quarta-feira, 15 de julho de 2009

A caridade

Em oposição às religiões exclusivas que tomaram como preceito: "Fora da Igreja não há salvação", como se seu ponto de vista puramente humano pudesse decidir a sorte dos seres na vida futura, Allan Kardec coloca essas palavras no frontispício de suas obras: "Fora da caridade, não há salvação". Os espíritos nos ensinam, com efeito, que a caridade é a virtude por excelência; só ela dá a chave dos planos elevados.
"É amar os homens", repetem após o Cristo, que resumira nessas palavras todos os mandamentos da lei moral.
Mas, objetam, os homens não são muito amáveis. Muita maldade incuba-se neles e a caridade é muito difícil de se praticar com relação a eles.
Se o julgar-mos dessa forma, não será porque nos agrada considerar unicamente o lado mau dos seus carcteres, seus defeitos, suas paixões, suas fraquezas, esquecendo com muita frequência de que nós mesmos não estamos isentos, e que, se eles tem necessidade de caridade, teremos menos necessidades de indulgência?
Todavia, o mal não reina sozinho neste mundo. Há no homem também o bem, qualidades, virtudes. Há sobretudo, sofrimentos. Se queremos ser caridosos, e devemos sê-lo, em nosso próprio interesse como no interesse da ordem social, não nos prendamos, nos nossos julgamentos sobre nossos semelhantes, naquilo que pode nos levar à maledicência, à difamação, mas vejamos sobretudo no homem um companheiro de provas, um irmão de armas na luta da vida. Vejamos os males que ele suporta em todas as classes da sociedade, Quem é que não esconde uma chaga no fundo da sua alma? Quem não suporta o peso de desgostos, de amarguras? Se nos colocássemos nesse ponto de vista para considerar o próximo, nossa maledicência tranformase-ia rapidamente em simpatia.

Léon Denis

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