria alma, estuda e reflete, pondera e auxilia, fraternalmente, e terás contigo os "ouvidos de ouvir!, a quese reportava Jesus, criando em ti mesmo o entendimento para a assimilação da eterna sabedoria.
Emmanuel

A disciplina do pensamento

O pensamento, dizíamos, é criador. Não atua somente em roda de nós, influenciando nossos semelhantes para o bem ou para o mal; atua principalmente em nós; gera nossas palavras, nossas ações e, com ele, construímos dia a dia, o edifício grandioso ou miserável de nossa vida presente e futura. Modelamos nossa alma e seu ionvólucro com os nossos pensamentos; estes produzem formas, imagens que se imprimem na matéria sutil, de que o corpo fluídico é composto. Assim, pouco a pouco, nosso ser povoa-se de formas frívolas ou austeras, graciosas ou terríveis, grosseiras ou sublimes; a alma se enobrece, embeleza ou cria uma atmosfera de feldade. Segundo o ideal a que visa, a chama interior aviva-se ou obscurece-se.
Não há assunto mais mais importante que o estudo do pensamento, seus poderes e ação. É a causa inicial de nossa elevação ou de nosso rebaixamento; prepara todas as descobertas da Ciência, todas as maravilhas da Arte, mas também todas as misérias e todas as vergonhas da Humanidade. Segundo o impulso dado, funda ou destrói as instituições como os impérios, os caracteres como as consciências. O homem só é grande, só tem valor pelo seu pensamento; por ele suas obras irradiam e se perpetuam através dos séculos.
Léon Denis

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Fortuna

Dinheiro posto à margem da bolsa, por desnecessário, garante facilmente a tarefa do socorro e a construção da alegria. Impossível prever a extensão da felicidade suscetível de nascer da moeda que o amparo fraternal transubstancia em bênção de luz.
No entanto, embora reconheçamos que o dinheiro se erige por agente de apoio e consolação, não te disponha a conquistá-lo impensadamente. Em muitas ocasiões, anseias entregar-te à pratica do bem e pedes para isso que o Senhor te acumule reservas de ouro e prata; contudo, qual acontece com qualquer conjunto de conhecimentos coordenados para os abjetivos superiores da vida, altruísmo e beneficência reclamam começo e preparação. A tinta, que nas mãos do artista configura o painel que suscita emoções renovadoras da alma, entre os dedos daquele que ignora a intimidade com o belo, pode criar a marcha que desfigura a parede. Quantos se apoderam do dinheiro, sem matricularem na disciplina da renúncia e da bondade, nada conseguem para si mesmo senão o martírio dos avarentos que ressecam no próprio ser as fontes da vida; eles retêm substancioso lastro econômico, mas fazem-se escravos da sovinice, na qual vezes e vezes, enquanto desfrutam a reencarnação, transformam seus próprios descendentes em órfãos de pais vivos para transfigurá-los, depois da morte, pelos mecanismos da herança, em modelos de prodigalidade e loucura.
Faze por merecer o dinheiro que te sobre corretamente, a fim de que desevolvas generosidade e progresso, na esfera de teus dias, mas edifica no terreno do espírito a compreensão e a solidariedade para que saibas conduzi-lo com segurança e discernimento.
Fortuna, tanto quanto ocorre ao poder e à autoridade, para beneficiar efetivamente, roga equilíbrio e orientação. Além do mais, se aspiras a contar com possibilidades de ser útil, no ideal de abençoar e elevar, auxiliar e servir, urge não esquecer que todos nós, indistintamente, fomos dotados por Deus, em todos os climas sociais e em todos os recantos da Terra, com as riquezas infinitas do amor, no tesouro vivo do coração.
Emmanuel

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A consciência

Para desenvolver, para apurar a percepção, de modo geral, é preciso, a princípio, acordar o sentido íntimo, o sentido espiritual. A mediunidade demonstra-nos que há seres humanos muito mais bem dotados em relação à visão e audição interiores, que certos espíritos que vivem no Espaço e cujas percepções são estremamente limitadas em vista da insuficiência de sua evolução.
Quanto mais puros e desinteressados são os pensamentos e os atos, numa palavra, quanto mais intensa é a vida espiritual e quanto mais ela predomina sobre a vida física, tanto mais se desenvolvem os sentidos interiores. O véu que nos esconde o mundo fluídico adelgaça-se, torna-se transparente e, por trás dele, a alma distingue um conjunto maravilhoso de harmonias e belezas, ao mesmo tempo que se torna mais apta a recolher e transmitir as revelações, as inspirações dos seres superiores, porque o desenvolvimento dos sentidos internos coincide, geralmente, com uma atração mais enérgica das radiações etéreas.
Cada plano do Universo, cada círculo da vida, corresponde a um número de vibrações, que se acentuam e tornam mais rápidas, mais sutis, à medida que se aproximam da vida perfeita. Os seres dotados de fraco poder de radiação não podem perceber as formas de vida que lhes são superiores, mas todo espírito é capaz de obter pela preparação da vontade e pela educação dos sentidos íntimos um poder de vibração que lhe permite agir em planos muitos externos.
Leon Denis

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Morte: Nova dimensão da vida

Que a bondade de Deus permaneça com todos, instruindo-os sempre para o bem!
Vida e morte, estágios diferentes para um mesmo espírito, assemelham-se ao trabalho contínuo de Deus, burilando um espírito, até que se fique exatamente numa única posição: a de vida espiritual.
A morte, que ceifa tantas vidas, colocando tantos corações em processo de angústia, de saudade, de dor, de lágrima e sofrimento, deveria ser encarada, eficazmente, como mais uma transformação, mais uma porta de transformação do espírito humano.
Nós, espíritas, entendemos que a morte nada mais é do que uma passagem para uma nova dimensão. Hoje, quando tantos estão elaborando pensamentos em torno da vida  e da morte, repetimos com Jesus: "Vou para o Pai".
Cada um de nós deve encarar esse fenômeno como o de ida para o mais além, para o mais elevado. Que o ser humano, que o homem em geral, entenda que essa passagem, mostrando a continuidade da existência do espírito, traz uma outra responsabilidade: a responsabilidade de se viver bem para morrer bem. E mais: que do outro lado seremos exatamente como fomos na Terra. Procuremos, portanto, viver em paz, equilibrados, voltados para o bem e sempre, amando ao semelhante.
Com isso, estaremos criando, dentro de nós, condições adequadas para uma vida espiritual futura de paz.
Agora, desejamos a todos equilíbrio e confiança, pedindo que se mantenham cada vez mais espíritas, nas palavras, nos atos, onde estiverem.
Lembremo-nos de que a caridade tão falada e propagada deve começar por nós, nos nossos círculos de relações com a família, com os companheiros de trabalho, com os homens do mundo.
Que aprendamos a espalhar o perfume da caridade por onde passarmos!
Que Deus fique conosco agora e sempre! Muita paz!
Hermann

domingo, 26 de outubro de 2008

Estranho delito

Observando a hostilidade manifesta que vem sofrendo a Doutrina Espírita, desde a enunciação dos seus princípios com Allan Kardec, estudemos o motivo pelo qual teria sido Jesus condenado, na barra dos tribunais humanos.
Todos sabemos que o Cristo não foi vítima de assassínio vulgar.
Não obstante, sem razão foi preso, inquirido, processado, qualificado na posição de réu e condenado à morte pelo mais alto conselho da comunidade a que pertencia.
O libelo não permaneceu circunscrito ao âmbito religioso da nação israelita.
A sentença foi conduzida à ratificação do arbítrio romano, na pessoa de Pilatos, submetida à consideração da autoridade providencial, na presença de Ântipas, e, em seguida, exposta ao veredito da multidão.
Dentre todos os poderes a que foi apresentado, não se tem notícia de voz alguma que se levantasse para defendê-lo.
Entretanto, qual teria sido a culpa do Mestre nos quadros do seu tempo?
Ter-se-ia incompatibilizado com os sacerdotes?
Declarava, ele mesmo, que não vinha destruir a lei, mas sim dar-lhe cumprimento.
Afrontaria, acaso, os abastados do mundo?
Não possuía uma pedra em que repousar a cabeça.
Guerreara os políticos dominantes?
Ensinava o respeito à legalidade, proclamando que se deve dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
Menoscabara, porventura, o prestígio dos médicos?
Valia-se apenas da oração e do magnetismo divino de que se fazia intérprete no socorro dos doentes(...)
E, depois de crucificado, seus continuadores legítimos por muito tempo foram perseguidos, humilhados, espancados, martirizados e ridicularizados, apodrecendo nos cárceres, algemados a ferro, sulpiciados em gabinetes de tortura, passados a fio de espada ou cedidos à sanha de feras sanguinárias nos espetáculos públicos.
E agora que a Doutrina Espírita lhe revive os ensinamentos, quantos lhe esposam o programa de educação e justiça,  de libertação moral e fraternidade pura - Já que a evolução do direito, entre os homens, não mais permite se ergam cruzes e fogueiras para os que crêem na sabedoria e no amor da providência divina - padecem calúnia e vilipêndio, sarcasmo e perseguição.
Isso, porém, acontece simplesmente porque a inflação do Espiritismo, que reverencia a Religião, ilumina a Filosofia e venera a Ciência, tanto quanto o delito de Jesus e de seus genuínos seguidores, nos primeiros três séculos do Cristianismo apostólico, é o de combater o cativeiro da ignorância e o império do vício, a sombra da mentira e o domínio da opressão, ajudando a alma do povo a sentir e a raciocinar.
Emmanuel

sábado, 18 de outubro de 2008

Autoridade em nós mesmos

Apreciando o problema daqueles que guardam no mundo as diretivas da expectativas da experiência, não te fixes nos companheiros que trazem consigo a cruz do ouro e do poder.
Recordemos a esquecida autoridade que o conhecimento superior determina seja exercida por nós em nós mesmos.
Quase sempre, ensinamos a arte do pensamento nobre, receitando exercícios e regras aos amigos que nos perlustram a senda, guardando o próprio cérebro à feição de barco desgovernado, em cujas brechas ocultas penetram as sugestões da ignorância e da sombra.
Indicamos aos outros recursos providenciais para que se mantenham indenes de todo o mal, através da pureza dos olhos e dos ouvidos, empenhando as próprias percepções à triste aventura da leviandade e do desacerto que acaba sempre na crítica indébia ou na azedia destruidora.
Estruturamos planos para a boa palavra naqueles que nos cercam, sem refreiarmos o própriop verbo no galope insensato da crueldade, indicamos a fé e a esperança para e ânimo alheio, a perder-nos no charco da negação e do derrotismo, exaltamos para ouvintes confiantes a excelência das horas, no capítulo do trabalho e da realização, mergulhando as mãos no visco da inércia e pregamos a excelsitude da caridade para os amigos que nos rodeiam, a desfazer-nos em egoísmo e exigência.
Autoridade!...Autoridade!...
Dela abusaram todos os tiranos que fizeram da própria soberbia escuro resvaladouro para as trevas da criminalidade e da morte, e, dela, ainda hoje, nos valemos todos para acobertar as próprias fraquezas, sobrecarregando os ombros do próximo com fardos que somos incapazes de suportar.
Lembremos-nos, porém, de Jesus, no sublime governo da própria alma, passando entre os homens como a suprema revelação da divina luz, e, entesouraremos suficiente humildade para entregar a Deus todos os patrimônios que nos enriquecem a vida, aprendendo a disciplinar-nos para refletir-lhe a grandeza na condição abençoada de filhos do seu amor.
Emmanuel

Paciência e Bondade

Se o orgulho é o pai de uma multidão de vícios, a caridade gera muitas virtudes. Desta derivam a paciência, a doçura, a reserva nas intenções. É fácil para o homem caridoso ser paciente e doce, perdoar as ofensas que lhe são feitas. A misericórdia é companheira da bondade. Uma alma elevada não pode conhecer o ódio, nem praticar a vingança. Ela plana acima dos mesquinhos rancores: é do alto que observa as coisas. Compreendendo que os erros dos homens são apenas o resultado de sua ignorância, não concebe nem amagor, nem ressentimento. Sabe que perdoar, esquecer os erros do próximo, é anular qualquer gérmem de inimizade, é apagar toda causa de discórdia no futuro, tanto na Terra quanto na vida do Espaço.
A caridade, a mansuetude, o perdão das injúrias tornam-nos invulneráveis, insensíveis às baixezas e às perfídias. Provocam nosso desligamento progressivo das vaidades terestre e habituam-nos a dirigir nosso olhar para as coisas que a decepção não pode atingir.
Perdoar é o dever da alma que aspira os planos elevados. Quantas vezes não tivemos nós próprios necessidade desse perdão? Quantas vezes não o pedimos? Perdoemos para que sejamos perdoados! Não poderemos obter para nós o que recusamos aos outros. Se queremos vingar-nos, que seja através de boas ações. O bem feito a quem nos ofende, desarma nosso inimigo.
Seu ódio se transforma em espanto, e seu espanto em admiração. Despertando sua consciência adormecida, essa lição pode produzir nele uma impressão profunda. Através desse meio, esclarecendo-o talvez tenhamos arrancado uma alma da pervesidade.
O único mal que se deve assinalar e cambater, é aquele que recai sobre a sociedade. Quando se apresenta sob a forma de hiprocrisia, de duplicidade, de mentira, devemos desmascará-lo, pois outras pessoas poderão sofrer por isso, mas é bom silenciar sobre o que atinge unicamente nossos interesses ou nosso amor-próprio.
Léon Denis

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Homens de fé

"Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha." Jesus, Mateus, VII:24.

Os grandes pregadores do Evangelho sempre foram interpretados à conta de expressões máximas do Cristianismo, na galeria dos tipos veneráveis da fé; entretanto, isso somente aconteceu, quando os instrumentos da verdade, efetivamente, não olvidaram a vigilância indispensável ao justo testemunho.
É interessante verificar que o Mestre destaca, entre todos os discípulos, aquele que lhe ouve os ensinamentos e os pratica. Daí se conclui que os homens de fé não são aqueles apenas palavrosos e entusiastas, mas os que são portadores igualmente da atenção e da boa-vontade, perante as lições de Jesus, examinando-lhes o conteúdo espiritual para o trabalho de aplicação no esforço diário.
Reconforta-nos assinalar que todas as criaturas em serviço no campo evangélico seguirão para as maravilhas interiores da fé. Todavia, cabe-nos salientar, em todos os tempos, o súbito valor dos homens moderados que, registrando os ensinos e avisos da Boa-nova, cuidam, desvelados, da solução de todos os problemas do dia ou da ocasião, sem permitir que suas edificações individuais se processem, longe das bases cristã imprescindíveis.
Em todos os serviços, o concurso da palavra é sagrado e indispensável, mas aprendiz algum deverá esquecer o sublime valor do silêncio, a seu tempo, na obra superior do aperfeiçoamento de si mesmo, a fim de que a ponderação se faça ouvida, dentro da própria alma, norteando-lhe os destinos.
Emmanoel

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A necessidade da consciência coletiva para a paz no Brasil

Que o amor único de Deus inspire todas as almas para o bem!
O homem caminha, busca a direção do progresso.
Por atração infinita, caminha na direção de Deus.
Nascendo simples, sem conhecimento, após longo desenvolvimento físico e, por que não dizer, espiritual, o ser, um dia, encontra-se com a própria razão. Descobre-se alguém que vem desenvolvendo intensa atividade, na construção da própria personalidade e na busca de Deus.
Observemos o nosso país, observemos esta grande, imensa terra chamada Brasil, local em que todos os seres que conhecem a Deus encontram abrigo. A despeito da descrença de alguns, a despeito da falha de muitos, a despeito do desencontro de grandes personalidades, todos aqui, ou quase todos, trazem no coração a certeza da fé e da existência de Deus.
Tomemos o nosso país: o que falta ao homem, aqui, para ser útil a sua sociedade? O que falta ao homem para ser bom? o que falta ao homem para acabar com a miséria, a pobreza, a tristeza, a angústia? Falta, justamente, a vontade coletiva, que faz com que nosso amado povo, ainda muitas vezes, não saiba conduzir-se coletivamente, embora muitos o saibam fazer individualmente.
Parece que falta ao indivíduo brasileiro a certeza de que ele faz parte de uma grande coletividade e que deve lutar para que essa coletividade seja boa; deve ser útil e capaz de colaborar na resolução dos problemas da coletividade que o envolve (...)
É preciso, caros irmãos, que uma consciência coletiva, cristã e espírita tome conta de nosso país. Será preciso que nós todos demos as mãos. Que, como espíritas, façamos valer o direito à paz, o direito ao equilíbrio, o direito ao combate ao erro, à intolerância, à inquietação. Será preciso que peçamos ao Cristo: "Senhor, ajuda-me, para que eu possa ajudar!" (...)
Se, por acaso, os filhos das trevas nos agredirem a sensibilidade, nos tornarem focos de suas agressões espirituais espontâneas, respondamos a todos eles com a nossa prece, com a nossa mensagem de paz, e digamos a cada um deles: "Sou de Jesus!"
Que a bondade e o amor de Deus e de Jesus inspirem as nossas almas para o bem!
Antônio de Aquino

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Porta Estreita

"Porfiai por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão." Jesus, Lucas, XIII:24.


Antes da reencarnação necessária ao progresso, a alma estima na "porta estreita" a sua oportunidade gloriosa nos círculos carnais.
Reconhece a necessidade do sofrimento purificador. Anseia pelo sacrifício que redime. Exalta o obstáculo que ensina. Compreende a difilculdade que enriquece a mente e não pede outra coisa que não seja a lição, nem espera senão a luz do entendimento que a elevará nos caminhos infinitos da vida.
Obtém o vaso frágil de carne, em que se mergulha para o serviço de retificação e aperfeiçoamento.
Reconquistando, porém, a oportunidade da existência terrestre, volta a procurar as "portas largas" por onde transitam as multidôes.
Fugindo à dificuldade, empenha-se pelo menor esforço.
Temendo o sacrifício, exige a vantagem pessoal.
Longe de servir aos semelhantes, reclama os serviços dos outros para si.
E, no sono doentio do passado, atravessa os campos de evolução, sem algo realizar de útil, menosprezando os compromissos assumidos.
Em geral, quase todos os homens somente acordam quando a enfermidade lhes requisita o corpo às transformações da morte.
"Ah! Se fosse possível voltar!..." - Pensam todos.
Com que aflição acariciam o desejo de tornar a viver no mundo, a fim de aprenderem a humildade, a paciência e a fé!... com que transporte de júbilo se devotariam então à felicidade dos outros!...
Mas... é tarde. Rogaram a "porta estreita" e receberam-na, entretanto, recuaram no instante do serviço justo. E porque se acomodaram muito bem nas "portas largas", volvem a integrar as fileiras ansiosas daqueles que procuram entrar, de novo, e não conseguem.
Emmanuel

Homens-Vazios

Em uma sociedade injusta, que é o fruto amargo da cultura materialista, o homem vê-se massificado, desconhecido, com a sua identidade desnaturada, sem objetivo.
Os esforços que empreende são dirigidos para metas que se caracterizam pelo imediatismo, responsável pelas necessidades comuns, sem o apoio dos ideais compensadores, que iluminam a vida e dão-lhe significado.
Acomodando-se aos padrões absorventes do cotidiano, ele sente-se comprimido pela ansiedade que o aturde, sem encontrar solução para os estados conflitivos da personalidade que o assalta.
Torna-se, em conseqüência, homem-vazio, verdadeiro espectro, que se movimenta no grupo social, que participa das atividades corriqueiras, sem que viva as emoções que dão beleza e significado à dignidade de ser senciente.
Em torno dele agrupam-se outros, que sofrem a mesma enfermidade, que mal disfarçam as suas aflições, mediante conversas que primam pela banalidade dos temas ou derrapam nas conceituações da promiscuidade moral em voga.
Quando a conversação perde o tom do agradável e útil, o comentário proveitoso e sadio, o grupo social apresenta-se enfermo, em decomposição de sentido e de propostas.
A vida inteligente emerge dos objetivos que constituem a manutenção do corpo e a continuidade das suas sensações (...)
O Homem-vazio não consegue amar, porque não aprendeu a viver esta faculdade, base do comportamento de ser livre. Adaptou-se a ser amado ou disputado, sem preocupação de retribuir.
Imaturo, antes reagia às expressões da emotividade nobre, preferindo o jogo arbitrário das sensações. Nele havia a preocupação de ser conhecido, de receber convites, de encontrar-se presente nas reuniões sociais, não que estas lhe fizessem bem, porém, por medo da solidão, de ser esquecido... Em tais reuniões, a convivência emprestava brilho ao seu ego, face à tagarelice, ao consumo de alcoólicos, ao tabagismo, que significavam status elevados.
Assim, sem identidade, o homem-vazio, é uma pessoa morta...
Viverás em conflitos íntimos e a elegerás por afinidade de propósitos e fins, começando a instalar aí e no coração "o reino de Deus", iluminado e pleno. E o farás porque terás por modelo e guia Jesus, o Homem- Luz de todos os tempos.
Joanna de Ângelis

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Chamados e escolhidos

Estejamos convencidos de que ainda nos achamos a longa distância do convívio com os eleitos da vida cetesle:
Entretanto, pelo chamamento da fé viva que hoje nos traz ao conhecimento superior, guardemos a certeza de que já somos os escolhidos:
Para a regeneração de nós mesmos;
para o cultivo sistemático e intensivo do bem;
para o esquecimento de todas as faltas do próximo, de modo a recapitular com rigor as nossas próprias imperfeições, redimindo-as;
para o perdão incondicional, em todas as circunstâncias da vida;
para a atividade infatigável na confraternização verdadeira;
para auxiliar aos que erram;
para ensinar aos mais ignorantes que nós;
para suportar o sacrifício, no amparo aos que sofrem, sem a graça da fé renovadora que já nos robustece o espírito;
para servir, além de nossas próprias obrigações, sem direito À recompensa;
para compreender os nossos irmãos de jornada evolutiva, sem exigir que nos entenda;
para apagar as fogueiras da maledicência e do ódio, da discórdia e da incompreensão, ao preço de nossa própria renúncia;
para estender a caridade sem ruído, como quem sabe que ajudar aos outros é enrriquecer a própria existência;
para persistir nas boas obras sem reclamações e sem desfalecimentos, em todos os ângulos do caminho;
para negar a nossa antiga vaidade e tomar, sobre os próprios ombros, cada dia, a cruz abençoada e redentora de nossos deveres, marchando, com humildade e alegria, ao encontro da vida sublime...
A indicação honrosa nos felicita.
Nossa presença nos estudos do Evangelho expressa o apelo que flui do Céu no rumo de nossas consciências.
Chamados para luz e escolhidos para o trabalho.
Eis a nossa posição real nas bençãos do " hoje ". E se quisermos aceitar a escolha com que fomos distinguidos, estejamos certos igualmente de que em breve, " amanhã ", comungaremos felizes com nosso Mestre e Senhor.
Emmanuel

sábado, 20 de setembro de 2008

Perseguidos

Batido no ideal de bem fazer, desculpa e avança à frente.
Açoitado no coração, enxuga as lágrimas e segue adiante.
A indulgência é a vitória da vítima e o olvido de todo mal é a resposta do justo.
Acúleos despontam no corpo da haste verde, mas a rosa, em silêncio, floresce, triunfante, por cima deles, enviando perfume ao céu.
Sombras da noite envolvem a paisagem terrestre na escuridão do nadir; todavia, o Sol, sem palavras, expulsa as trevas, cada manhã, recuperando-a para a alegria da luz.
Lembra-te dos perseguidos sem causa, que se refugiram na paz da consciência, em todas as épocas.
Sócrates bebe a cicuta que lhe impõem à boca; entretanto, ergue-se à culminância da filosofia.
Estevão morre sob pedradas, abrindo caminho a três séculos de flagelação contra o Cristianismo nascente; contudo, faz-se o padrão do heroísmo e da resistência dos mártires que trnsformam o mundo.
Gutenberg é processado como devedor relapso, mas cria a imprensa, desfazendo o nevoeiro medieval.
Jan Hus é queimado vivo, mas imprime novos rumos à fé.
Colombo expira abandonado numa enxerga em Valladolid; no entanto, levanta-se, para sempre, na memória da América.
Galileu, preso e humilhado, desvenda ao homem nova contemplação do Universo.
Lutero, vilipendiado, ressuscita as letras do Evangelho.
Giordano Bruno, atravessando pavoroso suplício, traça mais altos rumos ao pensamento.
Lincon tomba assassinado, mas extingue o cativeiro no clima de sua pátria.
Pasteur é ironizado pela maioria de seus conteporâneos; no entanto, renova os métodos da ciência e converte-se em benfeitor de todos os povos.
E, ainda ontem, Gandhi cai sob golpe homicida, mas consagra o princípio de não-violência.
Entre os perseguidores, contam-se os obsidiados, os intemperantes, os depravados, os infelizes, os caluniadores, os calculistas e os criminosos, que descem pelas torrentes do remorso para a necessária refundição mental nos alambiques do tempo, mas entre os perseguidos sem razão, enumeram-se quase todos aqueles que lamçam nova luz sobre as notas da vida.
É por isso que Jesus, o divino governador da Terra, preferiu alinhar-se entre os escanecidos e injuriados, aceitando a morte na cruz, de maneira a estender a glória do amor puro e a força do perdão, para que se aprimore a humanidade inteira.
Emmanuel

domingo, 14 de setembro de 2008

Teu filho

Observa a flor tenra que desabrocha no jardim de teu lar...
Espírito extasiado, exclamas ante o hóspede frágil que te pede refúgio ao coração:
- Meu filho! Meu filho!
E sentes o suave mistério do amor que te renova as forças para o trabalho, enriquecendo a alma, com estímulos santos.
Dessa criaturinha leve e doce que ainda não fala, recolhes poemas inarticulados de esperança e ternura...
Desse anjo nascituro que ainda não caminha, recebes sugestões silenciosas de coragem para marchar com destemor, dentro da luta em que te refazes para a vida Maior...
Bênçãos intangíveis do céu te coroam a fronte, e aprendes a suportar, com heroísmo, o cálice de fel que o mundo te apresenta e a cultivar a humildade que te faz mais humano e melhor à frente dos semelhantes...
Contudo, não te esqueças, é ao som dessa música renovadora, que teu filho será amanhã teu retrato e que nele estamparás teus próprios ideais e teus próprios impulsos, plasmando-lhe o novo modo de ser.
Sem dúvida, não é um estrangeiro em tua casa, nem um desconhecido ao teu afeto...
É alguém que chega de longe, como acontece a ti mesmo.
Alguém que te comungou as experiências do passado e que se liga ao teu caminho pelos laços luminosos do amor ou pelas duras algemas da aversão.
Recebe-o, assim, com doçura e reconhecimento, mas não ouvides o dever de amá-lo com elevação espiritual necessária ao combate que, amanhã, lhe cabe ferir...
Ajuda-o, equilibra-o e ampara-o com trabalho digno e com o estudo edificante.
Ama-o e educa-o, oferecendo-lhe o melhor de tua alma, porque, cumpridas as tuas obrigações no lar, ainda mesmo que teu filho não te possa compreender a nobreza do sacrifício e a excelsitude da abnegação, receberás do eterno senhor, nosso Pai Celestial, a bênção da alegria e da paz, de vez que, diante d'Ele, todos somos filhos e tutelados também. 
Emmanuel

domingo, 7 de setembro de 2008

Intercâmbio Social

O homem, inquestionavelmente, é um ser gregário, organizado pela emoção para a vida em sociedade.
O seu insulamento, a pretexto de servir a Deus, constitui uma violência à lei natural, caracterizando-se por uma fuga injustificável às responsabilidades do dia-a-dia.
Graças à dinâmica da atualidade, diminuem as antigas incursões ao isolacionismo, seja nas regiões desérticas para onde o homem fugia a buscar meditação, seja no silêncio das clausuras e monastérios onde pensava perder-se em comtemplação.
O Cristianismo possui o extraordinário objetivo de criar uma sociedade equilibrada, na qual todos os seus membros sejam solidários entre si.
"Negar o mundo" do conceito evangélico, não signifca abandoná-la, antes criar condições novas, a fim de modificar-lhe as estruturas negativas e egoísticas, engendrando recursos que o transformem em reduto de esperança, de paz, perfeito símile do "reino dos céus", a que se reportava Jesus.
A vivência cristã se caracteriza pelo clima de convivência social em regime de fraternidade, no qual todos se ajudam e se socorrem, dirimindo dificuldades e consertando problemas.
Viver o Cristo é também conviver com o próximo, aceitando-o conforme suas imperfeções, sem constituir-lhe fiscal ou pretender corrigi-lo, antes acompanhando-o com bondade, inspirando-o ao despertamento e à mudança de conduta de modo próprio.
A reforma pessoal de alguém inspira confiança, gera simpatia, modifica o meio e renova os compares com quem cada um se afina.
Isolar-se, portanto, a pretexto de servir ao bem não passa de uma experiência na qual o egoísmo predomina, longe da luta que forja heróis e constrói dos santos das abnegação e da caridade.
Joanna de Ângelis 

terça-feira, 2 de setembro de 2008

O problema da igualdade

A igualdade, sem dúvida, é realidade nas raízes da existência.
Todos os seres possuem direitos idênticos de acesso à elevação, sob qualquer prisma, entretanto, é preciso considerar que os deveres graduam as vantagens, dentro da vida.
No caminho da evolução, desse modo, a teoria igualitária absoluta é invariável utopia que nenhum sistema político poderá materializar.
A experiência e o esforço pessoal são as duas alavancas da diferenciação à cuja influência decisiva não conseguiremos fugir.
Mas, se é verdade que não podemos improvisar a anciedade do espírito, que só o tempo confere a cada criatura, na jornada para a maturação, o trabalho é sempre a riqueza real, suscetível de ser ampliada em nosso destino, ao preço de nossa boa vontade.
Assim sendo, não te esqueças das oportunidades que a divina providência te oferece cada dia, em favor do teu crescimento.
Os degraus da subida de nossa alma no rumo da perfeição destacam-se, hora a hora, através das situações e das pessoas que nos rodeiam.
Não residem nas facilidades que nos acomodam o coração com as linhas inferiores do mundo. Salientam-se nos obstáculos com que somos defrontados.
Cada problema e cada aflição, cada prova mais rude e cada luta mais árdua representam pontos vivos de ascensão que podemos aproveitar, em favor do próprio aprimoramento.
Aprendamos a respeitar o próximo e auxiliá-lo, na convicção de que amparando os nossos irmãos de caminho, auxiliaremos a nós mesmos, de vez que adquiriremos o tesouro da experiência, que nos enriquecerá de visão para os cimos que nos cabe alcançar.
Cada fronte vive em seu nível.
Cada projeção de luz caracteriza-se por determinado potencial de radiação.
Cada flor guarda o perfume que lhe é próprio.
Cada árvore produz segundo a espécie a que se subordina.
Cada espírito respira na esfera que elege para clima ideal da própria existência...
Compete-nos buscar a posição de superioridade que Jesus nos oferece, aceitando o sacrifício pelo bem que a vida nos impõem, a fim de que nos façamos hoje desiguais da personalidade que ostentávamos ontem, perdendo os envoltórios pesados que ainda nos imantam à zonas escuras da Terra e tentando a sintonia com os benfeitores que nos esperam na glória espiritual.
Emmanuel

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Suicídio

No suicídio intencional, sem as atenuantes da moléstia ou da ignorância, há que considerar não somente o problema da infração ante as Leis Divinas, mas também o ato de violência que a criatura comete contra si mesma, através da premeditação mais profunda, com remorso mais amplo. (...)
Contudo, os resultados não se circunscrevem aos fenômenos de sofrimento íntimo, porque surgem os desequilíbrios conseqüentes nas sinergias do corpo espiritual, com impositivos de reajuste em existências próximas.
É assim que após determinado tempo de reeducação, nos círculos de trabalho fronteriços da Terra, os suicídas são habitualmente reinterados no plano carnal, em regime de hospitalização na cela física, que lhes reflete as penas e angústias na forma de enfermidades e inibições.
Os que se envenenaram, conforme os tóxicos de que se valeram, renascem trazendo as afecções valvulares, os achaques do aparelho digestivo, as doenças do sangue e as disfunções endocrínicas, tanto quanto outros males de etiologia obscura; os que incendiaram a própria carne amargam as agruras da ictiose ou do pênfigo; os que se asfixiaram, seja no leito das águas ou nas correntes de gás, exibem os processos mórbidos das vias respiratórias, como no caso do enfisema ou dos cistos pulmonares; os que se enforcam carreiam consigo os dolorosos distúrbios do sistema nervoso, como sejam as neoplasias diversas e a paralisia cerebral infantil; os que estilhaçaram o crânio ou deitaram a própria cabeça sob rodas destruidoras, experimentam desarmonias da mesma espécie, notadamente as que se relacionam com o cretinismo, e os que se atiraram de grande altura reaparecem portando os padecimentos da distrofia muscular progressiva ou da osteíte difusa.
Segundo o tipo de suicídio, direto ou indireto, surgem as distonias orgânicas derivadas, que correspondem a diversas calamidades congênitas, inclusive a mutilação e o câncer, a surdez e a mudez, a cegueira e a loucura, a representarem terapêutica providencial na cura da alma.
Junto de semelhantes quadros de provação regenerativa, funciona a ciência médica por missionária da redenção, conseguindo ajudar e melhorar os enfermos de conformidade com os créditos morais que atingiram ou segundo o merecimento de que disponham.
Guarda, pois, a existência como dom inefável, porque teu corpo é sempre instrumento divino, para que nele aprendas a crescer para a luz e a viver par ao amor, ante a glória de Deus.
Emmanuel

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Agressividade

O agressor deve ser examinado como alguém pertubado em si mesmo, em lamentável processo de agravamento. Não obstante merece tratamento a agressividade, que procede do espírito cujos germes o contaminam, em decorrência da predominância dos instintos materiais que o governam e dominam.
Problema sério que exige cuidados especiais, a agressividade vem dominando cada vez maior número de vítimas que lhe caem inermes nas malhas constrintoras.
Sem dúvida, fatores externos contribuem para distonias nervosas, promotoras de reações pertubantes, que geram, não raro, agressividade naqueles que, potencialmente, são violentos...
O espírito é constituído pelos feixes de emoções que lhe cabe sublimar ao império dos renascimentos proveitosos...
O que não corrija agora, transforma-se em rude adversário a tocaiá-lo nas esquinas do futuro...
O temperamento irascível, aqui estimulado, ressurge em violência infeliz adiante...
O egoísmo vencido, o orgulho superado cedem lugar ao otimismo e à alegria de viver para sempre.
Outrossim, gerando ódio em volta de si, o agressivo atrai outros violentos com os quais entra em choque padecendo, por fim, as consequências das arbitrariedades que se permite.
Não foi por outra razão que Jesus aconselhou a Simão, no momento grave da sua prisão: "Embainha a tua espada, porque quem com ferro fere, com ferro será ferido."
Acautela-te, e vence a agressividade, antes que ela te infelicite e despertes tardiamente. Só o amor vence todo o mal e nunca se deixa vencer.
Joanna de Ângelis

domingo, 24 de agosto de 2008

Fraternidade

"Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros." Jesus, João, XIII:35.

Desde a vitória de Constantino, que descerrou ao mundo cristão as portas da hegemonia política, temos ensaiado diversas experiências para demonstrar na Terra a nossa condição de discípulos de Jesus.
Organizamos concílios célebres, formulando atrevidas conclusões acerca da natureza de Deus e da alma, do Universo e da vida.
Incentivamos guerras arrasadoras que implantaram a miséria e o terror naqueles que não podiam crer pelo diapasão da nossa fé.
Disputamos o sepulcro do Divino Mestre, brandindo a espada mortífera e ateando o fogo devorador.
Criamos comendas e cargos religiosos, distribuindo o veneno e manejando o punhal.
Acendemos fogueiras e irigimos cadafalsos, inventamos suplícios e construímos prisões para quantos discordassem dos nossos pontos de vista.
Estimulamos insurreições que operaram o embate de irmãos contra irmãos, em nome do Senhor que testemunhou na cruz o devotamento à humanidade inteira.
Edificamos palácios e basílicas, famosos pela suntuosidade e beleza, pretendendo reverenciar-lhe a memória, esquecidos de que, em verdade, não possuía uma pedra onde repousar a cabeça.
E, ainda hoje, alimentamos a separação e a discórdia, erguendo trincheiras de incompreensão e animosidade, uns contra os outros, nos variados setores da interpretação.
Entretanto, a palavra do Cristo é insofismável.
Não nos faremos titulares da Boa-nova simplesmente através das atitudes exteriores...
Precisamos, sim, da cultura que aprimora a inteligência, da justiça que sustenta a ordem, do progresso material que enriquece o trabalho e de assembléias que favoreçam o estudo; no entanto, toda a movimentação humana, sem a luz do amor, pode perder-se nas sombras...
Seremos admitidos ao aprendizado do Evangelho, cultivando o reino de Deus que começa na vida íntima.
Estendamos, assim, a fraternidade pura e simples, amparando-nos mutuamente... Fraternidade que trabalha e ajuda, compreende e perdoa, entre a humildade e o serviço que asseguram a vitória do bem. Atendamo-la, onde estivermos, recordando a palavra do Senhor que afirmou com clareza e segurança: - "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros."
Emmanuel

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Semeadores

"Eis que o semeador saiu a semear." - Jesus. (Mateus, XIII:3)


Todo ensinamento do Divino Mestre é profundo e sublime na menor expressão. Quando se dispõe a contar a parábola do semeador, começa com ensinamento de inestimável importância que vale relembrar.
Não nos fala que o semeador deva agir, através do contrato com terceiras pessoas, e sim que ele mesmo saiu a semear.
Transferindo a imagem para o solo do espírito, em que tantos imperativos de renovação convidam os obreiros da boa vontade à santificante lavoura da elevação, somos levados a reconhecer que o servidor do Evangelho é compelido a sair de si próprio, a fim de beneficiar corações alheios.
É necessário desintegrar o velho cárcere do "ponto de vista" para nos devotarmos ao serviço do próximo.
Aprendendo a ciência de nos retirarmos da escura cadeia do "eu", excursionaremos através do grande continente denominado "interesse geral". E, na infinita extensão dele, encontraremos a "terra das almas", sufocada de espinheiros, ralada de pobreza, revestida de pedras ou intoxicada de pântanos, oferecendo-nos a divina oportunidade de agir a benefício de todos.
Foi nesse roteiro que o Divino Semeador pautou o ministério da luz, iniciando a celeste missão do auxilio entre humildes tratadores de animais e continuando-a através dos amigos de Nazaré e dos doutores de Jerusalém, dos fariseus palavrosos e dos pescadores simples, dos justos e dos injustos, ricos e pobres, doentes do corpo e da alma, velhos e jovens, mulheres e crianças...
Segundo observamos, o semeador do céu ausentou-se da grandeza a que se acolhe e veio até nós, espalhando as claridades da Revelação e aumentando-nos a visão e o discernimento. Humilhou-se para que nos exaltássemos e confundiu-se com a sombra a fim de que a nossa luz pudesse brilhar, embora lhe fosse fácil fazer-se substituído por milhões de mensageiros, se desejasse.
Afastemo-nos, pois, das nossas inibições e aprendamos com o Cristo a "sair para semear".
Emmanuel

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Mais amor

Amas sempre para que possas compreender sempre mais.
Muitas vezes, no mundo, ensandecemos o cérebro e envenenamos o coração, indagando sem proveito quanto aos problemas que afligem os grandes e os pequenos, os felizes e os infelizes.
Entretanto, bastaria um raio de amor no imo d'alma para entendermos a profunda união em que nos imaginamos uns aos outros.
Ajuda de qualquer indagação.
Não peças diretrizes à vida superior, antes de haver praticado a fraternidade no círculo de criaturas em que te encontras.
A Terra é a nossa escola multimilenária, onde o amor é o sol para as mínimas lições.
Descerra o espírito à claridade dessa luz e perceberás a dor que, muitas vezes, se agita sob vestes douradas e observarás o brilho da vida que, em muitas ocasiões, se destaca sob andrajos e sombras.
Oferece-lhe a mente e aprenderás que a alegria e sofrimento, escassez e abastança, segurança e instabilidade na Terra não passam de oportunidades preciosas para a nossa elevação espiritual.
Não te esqueças de que somente aquele que se faz irmão do próximo pode soerguê-lo a mais altos destinos.
O nosso verbo pronunciará eloqüentes discursos.
A nossa pena escreverá páginas comovedoras.
A nossa influência social assegurar-nos-á subido destaque na vida pública.
As nossas facilidades econômicas garantir-nos-ão transitório respeito entre as criaturas.
Todavia, que será de nós sem o tesouro da compreensão que apenas o amor nos pode conferir?
Mais amor em nossas atividades de cada dia é solução gradativa a todos os enigmas que nos cercam.
Só a luz é capaz de extinguir a sombra.
Só a sabedoria aniquila a ignorância.
Só o amor redime, vitoriosamente, a miséria.
Não nos abeiremos da revelação, simplesmente indagando, pedindo, reclamando.
Aprendamos a trabalhar e servir.
Amemo-nos uns aos outros e uma luz nova brotará no terreno vivo de nossa alma, constrangendo-nos a sentir que só o trabalho no serviço ao próximo é capaz de conduzir-nos à comunhão com a verdadeira felicidade, que decorre de nosso ajustamento às leis celestiais.
Emmanuel

sábado, 26 de julho de 2008

Ante as crises do mundo

As crises, as dificuldades, os desregramentos do mundo!...
De modo habitual, referimo-nos à provações terrestres, mormente nas épocas de transição, como se nos regozijássemos em ser folha inerte nas convulsões da torrente.
Em verdade, o mundo se encontra em renovação incessante, qual sucede a nós próprios, e, nas horas de transformações essenciais, é compreensível que a Terra pareça uma casa em reforma, temporariamente atormentada pela tranposição de linhas e reajustamento de valores tradicionais. Tudo em reexame, a fim de que se revalidem os recursos autênticos da civilização, escoimados da ganga dos falsos conceitos de progresso, dos quais a vida se despoja para seguir adiante, mais livre e mais simples, conquanto mais responsável e mais culta.
Natural que a existência em si mesma, nessas ocasiões, se nos afigure como sendo um painel torturado de paixões à solta.
Costumamos olvidar, porém, que o mundo é o mundo e nós somos nós. Entre o passageiro e o comboio que o transporta, há singulares e inconfudíveis diferenças. Se o veículo ameaça desastre, é possível que o viajante, dentro dele, se converta em ponto de calma, irradiando reequilíbrio.
Assim também, no Planeta. Somos todos capazes de fazer cessar em nós qualquer indução à indisciplina ou à desordem. Cada qual pode assumir as rédeas do comando íntimo e estabelecer com a própria consciência o encargo de calafetar com a bênção do serviço e da prece todas as brechas da alma, de modo a impedir a invasão da sombra no barco de nossos interesses espirituais, preservando-nos contra o mergulho no caos, tanto quanto auxiliando aqueles que renteiam conosco na viagem de evolução e de elevação.
Faze-te, pois, onde estiveres, um ponto assim de tranquilidade e socorro. O deserto é, por vezes, imenso; no entanto, bastam algumas fontes isoladas entre si para garantirem a jornada segura através dele. Na ausência do Sol, uma vela consegue acender milhares de outras, removendo o assédio da escuridão.
Que o mundo se encontra em conflitos dolorosos, à maneira de cadinho gigantesco em ebulição para depurar os valores humanos, é mais que razoável, é necessário. Entretanto, acima de tudo, importa considerar que devemos ser, não obstante as nossas imperfeições, um ponto de luz nas trevas, em que a inspiração do Senhor possa brilhar.
Emmanuel

terça-feira, 22 de julho de 2008

Credores diferentes

" Eu porém, vos digo: amai os vossos inimigos." Jesus, Matheus, V44.

O problema do inimigo sempre merece estudos mais acurados.
Certo, ninguém poderá aderir, de pronto, à completa união com o adversário do dia de hoje, como Jesus não pode rir-se com os perseguidores, no martírio do Calvário.
Entretanto, a advertência do Senhor, conclamando-nos a amar os inimigos, reveste-se de profunda significação em todas as facetas pelas quais a examinemos, mobilizando os instrumentos da análise comum.
Geralmente, somos devedores de altos benefícios a quantos nos perseguem e caluniam; constituem os instrumentos que nos trabalham a individualidade, compelindo-nos a renovações de elevado alcance que raramente compreendemos nos instantes mais graves da experiência. São eles que nos indicam as fraquezas, as deficiências e as necessidades a serem atendidas na tarefa que estamos executando.
Os amigos, em muitas ocasiões, são imprevidentes companheiros, porquanto contemporizam com o mal; os adversários, porém, situam-no com vigor.
Pela rudeza do inimigo, o homem comumente se faz rubro e indignado uma só vez, mas, pela complacência dos afeiçoados, torna-se pálido e acabrunhado, vezes sem conta.
Não queremos dizer com isto que a criatura deva cultivar inimizades; no entanto, somos daqueles que reconhecem por beneméritos credores quantos nos proclamam as faltas.
São médicos corajosos que nos facultam corretivo.
É difícil para muita gente, na Terra, a aceitação de semelhante verdade; todavia, chega sempre um instante em que entendemos o apelo do Cristo, em sua magna extensão.
Emmanuel

domingo, 20 de julho de 2008

O necessário


"Mas uma só coisa é necessária." - Jesus. (LUCAS, 10:42.)

Terás muitos negócios próximos ou remotos, mas não poderás subtrair-lhes o caráter de lição, porque a morte te descerrará realidades com as quais nem sonhas de leve...
Administrarás interesses vários, entretanto, não poderás controlar todos os ângulos do serviço, de vez que a maldade e a indiferença se insinuam em todas as tarefas, prejudicando o raio de ação de todos os missionários da elevação.
Amealharás enorme fortuna, todavia, ignorarás, por muitos anos, a que região da vida te conduzirá o dinheiro.
Improvisarás pomposos discursos, contudo, desconheces as conseqüências de tuas palavras.
Organizarás grande movimento em derredor de teus passos, no entanto, se não construíres algo dentro deles para o bem legítimo, cansar-te-ás em vão.
Experimentarás muitas dores, mas, se não permaneceres vigilante no aproveitamento da luta, teus dissabores correrão inúteis.
Exaltarás o direito com o verbo indignado e ardoroso, todavia, é provável não estejas senão estimulando a indisciplina e a ociosidade de muitos.
"Uma só coisa é necessária", asseverou o Mestre, em sua lição a Marta, cooperadora dedicada e ativa.
Jesus desejava dizer que, acima de tudo, compete-nos guardar, dentro de nós mesmos, uma atitude adequada, ante os desígnios do Todo-Poderoso, avançando, segundo o roteiro que nos traçou a Divina Lei. Realizado esse "necessário", cada acontecimento, cada pessoa e cada coisa se ajustarão, a nossos olhos, no lugar que lhes é próprio. Sem essa posição espiritual de sintonia com o Celeste Instrutor, é muito difícil agir alguém com proveito.
Emmanuel

Vê como vives


"E chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas e disse-lhes: negociai até que
eu venha." - Jesus. (LUCAS, 19:13.)

Com a precisa madureza do raciocínio, compreenderá o homem que toda a sua existência é um grande conjunto de negócios espirituais e que a vida, em si, não passa de ato religioso permanente, com vistas aos deveres divinos que nos prendem a Deus.
Por enquanto, o mundo apenas exige testemunhos de fé das pessoas indicadas por detentoras de mandato essencialmente religioso.
Os católicos romanos rodeiam de exigências os sacerdotes, desvirtuando-lhes o apostolado. Os protestantes, na maioria, atribuem aos ministros evangélicos as obrigações mais completas do culto.
Os espiritistas reclamam de doutrinadores e médiuns as supremas demonstrações de caridade e pureza, como se a luz e a verdade da Nova
Revelação pudessem constituir exclusivo patrimônio de alguns cérebros falíveis.
Urge considerar, porém, que o testemunho cristão, no campo transitório da luta humana, é dever de todos os homens, indistintamente.
Cada criatura foi chamada pela Providência a determinado setor de trabalhos espirituais na Terra.
O comerciante está em negócios de suprimento e de fraternidade.
O administrador permanece em negócios de orientação, distribuição e
responsabilidade.
O servidor foi trazido a negócios de obediência e edificação.
As mães e os pais terrestres foram convocados a negócios de renúncia, exemplificação e devotamento.
O carpinteiro está fabricando colunas para o templo vivo do lar.
O cientista vive fornecendo equações de progresso que melhorem o bem-estar do
mundo.
O cozinheiro trabalha para alimentar o operário e o sábio.
Todos os homens vivem na Obra de Deus, valendo-se dela para alcançarem, um dia, a grandeza divina. Usufrutuários de patrimônios que pertencem ao Pai, encontram-se no campo das oportunidades presentes, negociando com os valores do Senhor.
Em razão desta verdade, meu amigo, vê o que fazes e não te esqueças de subordinar teus desejos a Deus, nos negócios que por algum tempo te forem confiados no mundo.
Emmanuel

Quem lê, atenda


"Quem lê, atenda." - Jesus. (MATEUS, 24:15.)

Assim como as criaturas, em geral, converteram as produções sagradas da Terra em objeto de perversão dos sentidos, movimento análogo se verifica no mundo, com referência aos frutos do pensamento.
Freqüentemente as mais santas leituras são tomadas à conta de tempero emotivo, destinado às sensações renovadas que condigam com o recreio pernicioso ou com a indiferença pelas obrigações mais justas.
Raríssimos são os leitores que buscam a realidade da vida.
O próprio Evangelho tem sido para os imprevidentes e levianos vasto campo de observações pouco dignas.
Quantos olhos passam por ele, apressados e inquietos, anotando deficiências da letra ou catalogando possíveis equívocos, a fim de espalharem sensacionalismo e perturbação?
Alinham, com avidez, as contradições aparentes e tocam a malbaratar, com enorme desprezo pelo trabalho alheio, as plantas tenras e dadivosas da fé renovadora.
A recomendação de Jesus, no entanto, é infinitamente expressiva.
É razoável que a leitura do homem ignorante e animalizado represente conjunto de ignominiosas brincadeiras, mas o espírito de religiosidade precisa penetrar a leitura séria, com real atitude de elevação.
O problema do discípulo do Evangelho não é o de ler para alcançar novidades emotivas ou conhecer a Escritura para transformá-la em arena de esgrima intelectual, mas, o de ler para atender a Deus, cumprindo-lhe a Divina Vontade.
Emmanuel

sábado, 19 de julho de 2008

Libertação

A finalidade precípua e mais importante da reencarnação diz respeito ao processo de auto-iluminação do espírito.
Herdeiro de suas próprias experiências, mantém atavismos negativos que o retêm nas paixões perturbadoras, aturdindo-se com freqüência, na busca frenética do prazer e da posse. Como conseqüência, as questões espirituais permanecem-lhe em plano secundário, sem conceder-se ensejo de crescimento libertador.
Indispensável que se criem as condições favoráveis ao desenvolvimento dos seus valores éticos e espirituais que não devem ser postergados. Somente através desse esforço - que é o empenho consciente para o auto-encontro, o denodo para romper com as amarras selvagens da ignorância, da acomodação, da indiferença - que o logro se torna possível...
Muitos homens se atiram afanosamente pela conquista do dinheiro, nele colocando todas as aspirações da vida como sendo a meta única a alcançar. Fazem-se, até mesmo, onzenários.
Inúmeros outros, todavia, não lhe dão maior valor, desperdiçando-o com frivolidade, esbanjando-a sem consideração. Terminam, desse modo, na estroinice, na miséria econômica.
O dinheiro entretanto, não é essencial ou secundário na vida. Vale pelo que pode adquirir e segundo a consideração de que se reveste transitoriamente.
É indispensável que inicies o processo da tua libertação quanto antes.
Faze um momento habitual de solidão, onde quer que te encontres. Não é necessário que fujas do mundo, porém que consigas um espaço mental e doméstico para exercitares abandono pessoal e aí fazeres silêncio, meditando em paz.
Não digas que o tempo não te faculta ocasião.
Renuncia a alguma tarefa desgastante, a alguma recreação exaustiva, ao tempo que dedicas ao espairecimento saturador e aplica-o à solidão.
Nesse espaço, isola-te e silencia.
Deixa que a meditação refunda os teus valores íntimos e logre libertar-te das paixões escravizantes.
Considera o dinheiro e todos os demais valores como instrumentos para finalidades próximas, cuidando daquele outros de sabor eterno e plenificador, que se te fazem essenciais par o êxito na tua jornada atual, a tua auto-iluminação libertadora.
Joanna de Ângelis

Negócios

"E ele lhes disse: Por que me procuráveis? não sabíeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?" - (LUCAS, 2:49.)

O homem do mundo está sempre preocupado pelos negócios referentes aos seus interesses efêmeros.
Alguns passam a existência inteira observando a cotação das bolsas. Absorvem-se outros no estudo dos mercados.
Os países têm negócios interno e externos. Nos serviços que lhes dizem respeito, utilizam-se maravilhosas atividades da inteligência. Entretanto, apesar de sua feição respeitável, quando legítimas, todos esses movimentos são precários e transitórios. As bolsas mais fortes sofrerão crises; o comércio do mundo é versátil e, por vezes, ingrato.
São muito raros os homens que se consagram aos seus interesses eternos. Frequentemente, lembram-se disso, muito tarde, quando o corpo permanece a morrer. Só então, quebram o esquecimento fatal.
No entanto, a criatura humana deveria entender na iluminação de si mesma o melhor negócio da Terra, porquanto semelhante operação representa o interesse da Previdência Divina, a nosso respeito.
Deus permitiu as transações no planeta, para que aprendamos a fraternidade nas expressões da troca, deixou que se processassem os negócios terrenos, de modo a ensinar-nos, através deles, qual o maior de todos. Eis por que o Mestre nos fala claramente, nas anotações de Lucas: - "Não sabíeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?"
Emmanuel

Padecer

" Nada temas das coisas que hás de padecer." - (APOCALIPSE, 2:10.)

Uma das maiores preocupações do Cristo foi alijar os fantasmas do medo das estradas dos discípulos.
A aquisição da fé não constitui fenômeno comum nas sendas da vida. Traduz confiança plena.
Afinal, que significa "padecer" ?
O sofrimento de muitos homens, na essência, é muito semelhante ao do menino que perdeu seus brinquedos.
Numerosas criaturas sentem-se eminentemente sofredoras, por não lhes ser possível a prática do mal; revoltam-se outras porque Deus não lhes atendeu aos caprichos perniciosos.
A fim de prestar a devida cooperação ao Evangelho, é justo nos incorporemos à caravana fiel que se pôs a caminho do encontro com Jesus, compreendendo que o amigo leal é o que não procura contender e está sempre disposto à execução das boas tarefas.
Participar do espírito de serviço evangélico é partilhar das decisões do Mestre, cumprindo os desígnios do Pai que está nos Céus.
Não temamos, pois, o que possamos vir a sofrer.
Deus é o Pai magnânimo e justo.
Um pai não distribui padecimentos. Dá corrigendas e toda corrigenda aperfeiçoa.
Emmanuel

Tende calma

"E disse Jesus: Mandai assentar os homens." - (João, 6:10)

Esta passagem do Evangelho de João é das mais significativas. Verifica-se quando a multidão de quase cinco mil pessoas tem necessidade de pão, no isolamento da natureza.
Os discípulos estão preocupados.
Filipe afirma que duzentos dinheiros não bastarão para atender à dificuldade imprevista.
André conduz ao Mestre um jovem que trazia consigo cinco pães de cevada e dois peixes.
Todos discutem.
Jesus, entretanto, recebe a migalha sem descrer de sua preciosa significação e manda que todos se assentem, pede que haja ordem, que todos façam harmonia. E distribui o recurso com todos, maravilhosamente.
A grandeza da lição é profunda.
Os homens esfomeados de paz reclamam a assistência do Cristo. Falam nEle, suplicam-lhe socorro, aguardam-lhe as manifestações. Não conseguem, todavia, estabelecer a ordem em si mesmos, para a recepção dos recursos celestes. Misturam Jesus com as suas imprecações, suas ansiedades loucas e seus desejos criminosos. Naturalmente se desesperam cada vez mais desorientados, porquanto não querem ouvir o convite à calma, não se assentam para que se faça a ordem, persistindo em manter o próprio desequilíbrio.
Emmanuel

sexta-feira, 18 de julho de 2008

O tesouro enferrujado

Os sentimentos do homem, nas suas próprias idéias apaixonadas, se dirigidos para o bem, produziriam sempre, em consequência, os mais substanciosos frutos da obra de Deus. Em quase toda aparte, porém, desenvolvem-se ao contrário, impedindo a concretização dos propósitos divinos, com respeito à redenção das criaturas.
De modo geral, vemos o amor interpretado tão somente à conta de emoção transitória dos sentidos materiais, a beneficência produzindo pertubação entre dezenas de pessoas para atender a três ou quatro doentes, a fé organizando guerras sectárias, o zelo sagrado da existência criando egoísmo fulminante. Aqui, o perdão fala de dificuldades para expressar-se; ali, a humanidade pede a admiração dos outros.
Todos os sentimentos que nos foram conferidos por Deus são sagrados. Constituem o ouro e a prata de nossa herança, mas como assevera o apóstolo, deixamos que as dádivas se enferrujassem, no transcurso do tempo.
Faz-se necessário trabalhemos, afanosamente, por eliminar a "ferrugem" que nos atacou os tesouros do espírito. Para isso, é indispensável compreendamos no Evangelho a história da renúncia perfeita e do perdão sem obstáculos, a fim de que estejamos caminhando, verdadeiramente, ao encontro do Cristo.
Emmanuel

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Viver pela fé

Na epístola aos romanos, Paulo afirma que o justo viverá pela fé.
Não poucos aprendizes interpretaram erradamente a assertiva. Supuseram que viver pela fé seria executar rigorosamente as cerimônias exteriores dos cultos religiosos.
Freqüentar os templos, harmonizar-se com os sacerdotes, respeitar a simbologia sectária, indicariam a presença do homem justo. Mas nem sempre vemos o bom ritualista aliado ao bom homem. E, antes de tudo, é necessário ser criatura de Deus, em todas as circunstâncias das existências.
Paulo de Tarso queria dizer que o justo será sempre fiel, viverá de modo invariável, na verdadeira fidelidade ao Pai que está nos céus.
Os dias são ridentes e tranqüilos? tenhamos boa memória e não desdenhemos a moderação. São escuros e tristes? confiemos em Deus, sem cuja permissão a tempestade não desabaria. Veio o abandono do mundo? o Pai jamais nos abandona. Chegaram as enfermidades, os desenganos, a gratidão e a morte? Eles são todos bons amigos, por trazerem até nós a oportunidade de sermos justos, de vivermos pela fé, segundo as disposições sagradas do Cristianismo.
Emmanuel

Que buscais?

A vida em si é conjunto divino de experiências.
Cada existência isolada oferece ao homem o proveito de novos conhecimentos. a aquisição de valores religiosos, entretanto, é a mais importante de todas, em virtude de constituir o movimento de iluminação definitiva da alma para Deus.
Os homens, contudo, estende a esse departamento divino a sua viciação de sentimentos, no jogo inferior de interesses egoísticos.
Os templos de pedra estão cheios de promessas injustificáveis e de votos absurdos.
Muitos devotos entendem encontrar na Divina Providência uma força subornável, eivada de privilégios e preferências. Outros se socorrem do plano espiritual com o propósito de solucionar problemas mesquinhos.
Esquecem-se de que o Cristo ensinou e exemplificou.
A cruz do Calvário é símbolo vivo.
Quem deseja a liberdade precisa obedecer aos desígnios supremos. Sem a compreensão de Jesus no campo íntimo, associada aos atos de cada dia, a alma será sempre a prisioneira de inferiores preocupações.
Ninguém olvide a verdade de que o Cristo se encontra no umbral de todos os templos religiosos do mundo, perguntando, com interesse, aos que entram: "Que buscais?"
Emmanuel

terça-feira, 15 de julho de 2008

Caminhos retos

A vida deveria constituir, por parte de todos nós, rigorosa observância dos sagrados interesses de Deus.
Freqüentemente, porém, a criatura busca sobrepor-se aos desígnios divinos.
Estabelece-se, então, o desequilíbrio, porque ninguém enganará a Divina Lei. E o homem sofre, compulsoriamente, na tarefa da reparação.
Alguns companheiros desesperam-se no bom combate pela perfeição própria e lançam-se num verdadeiro inferno de sombras interiores. Queixam-se do destino, acusam a sabedoria criadora, gesticulam nos abismos da maldade, esquecendo o capricho e a imprevidência que os fizeram cair.
Jesus, no entanto, há quase vinte séculos, exclamou:
"Lançai a rede para a banda direita do barco e achareis."
Figuradamente, o espírito humano é um "pescador" dos valores evolutivos, na escola regeneradora da Terra. A posição de cada qual é o "barco". Em cada novo dia, o homem se levanta com a sua "rede" de interesse. Estaremos lançando a nossa "rede" para a "banda direita" ? Fundam-se nossos pensamentos e atos sobre a verdadeira justiça?
Convém consultar a vida interior, em esforço diário, porque o Cristo, nesse ensinamento, recomendava, de modo geral, aos seus discípulos: "dedicai vossa atenção aos caminhos retos e achareis o necessário."
Emmanuel

Diante da posse

Recorda o grande minuto do berço para que te convenças, sem alarme, de que toda posse pertence a Deus.
Integralmente jungido à necessidade, Atingiste o mundo em completa nudez, esmolando a proteção maternal, através de vagidos que te denunciavam a carência de tudo.
Reconhecerás, desse modo, que a vida se te desenrola nas mil concessões do Pai Celestial cada dia.
Do chão que te sustenta à estrela que te adelgaça a treva noturna, tudo é Deus em teus passos, conferindo-te equilíbrio e respiração, idéia e movimento, em regime de administração, de vez que o amor infinito nos empresta todos os bens do mundo para que lhe estendamos a grandeza, ao Sol desse mesmo amor que é patrimônio de todas as criaturas.
Observarás então que o Todo-Misericordioso te concede o ouro terrestre para que ajudes a evolução, tanto quanto te reveste com a influência política ou com a cultura valiosa do progresso e da educação.
Não olvides que todos, por algum tempo, detemos recursos e vantagens que significam talentos entregues às nossas mãos pelo suprimento divino.
Nossa família é santuário de afetos para que nos entrosemos com a família maior a expressar-se na humanidade inteira; nossa profissão é título de trabalho com que nos cabe servir à comunidade em bases de sacrifício próprio, nossa fé representa lâmpada viva com que nos compete a obrigação de clarear os caminhos alheios e nossa bolsa não é mais que repositório de possibilidades que, a rigor, estacionam em nossa marcha para que se transformem no pão e na alegria de todos os que nos cercam.
Acautela-te ante a transitoriedade em que toda a existência humana se levanta e desdobra, a fim de que amanhã não te aconteça acordar nos braços da morte, com a loucura de quem, debalde, intenta reter disponibilidade e bênçãos de que a fronteira de cinza é o justo limite.
"Não servirás a dois senhores" - ensinou--nos o Cristo de Deus.
Jamais nos esqueçamos de que o Supremo Senhor é realmente Deus, Nosso Pai, e que, fora dos interesses d'ele, que constituem felicidade e luz para todos, estaremos jugulados pela tirania do mentiroso senhor que é nosso "eu".
Emmanuel

segunda-feira, 14 de julho de 2008

O companheiro

Em qualquer parte, não pode o homem agir, isoladamente, em se tratando da obra de Deus, que se aperfeiçoa em todos os lugares.
O Pai estabeleceu a cooperação como princípio dos mais nobres, no centro das leis que regem a vida.
No recanto mais humilde, encontrarás um companheiro de esforço.
Em casa, ele pode chamar-se "pai" ou "filho"; no caminho, pode denominar-se "amigo" ou "camarada de ideal".
No fundo, há um só Pai que é Deus e uma grande família que se compõe de irmãos.
Se o Eterno encaminhou ao teu ambiente um companheiro menos desejável, tem compaixão e ensina sempre.
Eleva os que te rodeiam.
Santifica os laços que Jesus promoveu a bem de tua alma e de todos os que te cercam.
Se a tarefa apresenta obstáculos, lembra-te das inúmeras vezes em que o Cristo já aplicou misericórdia ao teu espírito, isso atenua as sombras do coração.
Observa em cada companheiro de luta ou do dia uma benção e uma oportunidade de atender ao programa divino, acerca de tua existência.
Há dificuldades e percalços, incompreensões e desentendimentos? Usa a misericórdia que Jesus já usou contigo, dando-te nova ocasião de santificar e de aprender.
Emmanuel

Na propaganda

As exortações do Mestre aos discípulos são muito precisas para provocarem qualquer incerteza ou indecisão.
Quando tantas expressões sectárias requisitam o Cristo para os seus desmandos intelectuais, é justo que os aprendizes novos, na luz do consolador, meditem a elevada significação deste versículo de Lucas: " E dir-vos-ão; não vades, nem os sigais."(17:23)
Na propaganda genuinamente cristã não basta dizer onde está o Senhor. Indispensável é mostrá-lo na própria exemplificação.
muitos percorrem templos e altares, procurando Jesus.
Mudar de crença religiosa pode ser modificação de caminho, mas pode ser também continuidade de pertubação.
Torna-se necessário encontrar o Cristo no santuário interior.
Cristianizar a vida não é imprimir-lhe novas feições exteriores. É reformá-la para o bem no âmbito particular.
Os que afirmam apenas na forma verbal que o Mestre se encontra aqui ou ali, arcam com profundas responsabilidades. A preocupação de proselitismo é sempre perigosa para os que se seduzem com as belezas sonoras da palavra sem exemplos edificantes.
O discípulo sincero sabe que dizer é fácil, mas que é difícil revelar os propósitos do Senhor na existência própria. É imprescindível fazer o bem, antes de ensiná-lo a outrem, porque Jesus recomendou ninguém seguisse os pregoeiros que somente dissessem onde se poderia encontrar o Filho de Deus.
Emmanuel

Purificação íntima

Cada homem tem a vida exterior, conhecida e analisada pelos que o rodeiam, e a vida íntima da qual somente ele próprio poderá fornecer o testemunho.
O mundo interior é a fonte de todos os princípios bons e maus e todas as expressões exteriores guardam aí os seus fundamentos.
Em regra geral, todos somos portadores de graves deficiências íntimas, necessitadas de retificação.
Mas o trabalho de purificar não é tão simples quanto parece.
Será muito fácil ao homem confessar a aceitação de verdades religiosas, operar a adesão verbal a ideologias edificantes... Outra coisa, porém, é realizar a obra da elevação de si mesmo, valendo-se da autodisciplina, da compreensão fraternal e do espírito de sacrifício.
O apóstolo Tiago entendia perfeitamente a gravidade do assunto e aconselhava aos discípulos alimpassem as mãos, isto é, retificassem as atividades do plano exterior, renovassem suas ações ao olhar de todos, apelando para que se efetuasse, igualmente, a purificação do sentimento, no recinto sagrado da consciência, apenas conhecido pelo aprendiz, na soledade indevassável de seus pensamentos. O companheiro valoroso do Cristo, contudo, não se esqueceu de afirmar que isso é trabalho para os de duplo ânimo, porque semelhante renovação jamais se fará tão-somente à custa de palavras brilhantes.
Emmanuel

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