quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A consciência

Para desenvolver, para apurar a percepção, de modo geral, é preciso, a princípio, acordar o sentido íntimo, o sentido espiritual. A mediunidade demonstra-nos que há seres humanos muito mais bem dotados em relação à visão e audição interiores, que certos espíritos que vivem no Espaço e cujas percepções são estremamente limitadas em vista da insuficiência de sua evolução.
Quanto mais puros e desinteressados são os pensamentos e os atos, numa palavra, quanto mais intensa é a vida espiritual e quanto mais ela predomina sobre a vida física, tanto mais se desenvolvem os sentidos interiores. O véu que nos esconde o mundo fluídico adelgaça-se, torna-se transparente e, por trás dele, a alma distingue um conjunto maravilhoso de harmonias e belezas, ao mesmo tempo que se torna mais apta a recolher e transmitir as revelações, as inspirações dos seres superiores, porque o desenvolvimento dos sentidos internos coincide, geralmente, com uma atração mais enérgica das radiações etéreas.
Cada plano do Universo, cada círculo da vida, corresponde a um número de vibrações, que se acentuam e tornam mais rápidas, mais sutis, à medida que se aproximam da vida perfeita. Os seres dotados de fraco poder de radiação não podem perceber as formas de vida que lhes são superiores, mas todo espírito é capaz de obter pela preparação da vontade e pela educação dos sentidos íntimos um poder de vibração que lhe permite agir em planos muitos externos.
Leon Denis

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Morte: Nova dimensão da vida

Que a bondade de Deus permaneça com todos, instruindo-os sempre para o bem!
Vida e morte, estágios diferentes para um mesmo espírito, assemelham-se ao trabalho contínuo de Deus, burilando um espírito, até que se fique exatamente numa única posição: a de vida espiritual.
A morte, que ceifa tantas vidas, colocando tantos corações em processo de angústia, de saudade, de dor, de lágrima e sofrimento, deveria ser encarada, eficazmente, como mais uma transformação, mais uma porta de transformação do espírito humano.
Nós, espíritas, entendemos que a morte nada mais é do que uma passagem para uma nova dimensão. Hoje, quando tantos estão elaborando pensamentos em torno da vida  e da morte, repetimos com Jesus: "Vou para o Pai".
Cada um de nós deve encarar esse fenômeno como o de ida para o mais além, para o mais elevado. Que o ser humano, que o homem em geral, entenda que essa passagem, mostrando a continuidade da existência do espírito, traz uma outra responsabilidade: a responsabilidade de se viver bem para morrer bem. E mais: que do outro lado seremos exatamente como fomos na Terra. Procuremos, portanto, viver em paz, equilibrados, voltados para o bem e sempre, amando ao semelhante.
Com isso, estaremos criando, dentro de nós, condições adequadas para uma vida espiritual futura de paz.
Agora, desejamos a todos equilíbrio e confiança, pedindo que se mantenham cada vez mais espíritas, nas palavras, nos atos, onde estiverem.
Lembremo-nos de que a caridade tão falada e propagada deve começar por nós, nos nossos círculos de relações com a família, com os companheiros de trabalho, com os homens do mundo.
Que aprendamos a espalhar o perfume da caridade por onde passarmos!
Que Deus fique conosco agora e sempre! Muita paz!
Hermann

domingo, 26 de outubro de 2008

Estranho delito

Observando a hostilidade manifesta que vem sofrendo a Doutrina Espírita, desde a enunciação dos seus princípios com Allan Kardec, estudemos o motivo pelo qual teria sido Jesus condenado, na barra dos tribunais humanos.
Todos sabemos que o Cristo não foi vítima de assassínio vulgar.
Não obstante, sem razão foi preso, inquirido, processado, qualificado na posição de réu e condenado à morte pelo mais alto conselho da comunidade a que pertencia.
O libelo não permaneceu circunscrito ao âmbito religioso da nação israelita.
A sentença foi conduzida à ratificação do arbítrio romano, na pessoa de Pilatos, submetida à consideração da autoridade providencial, na presença de Ântipas, e, em seguida, exposta ao veredito da multidão.
Dentre todos os poderes a que foi apresentado, não se tem notícia de voz alguma que se levantasse para defendê-lo.
Entretanto, qual teria sido a culpa do Mestre nos quadros do seu tempo?
Ter-se-ia incompatibilizado com os sacerdotes?
Declarava, ele mesmo, que não vinha destruir a lei, mas sim dar-lhe cumprimento.
Afrontaria, acaso, os abastados do mundo?
Não possuía uma pedra em que repousar a cabeça.
Guerreara os políticos dominantes?
Ensinava o respeito à legalidade, proclamando que se deve dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
Menoscabara, porventura, o prestígio dos médicos?
Valia-se apenas da oração e do magnetismo divino de que se fazia intérprete no socorro dos doentes(...)
E, depois de crucificado, seus continuadores legítimos por muito tempo foram perseguidos, humilhados, espancados, martirizados e ridicularizados, apodrecendo nos cárceres, algemados a ferro, sulpiciados em gabinetes de tortura, passados a fio de espada ou cedidos à sanha de feras sanguinárias nos espetáculos públicos.
E agora que a Doutrina Espírita lhe revive os ensinamentos, quantos lhe esposam o programa de educação e justiça,  de libertação moral e fraternidade pura - Já que a evolução do direito, entre os homens, não mais permite se ergam cruzes e fogueiras para os que crêem na sabedoria e no amor da providência divina - padecem calúnia e vilipêndio, sarcasmo e perseguição.
Isso, porém, acontece simplesmente porque a inflação do Espiritismo, que reverencia a Religião, ilumina a Filosofia e venera a Ciência, tanto quanto o delito de Jesus e de seus genuínos seguidores, nos primeiros três séculos do Cristianismo apostólico, é o de combater o cativeiro da ignorância e o império do vício, a sombra da mentira e o domínio da opressão, ajudando a alma do povo a sentir e a raciocinar.
Emmanuel

sábado, 18 de outubro de 2008

Autoridade em nós mesmos

Apreciando o problema daqueles que guardam no mundo as diretivas da expectativas da experiência, não te fixes nos companheiros que trazem consigo a cruz do ouro e do poder.
Recordemos a esquecida autoridade que o conhecimento superior determina seja exercida por nós em nós mesmos.
Quase sempre, ensinamos a arte do pensamento nobre, receitando exercícios e regras aos amigos que nos perlustram a senda, guardando o próprio cérebro à feição de barco desgovernado, em cujas brechas ocultas penetram as sugestões da ignorância e da sombra.
Indicamos aos outros recursos providenciais para que se mantenham indenes de todo o mal, através da pureza dos olhos e dos ouvidos, empenhando as próprias percepções à triste aventura da leviandade e do desacerto que acaba sempre na crítica indébia ou na azedia destruidora.
Estruturamos planos para a boa palavra naqueles que nos cercam, sem refreiarmos o própriop verbo no galope insensato da crueldade, indicamos a fé e a esperança para e ânimo alheio, a perder-nos no charco da negação e do derrotismo, exaltamos para ouvintes confiantes a excelência das horas, no capítulo do trabalho e da realização, mergulhando as mãos no visco da inércia e pregamos a excelsitude da caridade para os amigos que nos rodeiam, a desfazer-nos em egoísmo e exigência.
Autoridade!...Autoridade!...
Dela abusaram todos os tiranos que fizeram da própria soberbia escuro resvaladouro para as trevas da criminalidade e da morte, e, dela, ainda hoje, nos valemos todos para acobertar as próprias fraquezas, sobrecarregando os ombros do próximo com fardos que somos incapazes de suportar.
Lembremos-nos, porém, de Jesus, no sublime governo da própria alma, passando entre os homens como a suprema revelação da divina luz, e, entesouraremos suficiente humildade para entregar a Deus todos os patrimônios que nos enriquecem a vida, aprendendo a disciplinar-nos para refletir-lhe a grandeza na condição abençoada de filhos do seu amor.
Emmanuel

Paciência e Bondade

Se o orgulho é o pai de uma multidão de vícios, a caridade gera muitas virtudes. Desta derivam a paciência, a doçura, a reserva nas intenções. É fácil para o homem caridoso ser paciente e doce, perdoar as ofensas que lhe são feitas. A misericórdia é companheira da bondade. Uma alma elevada não pode conhecer o ódio, nem praticar a vingança. Ela plana acima dos mesquinhos rancores: é do alto que observa as coisas. Compreendendo que os erros dos homens são apenas o resultado de sua ignorância, não concebe nem amagor, nem ressentimento. Sabe que perdoar, esquecer os erros do próximo, é anular qualquer gérmem de inimizade, é apagar toda causa de discórdia no futuro, tanto na Terra quanto na vida do Espaço.
A caridade, a mansuetude, o perdão das injúrias tornam-nos invulneráveis, insensíveis às baixezas e às perfídias. Provocam nosso desligamento progressivo das vaidades terestre e habituam-nos a dirigir nosso olhar para as coisas que a decepção não pode atingir.
Perdoar é o dever da alma que aspira os planos elevados. Quantas vezes não tivemos nós próprios necessidade desse perdão? Quantas vezes não o pedimos? Perdoemos para que sejamos perdoados! Não poderemos obter para nós o que recusamos aos outros. Se queremos vingar-nos, que seja através de boas ações. O bem feito a quem nos ofende, desarma nosso inimigo.
Seu ódio se transforma em espanto, e seu espanto em admiração. Despertando sua consciência adormecida, essa lição pode produzir nele uma impressão profunda. Através desse meio, esclarecendo-o talvez tenhamos arrancado uma alma da pervesidade.
O único mal que se deve assinalar e cambater, é aquele que recai sobre a sociedade. Quando se apresenta sob a forma de hiprocrisia, de duplicidade, de mentira, devemos desmascará-lo, pois outras pessoas poderão sofrer por isso, mas é bom silenciar sobre o que atinge unicamente nossos interesses ou nosso amor-próprio.
Léon Denis

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Homens de fé

"Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha." Jesus, Mateus, VII:24.

Os grandes pregadores do Evangelho sempre foram interpretados à conta de expressões máximas do Cristianismo, na galeria dos tipos veneráveis da fé; entretanto, isso somente aconteceu, quando os instrumentos da verdade, efetivamente, não olvidaram a vigilância indispensável ao justo testemunho.
É interessante verificar que o Mestre destaca, entre todos os discípulos, aquele que lhe ouve os ensinamentos e os pratica. Daí se conclui que os homens de fé não são aqueles apenas palavrosos e entusiastas, mas os que são portadores igualmente da atenção e da boa-vontade, perante as lições de Jesus, examinando-lhes o conteúdo espiritual para o trabalho de aplicação no esforço diário.
Reconforta-nos assinalar que todas as criaturas em serviço no campo evangélico seguirão para as maravilhas interiores da fé. Todavia, cabe-nos salientar, em todos os tempos, o súbito valor dos homens moderados que, registrando os ensinos e avisos da Boa-nova, cuidam, desvelados, da solução de todos os problemas do dia ou da ocasião, sem permitir que suas edificações individuais se processem, longe das bases cristã imprescindíveis.
Em todos os serviços, o concurso da palavra é sagrado e indispensável, mas aprendiz algum deverá esquecer o sublime valor do silêncio, a seu tempo, na obra superior do aperfeiçoamento de si mesmo, a fim de que a ponderação se faça ouvida, dentro da própria alma, norteando-lhe os destinos.
Emmanoel

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A necessidade da consciência coletiva para a paz no Brasil

Que o amor único de Deus inspire todas as almas para o bem!
O homem caminha, busca a direção do progresso.
Por atração infinita, caminha na direção de Deus.
Nascendo simples, sem conhecimento, após longo desenvolvimento físico e, por que não dizer, espiritual, o ser, um dia, encontra-se com a própria razão. Descobre-se alguém que vem desenvolvendo intensa atividade, na construção da própria personalidade e na busca de Deus.
Observemos o nosso país, observemos esta grande, imensa terra chamada Brasil, local em que todos os seres que conhecem a Deus encontram abrigo. A despeito da descrença de alguns, a despeito da falha de muitos, a despeito do desencontro de grandes personalidades, todos aqui, ou quase todos, trazem no coração a certeza da fé e da existência de Deus.
Tomemos o nosso país: o que falta ao homem, aqui, para ser útil a sua sociedade? O que falta ao homem para ser bom? o que falta ao homem para acabar com a miséria, a pobreza, a tristeza, a angústia? Falta, justamente, a vontade coletiva, que faz com que nosso amado povo, ainda muitas vezes, não saiba conduzir-se coletivamente, embora muitos o saibam fazer individualmente.
Parece que falta ao indivíduo brasileiro a certeza de que ele faz parte de uma grande coletividade e que deve lutar para que essa coletividade seja boa; deve ser útil e capaz de colaborar na resolução dos problemas da coletividade que o envolve (...)
É preciso, caros irmãos, que uma consciência coletiva, cristã e espírita tome conta de nosso país. Será preciso que nós todos demos as mãos. Que, como espíritas, façamos valer o direito à paz, o direito ao equilíbrio, o direito ao combate ao erro, à intolerância, à inquietação. Será preciso que peçamos ao Cristo: "Senhor, ajuda-me, para que eu possa ajudar!" (...)
Se, por acaso, os filhos das trevas nos agredirem a sensibilidade, nos tornarem focos de suas agressões espirituais espontâneas, respondamos a todos eles com a nossa prece, com a nossa mensagem de paz, e digamos a cada um deles: "Sou de Jesus!"
Que a bondade e o amor de Deus e de Jesus inspirem as nossas almas para o bem!
Antônio de Aquino

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Porta Estreita

"Porfiai por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão." Jesus, Lucas, XIII:24.


Antes da reencarnação necessária ao progresso, a alma estima na "porta estreita" a sua oportunidade gloriosa nos círculos carnais.
Reconhece a necessidade do sofrimento purificador. Anseia pelo sacrifício que redime. Exalta o obstáculo que ensina. Compreende a difilculdade que enriquece a mente e não pede outra coisa que não seja a lição, nem espera senão a luz do entendimento que a elevará nos caminhos infinitos da vida.
Obtém o vaso frágil de carne, em que se mergulha para o serviço de retificação e aperfeiçoamento.
Reconquistando, porém, a oportunidade da existência terrestre, volta a procurar as "portas largas" por onde transitam as multidôes.
Fugindo à dificuldade, empenha-se pelo menor esforço.
Temendo o sacrifício, exige a vantagem pessoal.
Longe de servir aos semelhantes, reclama os serviços dos outros para si.
E, no sono doentio do passado, atravessa os campos de evolução, sem algo realizar de útil, menosprezando os compromissos assumidos.
Em geral, quase todos os homens somente acordam quando a enfermidade lhes requisita o corpo às transformações da morte.
"Ah! Se fosse possível voltar!..." - Pensam todos.
Com que aflição acariciam o desejo de tornar a viver no mundo, a fim de aprenderem a humildade, a paciência e a fé!... com que transporte de júbilo se devotariam então à felicidade dos outros!...
Mas... é tarde. Rogaram a "porta estreita" e receberam-na, entretanto, recuaram no instante do serviço justo. E porque se acomodaram muito bem nas "portas largas", volvem a integrar as fileiras ansiosas daqueles que procuram entrar, de novo, e não conseguem.
Emmanuel

Homens-Vazios

Em uma sociedade injusta, que é o fruto amargo da cultura materialista, o homem vê-se massificado, desconhecido, com a sua identidade desnaturada, sem objetivo.
Os esforços que empreende são dirigidos para metas que se caracterizam pelo imediatismo, responsável pelas necessidades comuns, sem o apoio dos ideais compensadores, que iluminam a vida e dão-lhe significado.
Acomodando-se aos padrões absorventes do cotidiano, ele sente-se comprimido pela ansiedade que o aturde, sem encontrar solução para os estados conflitivos da personalidade que o assalta.
Torna-se, em conseqüência, homem-vazio, verdadeiro espectro, que se movimenta no grupo social, que participa das atividades corriqueiras, sem que viva as emoções que dão beleza e significado à dignidade de ser senciente.
Em torno dele agrupam-se outros, que sofrem a mesma enfermidade, que mal disfarçam as suas aflições, mediante conversas que primam pela banalidade dos temas ou derrapam nas conceituações da promiscuidade moral em voga.
Quando a conversação perde o tom do agradável e útil, o comentário proveitoso e sadio, o grupo social apresenta-se enfermo, em decomposição de sentido e de propostas.
A vida inteligente emerge dos objetivos que constituem a manutenção do corpo e a continuidade das suas sensações (...)
O Homem-vazio não consegue amar, porque não aprendeu a viver esta faculdade, base do comportamento de ser livre. Adaptou-se a ser amado ou disputado, sem preocupação de retribuir.
Imaturo, antes reagia às expressões da emotividade nobre, preferindo o jogo arbitrário das sensações. Nele havia a preocupação de ser conhecido, de receber convites, de encontrar-se presente nas reuniões sociais, não que estas lhe fizessem bem, porém, por medo da solidão, de ser esquecido... Em tais reuniões, a convivência emprestava brilho ao seu ego, face à tagarelice, ao consumo de alcoólicos, ao tabagismo, que significavam status elevados.
Assim, sem identidade, o homem-vazio, é uma pessoa morta...
Viverás em conflitos íntimos e a elegerás por afinidade de propósitos e fins, começando a instalar aí e no coração "o reino de Deus", iluminado e pleno. E o farás porque terás por modelo e guia Jesus, o Homem- Luz de todos os tempos.
Joanna de Ângelis

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