sábado, 21 de fevereiro de 2009

Justiça e amor

Sempre que te reportes à justiça, repara que Deus a fez assistida pelo amor, a fim de que os caídos não sejam aniquilados.(...)


Dir-te-ão alguns não precisarem do teu consolo, fugindo-te à presença, com receio da verdade que te brilha na boca, e outros, que descreram do poder renovador do trabalho, preferem rolar no vício, descendo, mais cedo, os degraus do sepulcro.

Além deles, porém, surgem outros... Os que desanimarm em plena luta, recolhendo-se ao frio da retaguarda, os que enlouqueceram de sofrimento, os que perderam a fé por falta de vigilância, os que se transviaram à mingua de reconforto e os que se abeiram do suicídio, tomados pelo superlativo do desespero.

Tentando dar-lhes remédio, ergue o mundo penitenciárias e hospitais, reformatórios e manicômios; no entanto, para ajudá-los, confere-te o Cristo a flama do amor no santuário do coração.

Todos esses padecentes da estrada têm algo para ensinar.

Os que tomam esmagados de aflição induzem-te ao serviço pelo mundo melhor, e os que se arrojam a monstruosos delitos falam, sem palavras, em louvor do equilíbrio de que dispões, auxiliando-te a preservá-lo.

Não permitas que a justiça de tua alma caminhe sem amor, para que se não converta em garra de violência.

Ao pé dos maiores celerados da Terra, Deus colocou mães que amam, embora esse filhos desditosos de sua bênção lhes transformem a vida em fonte de lágrimas.

Diante, pois, dos vencidos de todas as condições e de todas as procedências, não mostres desprezo, nem grite anátema.

Não lhes conheces a história desde o princípio e não percebes, agora, a causa invisível da dor que os degrada.

Ora e auxilia em silêncio, porque não sabes se amanhã rairá teu instate de abatimento e de angústia, e manda a regra divina façamos aos outros aquilo que desejamos nos seja feito.

Justiça sem amor é como terra sem água.

Emmanuel

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