sábado, 18 de outubro de 2008

Paciência e Bondade

Se o orgulho é o pai de uma multidão de vícios, a caridade gera muitas virtudes. Desta derivam a paciência, a doçura, a reserva nas intenções. É fácil para o homem caridoso ser paciente e doce, perdoar as ofensas que lhe são feitas. A misericórdia é companheira da bondade. Uma alma elevada não pode conhecer o ódio, nem praticar a vingança. Ela plana acima dos mesquinhos rancores: é do alto que observa as coisas. Compreendendo que os erros dos homens são apenas o resultado de sua ignorância, não concebe nem amagor, nem ressentimento. Sabe que perdoar, esquecer os erros do próximo, é anular qualquer gérmem de inimizade, é apagar toda causa de discórdia no futuro, tanto na Terra quanto na vida do Espaço.
A caridade, a mansuetude, o perdão das injúrias tornam-nos invulneráveis, insensíveis às baixezas e às perfídias. Provocam nosso desligamento progressivo das vaidades terestre e habituam-nos a dirigir nosso olhar para as coisas que a decepção não pode atingir.
Perdoar é o dever da alma que aspira os planos elevados. Quantas vezes não tivemos nós próprios necessidade desse perdão? Quantas vezes não o pedimos? Perdoemos para que sejamos perdoados! Não poderemos obter para nós o que recusamos aos outros. Se queremos vingar-nos, que seja através de boas ações. O bem feito a quem nos ofende, desarma nosso inimigo.
Seu ódio se transforma em espanto, e seu espanto em admiração. Despertando sua consciência adormecida, essa lição pode produzir nele uma impressão profunda. Através desse meio, esclarecendo-o talvez tenhamos arrancado uma alma da pervesidade.
O único mal que se deve assinalar e cambater, é aquele que recai sobre a sociedade. Quando se apresenta sob a forma de hiprocrisia, de duplicidade, de mentira, devemos desmascará-lo, pois outras pessoas poderão sofrer por isso, mas é bom silenciar sobre o que atinge unicamente nossos interesses ou nosso amor-próprio.
Léon Denis

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