quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

As barreiras da morte

Nossa igualdade perante a vida parece com a nossa igualdade de criação espiritual. Maturidade e esforço próprio são os únicos fatores que fazem diferença.
Ante a lei divina estamos constrangidos a determinadas obrigações para a conquista de direitos, evidentemente comuns a todos.
Na humanidade, somos grande família e tão-somente alguns homens é que estabelecem fronteiras por agentes de separação e discórdia. As verdadeiras e mais sufocantes fronteiras de um povo são os seus filhos incompreensivos.
Deus não traçou raias na costa terrestre.
Nas demarcações entre dois países, as areias das praias nunca se discriminam. As vagas do mar são móveis e idênticas onde quer que se formem. O solo prossegue por vales e montes, sem nenhuma descontinuidade.
Os rios fazem contrabandos inocentes com recursos da terra e da sementeira de ambas as margens das regiões que interligam. As raízes dos vegetais, sob as pedras de um muro, não mostram alterações. as árvores dão frutos sem saber que espécie de criatura os devora.
Comunicam-se os pássaros sem qualquer noção de limite.
Os peixes não marcam as águas em que nasceram. Os ventos, de pólo a pólo do Globo, compõem as mesmas árias.
De modo análogo, as ondas hertziana transformam-se em sons de rádio, desconhecendo balizas. As ondas luminosas alinham imagens na televisão, transcendendo divisórias geográficas.
Ainda hoje, anotamos a ansiedade com que o homem demanda quebrar as segregações lingüísticas, difundindo o Esperanto por língua internacional.
A cada instante somos defrontados por múltiplas iniciativas de troca, entre valores culturais e artísticos, de nação a nação.
Justo perceber que dia virá em que todos os marcos separatistas desapareceção; contudo, até lá, cumpre-nos derruir as fronteiras morais existentes entre nós, preparando caminho para o congraçamento integral da humanidade futura.
À vista disso, reconheçamos a oportunidade de se desfazerem as barreiras da morte que, igualmente, só existem no cérebro humano.
Esfumemos os sonhos ilusórios, acerca do mundo espiritual, para que a grande transição não venha a condensá-los em pesadelos de dor.
Quando o homem desencarna não regride desastrosamente e tampouco avança, de chofre, nas trilhas da evolução; continua a ser o que era, o que viveu, o que fez. Permanecerá, como espírito, onde já vivia como encarnado: em plano inferior, se articulava o mal; ou em esfera superior, se edificava o bem. Portanto, desde agora, trabalhai servindo, para que vos transformei amanhã em cidadãos livres da pátria espiritual.
Abel Gomes

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