quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A parábola relembrada

Depois da parábola do bom samaritano, à noite, em casa de Simão, Tadeu, sinceramente interessado no assunto, rogou ao Mestre fosse mais explícito no ensinamento, e Jesus, com a espontaneidade habitual, falou:

- Um homem enfermo jazia no chão, em esgares de sofrimento, às portas de grande cidade, assistido por pequena massa popular menos esclarecida e indiferente.

"Passou por ali um moço romano de coração generoso, em seu carro, apressado, e atirou-lhe duas moedas de prata, que um rapazejo de maus costumes subtraiu às ocultas.

"Logo após, transitou pelo mesmo local um venerando escriba da Lei, que, alegando serviços prementes, prometeu enviar autoridades em benefício do mendigo anônimo.

"Quase de imediato, desfilou por ali um sacerdote que lançou ao viajante desamparado um gesto de bênção e, afirmando que o culto ao Supremo Senhor esperava por ele, exortou o povo a asilar o doente e alimentá-lo.

"Depois dele, surgiu, de relance, respeitável senhora, a quem o pobre se dirigiu em comovedora súplica; todavia, a nobre matrona, lastimando as dificuldades da sua condição de mulher, invocou o cavalheirismo masculino para aliviá-lo, como se fazia imprescindível(...)

"O doente tremia e suava de dor, rojado ao pó, quando surgiu ali velho publicano, considerado de má vida por não adorar o Senhor segundo as regras dos fariseus. Com espanto de todos, aproximou-se do infeliz, endereçou-lhe palavras de encorajamento e carinho, deu-lhe o braço, levantou-o e, sustentando-o com as próprias energias, conduziu-o a uma estalagem de confiança, fornecendo-lhe medicação adequada e dividindo com ele o reduzido dinheiro que trazia consigo. Em seguida, retomou sua jornada, seguindo tranquilamente o seu caminho".

Depois de interromper-se, ligeiramente, o Mestre perguntou ao discípulo:

- Em tua opinião, quem exerceu a caridade legítima?

- Há! sem dúvida - exclamou Tadeu, bem humorado -, embora aparentemente desprezível, foi o publicano, porquanto, além de dar o dinheiro e a palavra, deu também o sentimento, o tempo, o braço e o estímulo fraterno, utilizando, para isso, as próprias forças.

Jesus, complacente, fitou no aprendiz os olhos penetrantes e rematou:

- Então, faze tu o mesmo. A caridade, por substitutos, indiscutivelmente é honrosa e louvável, mas o bem que praticamos em sentido direto, dando de nós mesmos, é sempre o maior e o mais seguro de todos.


Autor: Neio Lúcio
Do livro: Jesus no Lar

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O talismã divino

Entabularam os familiares interessante palestra acerca das faculdades sublimes de que o Mestre dava testemunho amplo, curando loucos e cegos, quando Salomé, a zelosa genitora de João e Tiago, indagou, sem preâmbulos:

- Senhor, terás contigo algum talismã de cuja virtude possamos desfrutar? Algum objeto mágico que nos possa favorecer?

Jesus pousou na matrona de olhos penetrantes e falou, risonho:

Realmente, conheço um talismã de maravilhoso poder. Usando-lhe os milagrosos recursos, é possível iniciar a aquisição de todos os dons de nosso Pai. Oferece a descoberta de tesouros do amor que resplandecem ao redor de nós, sem que lhe vejamos, de pronto, a grandeza. Descortina o entendimento, onde a desarmonia castiga os corações. Abre a porta às revelações da Arte e da Ciência. Estende possibilidades de luminosa comunhão com as fontes divinas da vida. Convida à bênção da meditação nas coisas sagradas. Reata relações de companheiros em discordância. Discerra passagens de luz aos espíritos que se demoram nas sombras. Permite abençoadas sementeiras de alegria. Reveste-se de mil oportunidades de paz com todos. Indica vasta rede de trilhos para o trabalho salutar. Revela mil modos de enriquecer a vida que vivemos. Facilita o acesso da alma ao pensamento dos grandes mestres. Dá comunicações com os mananciais celestes da intuição.

- Que mais? - disse o Senhor, imprimindo ênfase à pergunta.

E, após complacente, continuou:

- Sem esse divino talismã, é impossível começar qualquer obra de luz e paz na Terra.

Os olhos dos ouvintes permutavam expressões de assombro, quando a esposa de Zebedeu inquiriu, espantada:

- Mestre, onde poderemos adquirir semelhante bênção? Dize-nos. Precisamos desse acumulador de felicidade.

O Cristo, então, acrescentou, bem-humorado:

- Esse bendito talismã, salomé, é propriedade comum a todos. É "a hora que estamos atravessando"... Cada minuto de nossa alma permanece revestido de prodigioso poder oculto, quando sabemos usá-lo no infinito bem, porque toda grandeza e toda decadência, toda vitória e toda ruína são iniciadas com a colaboração do dia.

E, diante da perplexidade de todos, rematou:

- O tempo é divino talismã que devemos aproveitar.


Autor: Neio Lúcio
Do livro: Jesus no Lar

domingo, 12 de dezembro de 2010

O Auxílio Mútuo

Diante dos companheiros, André leu expressivo trecho de Isaías e falou, comovido, quanto as necessidades da salvação(...)

Jesus ouvia os apóstolos em silêncio e, quando as discussões, em derredor, se enfraqueceram, comentou, muito simples:

- Em zona montanhosa, através de região deserta, caminhavam dois velhos amigos, ambos enfermos, cada qual a defender-se, quanto possível, contra os golpes do ar gelado, quando foram surpreendidos por uma criança simimorta, na estrada, ao sabor da ventania de inverno.

"Um deles fixou o singular achado e clamou, irritadiço: "- Não perderei tempo. A hora exige cuidado para comigo mesmo. Sigamos à frente.

"Outro, porém, mais piedoso, considerou:

"- Amigo, salvemos o pequenino. É nosso irmão em humanidade.

"- Não posso - disse o companheiro, endurecido -, sinto-me cansado e doente. Este desconhecido seeria um peso insuportável. Temos frio e tempestade. Precisamos ganhar a aldeia próxima sem perda de minutos.

"E avançou para diante em largas passadas.

"O viajor de bom sentimento, contudo, inclinou-se para o menino estendido, demorou-se alguns minutos colando-o paternalmente ao próprio peito e, aconchegando-o ainda mais, marchou adiante, embora menos rápido.

"A chuva gelada caiu, metódica, pela noite dentro, mas ele, sobraçando o valioso fardo, depois de muito tempo atingiu a hospedaria do povoado que buscava. Com enorme surpresaa, porém, não encontrou aí o colega que o precedera. Somente no dia imediato, depois de minuciosa procura, foi o infeliz viajante encontrado sem vida num desvão do caminho alagado.

"Seguindo à pressa e a sós, com a idéia egoística de presevar-se, não resistiu à onda de frio que se fizera violenta e tombou encharcado, sem recursos com que pudesse fazer face ao congelamento, enquanto o companheiro, recebendo, em troca, o suave calor da criança que sustentava junto do próprio coração, superou os obstáculos da noite frígida, guardando-se indene de semelhante desastre. Descobrira a sublimidade do auxílio mútuo... Ajudando ao menino abandonado, ajudara a si mesmo. Avançando com sacrifício para ser útil a outrem, conseguira triunfar dos percalços da senda, alcançando as bênçãos da salvação recíproca"(...)

Foi então que Jesus, depois de curto silêncio, concluiu expressivamente:

Ajudando, seremos ajudados. Dando, receberemos: esta é a Lei Divina.


Autor: Neio Lúcio
Do livro: Jesus no Lar

sábado, 4 de dezembro de 2010

A lição da semente

Diante da perplexidade dos ouvintes, falou Jesus, convincente:

- Em verdade, é muito difícil vencer os aflitivos cuidados da vida humana. Para onde se voltem nossos olhos, encontramos a guerra, a incompreensão, a injustiça e o sofrimento. No Templo, que é o Lar do Senhor, comparecem o orgulho e a vaidade nos ricos, o ódio e a revolta nos pobres. Nem sempre é possível trazer o coração puro e limpo, como seria de desejar, porque há espinheiros, lamaçais e serpentes que nos rodeiam. Entretanto, a idéia do Reino Divino é assim como a semente minúscula do trigo. Quase imperceptível é lançada à terra, suportando-lhe o peso e os detritos, mas, se germina, a pressão e as impurezas do solo não lhe paralisam a marcha. Atravessa o chão escuro e, embora dele retire em grande parte o próprio alimento, o seu impulso de procurar a luz de cima é dominante. Deste então, haja sol ou chuva, faça dia ou noite, trabalha sem cessar no próprio crescimento e, nessa ânsia de subir, frutifica para o bem de todos. O aprendiz que sentiu a felicidade do avivamento interior, qual ocorre à semente de trigo, observa que as longas raízes o prendem às inibições terrestres... Sabe que a maldade e a suspeita lhe rondam os passos, que a dor é ameaça constante; todavia, experimenta, acima de tudo, o impulso de ascenção e não mais consegue deter-se. (...)Sem perceber, produz frutos de esperança, bondade, amor e salvação, porque jamais recua para contar os benefícios de que se fez instrumento fiel. A visão do Pai é a preocupação obcecante que lhe vibra na alma de filho saudoso.

O Mestre silenciou por momentos e concluiu:

- Em razão disso, ainda que o discípulo guarde os pés encarcerados no lodo da Terra, o trabalho infatigável no bem, no lugar em que se encontra, é o traço indiscutível de sua elevação. Conheceremos as árvores pelos frutos e identificaremos o operário do Céu pelos serviços em que se exprime.

A essa altura, Pedro interferiu, perguntando:

- Senhor: que dizer, então, daqueles que conhecem os sagrados princípios da caridade e não os praticam?

Esboçou Jesus manifesta satisfação no olhar e elucidou:

- Estes, Simão, representam sementes que dormem, apesar de projetadas no seio dadivoso da terra. Guardam consigo preciosos valores do Céu, mas jazem inúteis por muito tempo. Estejamos, porém, convictos de que os aguaceiros e furacões passarão por elas, renovando-lhes a posição no solo, e elas germinarão, vitoriosas, um dia. Nos campos de nosso Pai, há milhões de almas assim, aguardando as tempestades renovadoras da experiência, para que se dirijam à glória do futuro. Auxiliemo-las com amor e prossigamos, por nossa vez, mirando a frente!

Em seguida, ante o silêncio de todos, Jesus abençoou a pequena assembléia familiar e partiu.

Autor: Neio Lúcio
Do livro: Jesus no Lar

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Humildade: Amor no coração

Falando das necessidades que o homem possui basicamente, Jesus nos chamou a atenção para o grande sentimento que é o amor. Não se pode ter a noção de humildade de espírito sem que tenha o amor no coração. Só podemos doar-nos, entender o nosso próximo, suas dificuldades, seu problemas, só podemos fazer aquilo que o mundo chama de quitar-se diante de uma pessoa arbitrária, só podemos trazer dentro de nós a capacidade de calar a boca, deixando que o outro fale, quando temos amor no coração. Se não for assim, o homem poderá até mesmo tornar-se submisso, mas o fará por medo, por acomodação, por desejar não enfrentar o próximo, nunca por humildade de espírito, na concepção crística.

Na concepção de Jesus, humildade de espírito passa, inegavelmente, pela noção de amor ao semelhante, somente quando somos capazes de compreender a necessidade do próximo, somente quando temos verdadeiramente condição de entender superiormente os problemas dos outros é que carregamos conosco as marcas do equilíbrio, da bondade que nos faz ter a chamada pobreza de espírito no dizer evangélico. Por aí se vê que a pobreza de espírito de que nos fala o Evangelho nada tem a ver com a classe social que o homem ocupe, mas, sim, com a noção que ele mesmo tenha da vida espiritual, da sua própria existência e do amor de Deus.

Às vezes, o indivíduo, por ser manso, por ser pacífico, é chamado de pobre de espírito, quando na realidade é apenas uma pessoa quieta. Na acepção crística, portanto, pobre de espírito é o ser que traz tanto amor no coração, que não se deixa envolver pelos sentimentos cruéis ou negativos, ou até mesmo sofredores, daquele que o procura atingir.

Pensemos nisso, meus irmãos, e elevemos os nossos pensamentos, no sagrado propósito de aprender para entender e entender para praticarmos os ensinamentos do Senhor e Mestre Jesus.


Autor: Balthazar
do livro: Pela graça infinita de Deus - Vol. 1

sábado, 27 de novembro de 2010

Influenciações Espirituais Sutis

Sempre que você experimente um estado de espírito tendente ao derrotismo, perdurando há várias horas, sem causa orgânica ou moral de destaque, avente a hipótese de uma influenciação espiritual sutil.

Seja claro consigo para auxiliar os mentores espirituais a socorrer você. Essa é a verdadeira ocasião da humildade, da prece, do passe.

Dentre os fatores que mais revelam essa condição da alma, incluem-se:

- Dificuldade de concentrar idéias em motivos otimistas;

- Ausência de ambiente íntimo para elevar os sentimentos em oração ou concentrar-se em leitura edificante;

- Indisposição inexplicável, tristeza sem razão aparente e pressentimentos de desastre imediato;

- Aborrecimentos imanifestos por não encontrar semelhantes ou assuntos sobre quem ou o que descarregá-los;

- Pessimismo sub-reptícios, irritações surdas, queixas, exageros de sensibilidade e aptidão a condenar quem não tem culpa;

- Interpretação forçada de fatos e atitudes suas ou dos outros, que você sabe não corresponder à realidade;

- Hiperomotividade ou depressão raiando na iminência de pranto;

- Ânsia de investir-se no papel de vítima ou de tomar uma posição absurda de automartírio;

- Teimosia em não aceitar, para você mesmo, que haja influenciação espiritual consigo, mas, passados minutos ou horas do acontecimento, vêm-lhe a mudança de impulsos, o arrependimento, a recomposição do tom mental e, não raro, a constatação de que é tarde para desfazer o erro consumado.

São sempre acompanhamentos discretos e eventuais por parte do desencarnado e imperceptíveis ao encarnado pela finura do processo(...)

Não se sabe o que tem causado maior dano à humanidade: se as obsessões espetaculares, individuais e coletivas, que todos percebem e ajudam a desfazer ou isolar, ou se essas meio-obsessões de quase-obsediados, despercebidas, contudo bem mais frequente, que minam as energias de uma só criatura, mas influenciando o roteiro de legiões de outras.

Quantas desavenças, separações e fracassos não surgem assim?

Estude em sua existência se nessa última quinzena você não esteve em alguma circunstância com características de influenciação espiritual sutil. Estude e ajude a você mesmo.


Autor: André Luiz
Do livro: Estude e Viva

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Humildade, a marca do Cristo

Uma das virtudes que devem conduzir a atitude do homem perante a sociedade é a humildade. Quando se fala em humildade, habitualmente se pensa num ser de cabeça baixa, de gestos pequenos e atitudes de aceitação passiva. Em verdade, o sentimento de humildade caracteriza o ser que é forte e que, por isso mesmo, não se envergonha de dobrar-se diante do mais forte e elevado espiritualmente, ou diante de circunstâncias em que não possa interferir. Outra característica do ser humilde é a certeza absoluta de que seu ato tem a sanção dada pelo próprio Cristo. - E não nos esqueçamos de que o Cristo é aquele Mestre que nos ensinou a medida do sim, sim ou não e não.

O espírita, em suas atividades, constantemente é convocado ao exercício da humildade. Trabalhador do bem, deve trazer em seu espírito as marcas do Cristo. E, por saber quais são essas marcas, as adotará nos seus atos, nos seus pensamentos, nas suas atividades. Por trazer a característica cristã, falará aos que estão ao seu lado conforme a orientação do Cristo(...)

O Cristo nos ensinou, quando se dirigiu ao jovem, em sua passagem histórica pela Palestina: "Fazei tudo o que a Lei de Deus mandar, e sereis abençoado."

Meus irmãos, o dia a dia do homem está pedindo que sejamos bons, humanos, trabalhadores, mas fiéis a Deus. O que vemos na sociedade, nos dias de hoje, com tantas quedas morais, é o resultado da falta de confiança em Deus e, também, da falta de determinação do homem em seguir os ditames da Doutrina Cristã, na sua vida diária.

É necessário que a sociedade se transforme, dizem todo; mas como essa sociedade se transformará, se nós mesmos fazemos concessões ao orgulho, à impertinência, ao desalento, à má vontade, à indolência, quando não ao desequilíbrio?

Meus caros amigos, aprendamos com Jesus como agir no cotidiano; sigamos sua orientação e não nos esqueçamos jamais de que, na medida em que formos agindo no bem, a caridade será uma marca tão característica de nossas almas, que estaremos sendo humildes, porque somos do Cristo, porque compreendemos, e como ele agimos(...)

Façamos isso, meus irmãos, e sigamos, sempre atentamente olhando para o futuro, olhando para Deus, sem medo de errar, na medida em que vamos compreendendo que ser humilde é ser do Cristo.

Que Deus nos ajude, nos abençoe e nos dê sua bendita paz!


Autor: Balthazar
Do livro: Pela graça infinita de Deus - Vol. 1

sábado, 20 de novembro de 2010

Espíritos Benfeitores

Encontrarás espíritos benfeitores que te instruirão no dever a cumprir.

Imperioso porém, compreendas que se eles te oferecem o rumo, a ti pertence a caminhada.

A luz que te amplia a visão não te furta o serviço dos pés.

Faze-te, sobretudo, instrumento deles para que em te auxiliando possam igualmente agir em auxílio de outros.

Preprara-te a ser mais útil.

Se percebeste a luz da Nova Revelação podes efetivamente estendê-la.

Serás apoiando na medida que prestes apoio.

Dá e receberás.

Aprende sem delonga que os emissários do Senhor, quanto mais perto do Senhor mais compreendem e mais amam.

Deixa que a caridade constante e ardente se te irradie do coração.

O amor e a felicidade são herança de todos os filhos de Deus, mas se o remédio é particularmente endereçado ao enfermo, a maior proteção é devida ao mais fraco.

Os enviados da providência concedem-te as bênçãos da providência, no entanto, esperam que saibas destribuí-las. Eles querem abençoar com os teus sentimentos e operar com as tuas mãos. Acolhem-te no regaço, à feição dos pais amorosos que almejam retratar-se nos filhos. Anseiam de tal modo pela edificação do reino de Deus no mundo, que se esforçam para que estejas nele, tanto quanto estão eles em ti.

À vista disso, não te digas inútil.

Melhora-te e serve.

Felicidade é troca.

Amor é fusão.

Os mensageiros divinos aspiram a permutar as forças deles com as tuas, na recíproca transfusão de ideias e esperanças, a fim de que os Céus desçam à Terra e a Terra se eleve aos Céus.


Autor: Emmanuel
Do livro: No Portal da Luz

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Bem-Aventurados os pobres de espírito

Quando Jesus reservou bem-aventurados aos pobres de espírito, não menosprezava a inteligência, nem categorizava o estudo e a habilidade por resíduos inúteis.

O Senhor, aliás, vinha enriquecer a Terra com Espírito e Vida.

O Divino Mestre, ante a dominação da iniquidade no mundo, honrava acima de tudo, a humildade, a disciplina e a tolerância.

Louvando os corações simples e sincero, exaltava ele os que se empobrecem de ignorância, os que arrojam para longe de si mesmos o manto enganoso da vaidade, os que olvidam o orgulho cristalizado, os que se afastam de caprichos tirânicos, os que se ocultam para que os outros recebam a coroa do estímulo no imediatismo da luta material, os que renunciam à felicidade própria, a fim de que a verdadeira alegria reine entre as criaturas, os que se sacrificam no altar da bondade, cultivando o silêncio e o carinho, a generosidade e a elevação, nos domínios da gentileza fraterna, para que o entendimento e a harmonia dirijam as relações comuns, no santuário doméstico ou na vida social e que se apagam, a fim de que a glória de Jesus e de seus mensageiros fulgure para os homens.

Aquele, assim, que souber fazer-se pequenino, embora seja grande pelo conhecimento e pela virtude, convertendo-se em instrumento vivo da vontade do Senhor, em todos os instantes da jornada redentora, guardando-se pobre de preguiça e egoísmo, de astúcia e maldade, será realmente o detentor das bem-aventuranças divinas, na Terra e no Reino Celestial, desde agora.

Autor: Emmanuel
Do livro: Vida e Caminho

domingo, 14 de novembro de 2010

Mensageiros Divinos

Ser-nos-á sempre fácil discernir a presença dos mensageiro divinos, ao nosso lado, pela rota do bem a que nos induzam.

Ainda mesmo que tragam consigo o fulgor solar da vida celeste, sabem acomodar-se ao nosso singelo degrau nas lides da evolução, ensinando-nos o caminho da esfera superior. E ainda mesmo se alteiem a culminâncias sublimes na ciência do Universo, ocultam a própria grandeza para guiar-nos no justo aproveitamento das possibilidades em nossas mãos.

Sem ferir-nos de leve, fazem luz em nossas almas, a fim de que vejamos as chagas de nossas deficiências, de modo a que venhamos saná-las na luta do esforço próprio.

Nunca se prevalecem da verdade para esmagar-nos em nossa condição de espíritos devedores, usando-a simplesmente como remédio dosado para enfermos, para que nos ergamos ao nível da redenção, e nem se valem da virtude que adquiriram para condenar as nossas fraquezas, empregando-a tão só na paciência incomensurável em nosso favor, de modo que a tolerância nos não desampare à frente daqueles que sofrem dificuldades de entendimento maiores que as nossas.

Se nos encontram batidos e lacerados, jamais nos aconselham qualquer desforço ou lamentação,e, sim, ajudam-nos a esquecer a crueldade e a violência, com força bastante para não cairmos na posição de quem nos insulta ou injuria, e, se nos surpreendem caluniados ou perseguidos, não nos inclinam à revolta ou desânimo, mas recompõem as nossas energias desconjuntadas, sustentando-nos na humildade e no serviço com que possamos reajustar o pensamento de quem nos apedreja ou difama.

Erigem-se na estrada por invisível apoio aos nossos desfalecimentos humanos, e aclaram-nos a fé na travessia das dores que fizemos por merecer.

São rosas no espinheiral de nossas imperfeições, perfumando-nos a agressividade com bálsamo da indulgência, e estrelas que brilham na noite de nossas faltas, acenando-nos com a confiança no esplendor do crime.

E, sobretudo, diante de toda a ofensa, levantam-nos a fronte para o justo dos justos que expirou no madeiro, por resistir ao mal em suprema renúncia, entre a glória do amor e a bênção do perdão.


Autor: Emmanuel
Do livro: Religião dos Espíritos

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Sinal do Cristo

Não te constranjam as próprias limitações, no serviço de amor cristão a que te entregas.

Prossegue no roteiro do bem, felicitando o próximo, embora estejas sedento enquanto distribuis a linfa. A contribuição que nasce no suor e nas lágrimas, carrega o sinal que a legitima.

Muitos companheiros apontarão suas falhas, procurando inibir o verbo que colocas à disposição da Boa Nova. No entanto, continua! Sabes que, no momento oportuno, terás os lábios selados e em silêncio, pelo Senhor, quando lhe aprouver.

Não faltarão vozes que te apresentarão a pobreza moral que deprime, enquanto ajudas outros, que caíram, a soerguerem-se. Persevera, convicto de que, no justo momento, o Senhor paralisará os teus braços, quando queira.

Estarão no caminho aqueles que te conhecem as imperfeições, não admitindo que te transformes em vanguardeiro do sublime ideal que apregoas. Todavia, tens a certeza de que, no tempo devido, o Senhor dispõe de recursos para retirar-se de cena, quando deseje.

Segue, portanto, a reta estrada da Fé, trabalhando na caridade sem fronteira.

Reconhece os próprios defeitos, mas não te detenhas neles.

Só as plantas parasitas se nutrem das árvores mortas, tranquilamente.

Jesus é vida, e Doutrina Cristã é ação.

Vai adiante!

Trabalha pelo bem e em teu próprio bem.

Não ofereças a concha dos teus ouvidos ao veneno da maldade alheia. São doentes, todos os acusadores, que se detêm em enfermidades graves.(...)

Os que estão à margem, somente enxergam um trecho do caminho. Em razão disso, não merecem a consideração da tua agonia.

Deixa-os, onde se comprazem, amolecidos e enfermos.

Segue além! Mesmo sabedor das limitações íntimas, rememora que, sedento algum jamais inquiriu as qualidades morais de quem oferece um copo de água fresca.

Ninguém perguntará, também, quem és ou donde vens, mas o que tens para dar em nome de Jesus, como sinal de que ele está contigo e tu, com ele.

E, ligado ao Espírito de Cristo, no amor da caridade, acende luzes na noite das almas até o momento em que a luz dele fulgure em ti, abrasando todo s teu ser e queimando todas as tuas iniquidades.

Autor: Joanna de Ângelis
Do livro: Messe de Amor

domingo, 31 de outubro de 2010

Em favor dos desencarnados

Não te encerres no passado, com a suposição de honrar a vida. Cada tempo da criatura na Terra se caracteriza por determinada grandeza, que não será lícito falsear. A infância tem a suavidade da semente que germina; a juventude guarda o encanto da flor que desabrocha e a madureza apresenta a glória tranquila da árvore frutescente.

Não julgues que ames a alguém sem que lhe compreendas as necessidades de cada período da existência. A isso nos reportamos a fim de que ajudes positivamente aos seres queridos que te precederam na grande romagem da desencarnação. Sem dúvida, agradecem eles o carinho com que lhes conservas o retrato da forma física ultrapassada; contudo, ser-te-ão muito mais reconhecidos sempre que lhes reconstituas a presença através de algum ato de bondade a favor de alguém, cuja memória agradecida lhes recorde o semblante em momentos de alegria e amor, que nem sempre no mundo puderam cultivar. Decerto, sensibilizam-se ante a flor que lhes ofertas às cinzas, mas se regozijam muito mais com o socorro que faças a quem sofre, doado em nome deles, pelo qual se sentem mais atuantes e mais vivos, junto daqueles que ficaram...

Quando mentalizes os supostos desaparecidos na voragem da morte, pensa neles do ponto de vista da imortalidade e do progresso. Um coração materno tem o direito de guardar por relíquias as roupas enfeitadas e curtas dos filhinhos que acalentou no berço, mas seria loucura impor-lhes a obrigação de usá-las, depois de homens feitos, sob o pretexto de que somente assim lhe retribuirão devotamento e ternura.

Reverencia aqueles que partiram na direção da vida maior, mas converte saudade e pesar em esperança e serviço ao próximo, trabalhando com eles e por eles, em termos de confiança e reconforto, bondade e união, porquanto eles todos, acima de tudo, são companheiros renovados e ativos, aos quais fatalmente, um dia, te reunirás.


Autor: Emmanuel
Do livro: Encontro Marcado

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Paciência

Se o orgulho é o pai de uma multidão de vícios, a caridade gera muitas virtudes. Desta derivam a paciência, a doçura, a reserva nas intenções. É fácil para o homem caridoso ser paciente e doce, perdoar as ofensas que lhe são feitas. A misericórdia é companheira da bondade. Uma alma elevada não pode conhecer o ódio, nem praticar a vingança. Ela plana acima dos mesquinhos rancores: é do alto que se observa as coisas. Compreendendo que os erros dos homens são apenas o resultado de sua ignorância, não concebe nem amargor, nem ressentimento. Sabe que perdoar, esquecer os erros do próximo, é anular qualquer gérmen de inimizade, é apagar toda causa de discórdia no futuro, tanto na Terra quanto na vida do espaço.

A caridade, a mansuetude, o perdão das injúrias tornam-nos invulneráveis, insensíveis às baixezas e as perfídias. Provocam nosso desligamento progressivo das vaidades terrestres e habituam-nos a dirigir noso olhar para as coisas que a decepção não pode atingir.

Perdoar é o dever da alma que aspira os planos elevados. Quantas vezes não tivemos nós próprios necessidadede desse perdão? Quantas vezes não o pedimos? Perdoemos para que sejamos perdoados! Não poderemos obter para nós o que recusamos aos outros. Se queremos vingar-nos, que seja através de boas ações. O bem feito a quem nos ofende, desarma nosso inimigo. Seu ódio se transforma em espanto, e seu espanto em admiração. Despertando sua consciência adormecida. Essa lição pode produzir nele uma impressão profunda. Através desse meio, esclarecendo-o, talvez tenhamos arrancado uma alma da pervesidade.

O único mal que se deve assinalar e combater, é aquele que recai sobre a sociedade. Quanto se apresenta sob a forma de hiprocrisia, de duplicidade, de mentira, devemos desmascará-lo, pois outras pessoas poderão sofrer por isso, mas é bom silenciar sobre o que atinge unicamente nossos interesses ou nosso amor-próprio.


Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Aceitemos a dor

Aceitemos realmente a dor na condição de apoio celeste com que a divina providência nos enriquece o caminho.

Toda a Natureza para ajudar a experiência do homem, alimentando-o e amparando-o, padece constantes dilacerações.

Para transformar-se em sementeira proveitosa, morre o grão esquecido no solo.

Para converter-se a espiga em farinha, humilha-se, asfixiada, sob a mó que a tritura.

Para dar-se em pão abençoado à mesa, submete-se a farinha à elevada tensão do forno.

Para servir no levantamento do edifício, sofre a pedra a pressão do martelo.

Para oferecer-se em beleza e brilho, obedece o seixo bruto ao buril que o aprimora.

Para responder às necessidades do conforto, desce o tronco aos insultos da lâmina.

Para contribuir no progresso, encontra o metal as injúrias do fogo.

A responsabilidade na oficina do caráter, é luz que engrandece todo espírito que lhe arende as obrigações.

Não lamentes a dificuldade e nem amaldiçoes o sofrimento que porventura te busquem.

Não temas a dor, na escola da vida, e recolhe, em silêncio, as bênçãos de que se faz emissária.

Não te enganes com as aparências.

Quando te vejas no usufruto dessa ou daquela promoção, atento às circunstâncias do mundo, às imposições dos que te cercam ou ás convenções em que a existência se te condiciona, escolhe a ssenda da abnegação, em auxílio aos outros, porque o Senhor nos ensinou, em espírito e verdade, que somente a preço do esforço máximo pela vitória do bem com o esquecimento de todo egoísmo, é que escalaremos o monte da paz com a nossa própria renovação.

Autor: Emmanuel
Do livro: Nascer e renascer

domingo, 24 de outubro de 2010

Amparo Espiritual

Amparo Espiritual
No plano físico, onde apareça a cultura social, multiplicam-se dispositivos de segurança contra desastres.

Isso, porém, deve igualmente ocorrer no reino da alma.

Se já acordaste para o conhecimento superior, caminhas à frente com a função de guiar.

Convence-te de que quanto mais se te amplie o aperfeiçoamento íntimo, mais dilatado o número dos olhos e ouvidos que te procuram ver e escutar, de vez que todos aqueles que se afinam contigo, em subalternidade espiritual, passam, mecanicamente, à condição de aprendizes que te observam.

Não te descuides, pois, do amparo aos que te acompanham no educandário da vida, entendendo-se que existem quedas de pensamento determinando lamentáveis acidentes de espírito.

Em toda situação, seleciona palavras e atitudes que possam efetivamente ajudar.

Antes as falhas alheias, não procedas irrefletidamente, censurando ou aprovando isso ou aquilo, sem análise justa, a pretexto de assegurar harmonia, mas define-te com bondade, providenciando corretivos aconselháveis, sem alarde e sem aspereza.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Resignação na Adversidade

Consolem-se, pois, todos vocês, ignorados, que sofrem na sombra de males cruéis, e vocês que são desprezados pela sua ignorância e suas faculdades restritas. Aprendam que entre vocês, encontram-se grandes espíritos, que quiseram renascer ignorantes para humilharem-se, abandonando por um tempo suas faculdades brilhantes, suas atitudes, seus talentos. Muitas inteligências são veladas pela expiação; mas, com a morte, esses véus caem, e aqueles que desdenhávamos pelo seu pouco saber, eclipsarão os orgulhosos que os repudiavam. É preciso não desprezar a ninguém. Sob aparências humildes e medíocres e até entre os idiotas e os loucos, grandes espíritos ocultos na carne expiam um passado terrível.

Oh! vidas humildes e dolorosas, temperadas com lágrimas, santificadas pelo dever, vidas de lutas e de renúncia, existências de sacrifício pela família, pelos fracos,os pequenos; devotamentos desconhecidos, abnegações ignoradas, mais meritórias que os devotamentos célebres, vocês são outras tantas escadas que conduzem a alma à felicidade! É a vocês, é aos obstáculos, às humilhações das quais estão semeadas que ela deve sua pureza, sua força, sua grandeza. Com efeito, somente nas angústias de cada dia, nas imolações impostas, ensinam-lhe a paciência, a resolução, a constância, toda a sublimidade da virtude, e ela deverá a vocês a auréola esplêndida, prometida no espaço para a fronte daqueles que sofreram, lutaram e venceram.


Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte

Cristãos sem Cristo

"Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados que eu vos aliviarei." - Jesus - Mateus, 11:28.

Reverencia o Divino Mestre, com todas as forças da alma, entretanto, não menosprezes honrá-lo na pessoa dos semelhantes.

Guarda-lhe as memórias entre flores de carinho, mas estende os braços aos que clamam por ele, entre os espinhos da aflição.

Esculpe-lhes as reminiscências nas obras-primas da estatuária, sem qualquer intuito de idolatria, satisfazendo aos ideais de perfeição que a beleza te arranca aos sonhos de arte, no entanto, socorre, pensando nele, aos que passam diante de ti, retalhados pelo cinzel oculto do sofrimento.

Imagina-lhe o semblante aureolado de amor, ao fixá-lo nas telas em que se te corporifiquem os anseios de luz, mas suaviza o infortúnio dos que esperam por ele, nos quadros vivos da angústia humana.

Proclama-lhe a glória imperecedoura no verbo eloquente, mas deixa que a sinceridade e a brandura te brilhem na boca, asserenando, em seu nome, os corações atormentados que duvidam e se pertubam entre as sombras da Terra.

Grave-lhe os ensinamentos inesquecíveis, movimentando a pena que te configura as luminosas inspirações, no entanto, assinalada as diretrizes dele com energia renovadora dos teus próprios exemplos.

Dedica-lhe os cânticos de fidelidade e louvor que te nascem da gratidão, mas ouve os apelos dos que jazem detidos nas trevas, suplicando-lhes liberdade e esperança.

Busca-lhe a presença, no culto da prece, rogando-lhe apoio e consolação, no entanto, oferece-lhe mãos operosas no auxílio aos que varam o escuro labirinto da agonia moral, para os quais essa ou aquela ninharia de tuas facilidades constitui novo estímulo à paciência.

Através de numerosas reencarnações, temos sido cristãos sem Cristo(...)

Agora que a Doutrina Espírita no-lo revela por mentor claro e direto da alma, ensinando-nos a responsabilidade de viver, é imperioso saibamos dignificá-lo na própria consciência, acima de quaisquer demonstrações exteriores, procurando refleti-lo em nós mesmos. Entretanto, para que isso aconteça, é preciso, antes de tudo, matricular o raciocínio na escola da caridade, que será sempre a mestra sublime do coração.


Autor: Emmanuel
Do livro: Livro da Esperança

sábado, 9 de outubro de 2010

Ânimo sempre

Trazemos a todos uma palavra de encorajamento, para que ninguém desista de lutar, de trabalhar no bem, de vencer o mal que teima em permanecer junto aos nossos corações humanos.

Tu que lutas, que sofres; tu que trabalhas não te esqueças: estás amparado por Deus e por Jesus. Se por acaso as dificuldades e os problemas forem tão grandes que te pareçam insuperáveis, recorda-te sempre da bondade de Deus, que vela por todos nós. Não te deixes abater nem te deixes amorfinar! Deus é o Pai, e as lutas hão de encontrar fim um dia.


Diante de homens que agem de modo inconsiderado e diante das nações que agem altaneiras sobre outras nações, dominando-as e tomando-lhes à força as riquezas, não esqueçam: tudo passa, tudo segue. Os homens já se pertubaram muito e passaram também. Aqueles outros que souberam permanecer venceram, superaram, caminharam na direção do bem permanente.

Que todos nós que estamos aqui, envolvidos nas tarefas do estudo e da paz, não nos esqueçamos de que tudo passa, menos Deus.

Que ele nos ajude, abençoe e fortaleça, e que dê a todos a confiança, a certeza de que o bem será feito, a despeito de todos os gestos contrários!

Que Deus fique conosco, agora e sempre!


Autor: Hermann
Do Livro: Palavras do Coração, vol 2

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Assim falou Jesus

Disse o Mestre: "buscai e achareis".

Mesmo nos céus, você pode fixar a atenção na sombra da nuvem ou no brilho da estrela.

Afirmou o Senhor: "cada árvore é conhecida pelos frutos".

Alimentar-se com laranja ou intoxicar-se com pimenta é problema seu.

Proclamou o Cristo: "orai e vigiai para não entrades em tentação, porque o espírito, em verdade, está pronto, mas a carne é fraca".

O espírito é o futuro e a vitória final, mas a carne é o nosso próprio passado, repleto de compromissos e tentações.

Ensinou o Mestre Divino: "não condeneis e não sereis condenados".

Não critique o próximo, para que o próximo não critique você.

Falou Jesus: "quem se proponha conservar a própria vida, perdê-la-á".

Quando o arado descansa, além do tempo justo, encontra a ferrugem que o desgasta.

Disse o Mestre: "não vale para o homem ganhar o mundo inteiro, se perder sua alma".

A criatura faminta de posses e riquezas materiais, sem trabalho e sem proveito, assemelha-se, de algum modo, a pulga que desejasse um cão para si só.

Afirmou o Senhor: "não é o que entra pela boca que contamina o espírito".

A pessoa de juízo são, come o razoável para rendimento da vida, mas os louco ingerem substâncias desnecessárias para rendimento da morte.

Ensinou o Mentor divino: "andai enquanto tendes luz".

O corpo é a máquina para a viagem do progresso e todo relaxamento corre por conta do maquinista.

Proclamou o Cristo: "orai pelos que vos perseguem e caluniam".

Interessar-se pelo material dos caluniadores é o mesmo que se adornar você, deliberadamente, com uma lata de lixo.

Falou Jesus: "a cada um será concedido segundo as próprias obras".

Não se preocupe com os outros, a não ser para ajudá-los; pois a Lei de Deus não conhece você pelo que você observa, mas simplesmente através daquilo que você faz.

Autor: André Luiz
do livro: O Espírito da Verdade

A prece

A prece é o pensamento voltado para o bem, o fio luminoso que prende os mundos obscuros aos mundos divinos, os espíritos encarnados às almas livres e radiosas. Desdenhá-la é desdenhar a única força que nos arranca do conflito das paixões e dos interesses, transporta-nos acima das coisas que se transformam e nos une ao que é fixo, permanente, imutável no Universo.

Ao invés de repelir a prece, em virtude dos abusos dos quais foi objeto, não seria melhor utilizá-la com sabedoria e equilíbrio? ao final de cada dia, antes de nos abandonarmos ao repouso, voltemos para nós mesmos, examinemos com cuidado nossas ações. Saibamos condenar as más, a fim de evitar-lhe o retorno, e aplaudamos tudo o que fizemos de útil e de bom. Peçamos à suprema sabedoria para nos ajudar a realizar em nós e em torno de nós a beleza moral e perfeita. Longe da Terra, elevemos nossos pensamentos. Que nossa alma atire-se, alegre e amável, para o eterno! Ele descerá novamente dessas alturas com tesouros de paciência e de coragem, que tornar-lhe-ão fáceis o cumprimento de seus deveres, sua tarefa de aperfeiçoamento.

Se, na sua impotência para exprimir nossos sentimentos, precisamos absolutamente de um texto, uma fórmula, digamos:

"Meu Deus, tu que és grande, tu que és tudo, deixa cair sobre mim, pequeno, sobre mim que só existo porque tu o quiseste, um raio de luz. Faz com que, invadido pelo teu amor, eu ache o bem fácil, o mal odioso; que animado pelo desejo de agradar-te, meu espirito supre os obstáculos que se opõem ao triunfo da verdade sobre o erro, da fraternidade sobre o egoísmo; faz com que, em cada companheiro de provação, eu veja um irmão, como tu vês um filho em cada um dos seres que emanam de ti e devem retornar a ti. Dá-me o amor pelo trabalho, que é o dever de todos na Terra, e, com ajuda da tocha que colocaste ao meu alcance, esclarece-me sobre as imperfeições que retardam meu adiantamento nessa vida e na outra."


Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Em permanente sintonia

Muitos gostariam que o programa de ascenção fosse de fácil vencimento.

Alguns cristãos de fé renovada supõem que a elevação é tarefa de um dia e para tanto se empolgam na eleboração de roteiros precipitados, como se o triunfo fosse resultante de um só golpe(...)

Não faltam aqueles que aderem às correntes de fé, como se estivessem fugindo aos compromissos redentores, na ansiedade de receberem graças e dons, que se encontram distante de merecer(...)

Persevera tu. Cristifica-te na senda iluminativa de instante a instante.

Jesus galgou o acume do Tabor para orar demoradamente por uma noite inteira, a fim de resplandecer alvinitente na madrugada de ouro diante dos vultos venerandos da raça na qual se apresentou na carne! Depois desceu aos homens para atender ao tumulto dos sofredores, nas valas redentoras da escola física,

Diária e constantemente os Espíritos Excelsos descem esperando que os homens subam até eles. Essa mesma lição eloquente no-la deu o Senhor, subindo para se encontrar com os seus tutelados, depois descendo a ensinar silenciosamente a execução do verbo amar na prática da solidariedade.

Estevão, antes de cantar a melodia rutilante da boa-nova, meditou, enquanto a enfermidade o minava, na enxerga humílima da Casa do Caminho, para se tornar depois o herói do verbo santo.

Paulo, antes de entoar a sinfonia clarificadora do Evangelho, fez um exame acurado de si mesmo em três longos anos de meditação no deserto, para sacudir, mais tarde, com o seu verbo flamívomo, os alicerces do velho mundo e tornar-se arauto da verdade(...)

E allan Kardec, o mensageiro do Consolador, acurou meditações e laborou infatigável até o momento de fazer rutilar as gemas preciosas da Doutrina Espírita, que depositou na cabeça da humanidade como coroa de jóias coruscantes e invulgares...

Galga, servidor do Cristo, a montanha das dificuldades ou das pelejas e ora demoradamente no planalto da fé, até que os corifeus da verdade te clarifiquem a alma, impulsionando-te à descida para a luta de todos os dias, em sintonia permanente com Deus.

Autor: Joanna de Ângelis
Do livro: Lampadário Espírita

sábado, 25 de setembro de 2010

A providência

A providência, é o espírito superior, é o anjo que vela sobre o infortúnio, é o consolador invisível, cujos fluidos vivificantes sustentam os corações acabrunhados; é o farol aceso na noite para a salvação daqueles que erram no mar tempestuoso da vida. A providência, é ainda, e sobretudo, o amor divino derramando-se em abundância sobre a criatura. E que solicitude, que previdência nesse amor! Não é apenas para a alma, para servir de moldura à sua vida, de teatro para os seus progressos, que ela dependurou os mundos no espaço, acendeu os sóis, formou os continentes e os mares? Somente para a alma, essa grande obra efetua-se, as forças naturais se combinam, os universos eclodem no seio das nebulosas.

A alma é criada para a felicidade; mas essa felicidade, para apreciá-la no seu valor, para conhecer-lhe o preço, deve ela própria conquistá-la e, para isso, desenvolver livremente as potências que nela estão. Sua liberdade de ação e sua responsabilidade aumentam com sua elevação; pois, quanto mais se esclarece, mais pode e deve conformar o jogo de suas forças pessoais às leis que regem o Universo.

Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da morte

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Ante o sofrimento

A problemática dos sofrimentos humanos encontra, na reencarnação, a resposta mais eficaz e a solução legítima, a fim de equacioná-la.

Sendo o espírito herdeiro de si mesmo, em cada etapa do caminho evolutivo consegue resgatar débitos pretéritos ou adicionar experiências com que se credencia a maiores voos na direção da sublimação, que é o fanal de todos nós.

Enquanto jaz ergastulado nas limitações a que se vincula, padece as constrições naturais da própria insipiência, começando em círculo vicioso as conquistas que não lobriga legitimar.

Representando a morte física mudança de estado vibratório, o espírito transfere de uma para outra existência os labores nos quais malogrou ou em que não conseguiu necessariamente concluir a tarefa iniciada.

Não cessa a jornada redentora...

O que agora não se consegue, posteriormente se realiza.

A vida são as contínuas e sucessivas etapas reencarnatórias, em cujo curso cada um é o arquiteto do próprio destino, construtor da desgraça ou da felicidade que todos buscamos.(...)

O que hoje se configura difícil, logo mais ressurge na condição de possibilidade que lhe compete utilizar para a materialização dos objetivos elevados que persegue.(...)

Transforma-se a lagarta em borboleta voejante no ar, e a bolota esmagada no subsolo liberta o carvalho que está miniaturizado na intimidade do seu bojo.

Também o ser imortal...

Logo se desatrelam os liames carnais, o ser imperecível - o espírito - retorna ao seio da vida donde proveio e se integra na paisagem a que pertence: a erraticidade!

Se conseguiu vencer as paixões e os gravames que o maceravam, paira acima e além das vicissitudes.

Se, no entanto, transformou a bênção do corpo em compromisso negativo com a retaguarda, retorna a novo corpo sob a constrição do sofrimento ou da amargura, em clima de sombra ou desesperação para resgatar e crescer.

Jesus, o incomparável herói da renúncia, lecionando a ética libertadora e básica para a legítima felicidade, sintetizou no amor as mais altas aspirações a que nos devemos permitir, como método de construir a felicidade em nós e em torno de nós, sem mácula, sem necessidade de novos recomeços, porquanto, no amor, síntese da vida, estão os semes da misericórdia de Deus, base de todas as coisas...

... E amou de tal forma, que deu a Sua pela nossa vida, como a dizer que a verdadeira felicidade consiste, sim, em amar, porque somente quando se ama se consegue a real plenitude, longe de quaisquer sofrimentos e desditas.

Autor: Joanna de Ângelis
Do livro: Celeiro de Bênçãos

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Estados da Alma

Essa melancolia profunda que chega, sorrateira, e se enraíza no coração, é saudade de regiões mais felizes, onde a dor não mais tem razão de ser, e o espírito aspira por ali viver. Imanado ao corpo, como se estivesse encarcerado em cela estreita, as forças lhe diminuem, fazendo-o cair em abatimento.

Essa tristeza inexplicável, que derrama sombras nas paisagens íntimas, resulta, algumas vezes, de recordações de fatos ditosos, ora distantes, que parecem não mais se repetirão. O espírito, sentindo-se impedido de fugir das algemas carnais, entorpece-se e tomba em desânimo.

Esse desencanto insistente, que tira a coragem de lutar e leva à depressão, provém da consciência do degredo que o espírito experimenta, na Terra, longe dos afetos e da paz que não consegue reencontrar. Sabendo-se em situação penosa, de provação necessária, receia não conquistar a liberdade para voar...

Tais acontecimentos podem tornar a existência mais amarga, extenuando o ser em luta, que lentamente se entrega e exaure.

Há outros motivos de deperecimento emocional, que resultam dos problemas naturais da atual existência, contribuindo para a infelicidade, especialmente quando considerada do ponto de vista imediato.

Surgem, assim, distúrbios psicossociais, desajustamentos emocionais, pertubações orgânicas.

O corpo experimenta essas influências e, às vezes, arruína os equipamentos vitais, ameaçados de desarranjos graves quão funestos.

Resiste com todo o vigor aos variados estados da alma.

Eles terminarão, se perseveram, rompendo as forças da tua bontade e dos elos que mantêm o espírito ligado ao corpo.

Recorda-te de que, após a noite, esplende, luminoso, o dia, como a enfermidade sucede a saúde benfazeja.

É natural que aneles por mais largas conquistas.

Para isso, aqui estás, em luta contínua, ao lado de outros espíritos também necessitados, a fim de que evoluam, qual ocorre contigo mesmo.

Quando concluídas as tuas provações, que deves enfrentar com resolução, liberarás, ditoso, nesses lugares de plenitude, que nos aguardam após as necessárias aflições terrenas.


Autor: Joanna de Ângelis
Do livro: Luz da Esperança

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A questão social e a mulher

A questão social não abarca somente as relações das classes entre si; ela concerne também à mulher de todas as classes, à mulher, essa grande sacrificada, à qual seria justo dar, com o exercício de seus direitos naturais, uma situação digna dela, se quisermos ver a família mais forte, com mais moral e mais unida. A mulher é a alma do lar, é ela que representa os elementos de doçura e de paz na humanidade. Libertada do julgo da superstição, se pudesse fazer ouvir sua voz no conselho dos povos, se sua parte de influência pudesse se fazer sentir, veríamos logo desaparecer o flagelo da guerra.

A filosofia dos espíritos, ensinando que o corpo é a forma de empréstimo e que o princípio da vida está na alma, estabelece a igualdade do homem e da mulher do ponto de vista dos méritos e dos direitos. Os espíritos reservam para a mulher uma grande parte nas suas reuniões e seus trabalhos. Ela aí ocupa mesmo uma situação preponderante, pois é ela que fornece os melhores médiuns, a delicadeza de seu sistema nervoso tornando-a mais apta para preencher esse papel.

Os espíritos afirmam que encarnando-se de preferência no sexo feminino, a alma eleva-se mais rapidamente de vidas para a perfeição. É que a mulher adquire mais facilmente essas virtudes soberanas: a paciência, a doçura, a bondade. Se a razão parece dominar no homem, nela o coração é mais vasto e mais profundo.

A situação da mulher na sociedade é geralmente mais apagada; ela é frequentemente escrava; por isso, é mais elevada na vida espiritual; pois quanto mais um ser é humilhado, sacrificado neste mundo, mais mérito tem diante da eterna justiça; mas seria absurdo tirar pretexto dos gozos futuros para perpetuar as iniquidades sociais. Nosso dever é trabalhar, na medida de nossas forças, para a realização na Terra dos desígnios da providência. Ora, a educação e o engrandecimento da mulher, a extinção do pauperismo, da ignorância e da guerra, a fusão das classes na solidariedade, a organização do globo, todas essas reformas fazem parte do plano divino, que não é outro senão a própria lei do progresso.

Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da morte

domingo, 5 de setembro de 2010

Deus é o supremo juíz

O homem sempre se julgou o senhor da própria vida e, por um delírio, julga-se senhor da vida do próximo também. Bastaria que ele refletisse melhor sobre isso, para entender que é um direito falso o de dispor da vida do seu próximo ou mesmo pôr termo às suas lutas.

Ao espiritista, este assunto é de profundo interesse, pois muitas vezes, embora não se declare formalmente que o próximo deva desencarnar, encontramos criatura, mesmo que no meio espírita, que julgam ser o momento adequado para que este ou aquele companheiro pare de sofrer.

A Lei de Deus, entretanto, ignora tais apelos e faz prosseguir sua justiça junto àqueles que sofrem, e sofrem porque procuram resgatar suas dívidas de outras vidas.

Concebamos, na nossa existência, que cada um de nós passa adequadamente pelas lutas e pelos sofrimentos de que precisa. Busquemos aliviar, busquemos cooperar, busquemos ensinar, busquemos ajudar e estimular, mas sempre guardemos no coração a certeza absoluta de que Deus é o supremos juiz para decidir sobre a continuidade ou não das lutas de cada um.

Que, de nossa parte, saibamos respeitar a Lei de Deus, para que amanhã não venhamos a chorar por tê-la desrespeitado.

Que Deus a todos nos ajude, abençoe e conduza, hoje e sempre!

Muita paz!


Autor: Hermann
Do livro: Palavras do coração, Volume 2

Perante os sonhos

Encarar com naturalidade os sonhos que possam surgir durante o descanso físico, sem preocupar-se aflitivamente com quaisquer fatos ou idéias que se reportem a eles.

Há mais sonhos na vigília que nosso sono natural.

Extrai sempre os objetivos edificantes desse ou daquele painel entrevisto em sonho.

Em tudo há sempre uma lição.

Repudiar as intrerpretações superticiosas que pretendam correlacionar os sonhos com jogos de azar e acontecimentos mundanos, gastando preciosos recursos e oportunidades da existência em preocupação viciosa e fútil.

Objetivos elevados, tempo aproveitado.

Acautelar-se quanto às comunicações inter vivos, no sonho vulgar, pois, conquanto o fenômeno seja real, a sua autenticidade é bastante rara.

O espírito encarnado é tanto mais livre no corpo denso, quanto mais escravo se mostre aos deveres que a vida lhe preceitua.

Não se prender demasiadamente aos sonhos de que se recorde ou às narrativas oníricas de que se faça ouvinte, para não descer ao terreno baldio da extravagância.

A lógica e o bom senso devem presidir a todo raciocínio.

Preparar um sono tranquilo pela consciência pacificada nas boas obras, acendendo a luz da oração, antes de entregar-se ao repouso normal.

A inércia do corpo não é calma para o espírito aprisionado à tensão.

Admitir os diversos tipos de sonhos, sabendo, porém, que a grande maioria deles se originam de reflexos psicológicos ou transformações relativas ao próprio campo orgânico.

O espírito encarnado e o corpo que o serve respiram em regime de reciprocidade no meio das vibrações.


Autor: André Luiz
Do livro: Conduta espírita

O estudo

A maioria dos homens diz amar o estudo e objeta que lhe falta tempo para isso dedicar. Entretanto, muitos dentre eles, consagram noites inteiras ao jogo, às conversações ociosas. Replica-se, também, que os livros custam caro, e, entretanto, despende-se em prazeres fúteis e de mau gosto mas dinheiro do que seria necessário para se compor uma rica coleção de obras. E, além disso, o estudo da Natureza, o mais eficaz, o mais reconfortante de todos, não custa nada.

A ciência humana é falível e variável. A Natureza, não. Ela não se desmente nunca. Nas horas de incerteza e de desencorajamento, voltemo-nos para ela. Como uma mãe, acolhernos-á, sorrirá para nós, embalar-nos-á em seu seio. Ela nos falará numa linguagem simples e terna, da qual a verdade surgirá sem disfarce, sem afetações; mas essa linguagem pacífica, bem poucos sabem ouvi-la, compreendê-la. O homem traz consigo, no mais íntimo de seu ser, suas paixões, suas agitações internas, cujos ruídos abafam o ensino íntimo da Natureza. Para discernir a revelação imanente no seio das coisas, é preciso impor silêncio às quimeras do mundo, a essas opniões turbulentas que pertubam nossas sociedades; é preciso recolher-se, fazer a paz em si e em torno de si. Então, todos os ecos da vida pública se calam; a alma volta para si mesma, retorna o sentimento da Natureza, ds leis eternas, e comunica-se com a razão suprema.


Autor: Léon Denis
Do livro:Depois da Morte

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Afinidade

O homem permanece envolto em largo oceano de pensamentos, nutrindo-se de substância mental, em grande proporção.

Toda criatura absorve, sem perceber, a influência alheia nos recursos imponderáveis que lhe equilibram a existência.

Em forma de impulsos e estímulos, a alma recolhe, nos pensamentos que atrai, as forças de sustentação que lhe garantem as tarefas no lugar em que se coloca.

O homem poderá estender muito longe o raio de suas próprias realizações, na ordem material do mundo, mas, sem a energia mental na base de suas manifestações, efetivamente nada conseguirá.

Sem os raios vivos e diferenciados dessa força, os valores evolutivos dormiriam latentes, em todas as direções.

A mente, em qualquer plano, emite e recebe, dá e recolhe, renovando-se constantemente para o alto destino que lhe compete atingir.

Estamos assimilando correntes mentais, de maneira permanente.

De modo imperceptível, “ingerimos pensamentos,” a cada instante, projetando, em torno de nossa individualidade, as forças que acalentamos em nós mesmos(...)

Princípios idênticos regem as nossas relações uns com os outros, encarnados e desencarnados.

Conversações alimentam conversações.

Pensamentos ampliam pensamentos.

Demoramo-nos com quem se afina conosco.

Falamos sempre ou sempre agimos pelo grupo de espíritos a que nos ligamos.

Nossa inspiração está filiada ao conjunto dos que sentem como nós, tanto quanto a fonte está comandada pela nascente.

Somos obsidiados por amigos desencarnados ou não e auxiliados por benfeitores, em qualquer plano da vida, de conformidade com a nossa condição mental.

Daí, o imperativo de nossa constante renovação para o bem infinito.

Trabalhar incessantemente é dever.

Servir é elevar-se.

Aprender é conquistar novos horizontes.

Amar é engrandecer-se.

Trabalhando e servindo, aprendendo e amando, a nossa vida íntima se ilumina e se aperfeiçoa, entrando gradativamente em contacto com os grandes gênios da imortalidade gloriosa.


Autor: Emmanuel
Do livro: Roteiro

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Na hora da tristeza

“Vós sois a luz do mundo...” — Jesus — Mateus, 5: 14.
“Não digais, pois, quando virdes atingido um de vossos irmãos:
“É a justiça de Deus, importa que siga o seu curso. Dizei antes: Vejamos
que meios o Pai misericordioso me pôs ao alcance para suavizar
o sofrimento do meu irmão”. — Cap. V: 27.


Entraste na hora do desalento, como se te avizinhasses de um pesadelo.

Indefinível suplício moral te impede ao abatimento,mágoas antigas surgem à tona.

Sentes-te à feição do viajor, para cuja sede se esgotaram as derradeiras fontes do caminho.

Experimentas o coração no peito, qual pássaro fatigado,ao sacudir, em vão, as grades do cárcere.

Ainda assim, não permitas que a ansiedade te lance à tristeza inútil.

Se a incompreensão alheia te azedou o pensamento, recorda os companheiros enfermos ou mutilados, quando não conhecem a própria situação, qual seria de desejar e prossegue servindo, a esperar pelo tempo que lhes dará reajuste(...)

Se deixaste entes queridos ante a cinza do túmulo, convence-te de que todos eles continuam redivivos, no plano espiritual, dependendo, quase sempre, de tua conformação para que se refaçam e prossegue servindo, a esperar pelo tempo, que te propiciará, mais além, o intraduzível consolo do reencontro.

Se o fardo das próprias aflições te parece excessivamente pesado, reflete nos irmãos desfalecentes da retaguarda, para quem uma simples frase reconfortante de tua boca é comparável a facho estelar, nas trevas em que jornadeiam, e prossegue servindo, a esperar pelo tempo, que, no instante oportuno, a cada problema descortinará solução.

Lembra-te de que podes ser, ainda hoje, o raciocínio para os que se dementaram na invigilância, o apoio dos que tropeçam na sombra, o socorro aos peregrinos da estrada que a penúria recolhe nas pedreiras do sofrimento, o amparo dos que choram em desespero e a voz que se levante para a defesa de injustiçados e desvalidos.

Não te detenhas para relacionar dissabores...

Segue adiante, e se lágrimas te encharcam a ponto de sentires a noite dentro dos olhos, entrega as próprias mãos nas mãos de Jesus e prossegue servindo, na certeza de que a vida faz ressurgir o pão da terra lavrada e de que o Sol
de Deus, amanhã, nos trará novo dia.


Autor: Emmanuel
Do livro: Livro da Esperança

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O trabalho

O trabalho é a comunhão dos seres. Através dele, aproximamo-nos uns dos outros, aprendemos a nos ajudar, a nos unir, daí a fraternidade, é só um passo. A Antiguidade Romana havia desonrado o trabalho fazendo dele o quinhão do escravo. Isso explica sua esterilidade moral, sua corrupção, suas secas e frias doutrinas.

Os tempos atuais têm uma outra concepção da vida. Buscam a plenitude num labor fecundo, regenerador. A filosofia dos espíritos amplia ainda mais essa concepção, indicando-nos na lei do trabalho o princípio de todos os progressos, de todos os aperfeiçoamentos, mostrando-nos a ação dessa lei estendendo-se à universalidade dos seres e dos mundos. É por isso que estamos autorizados a dizer: Despertem, ó todos vocês, que deixam adormecer suas faculdades, suas forças latentes. De pé, mãos à obra! Trabalhem, fecundem a terra, façam ecoar nas usinas o ruído cadenciado dos martelos e os assobios do vapor. Agitem-se na colmeia imensa. Sua obra é grande e santa. Seu trabalho é a vida, é a glória, é a paz da humanidade. Operários do pensamento, perscrutem os grandes problemas, estudem a Natureza, propaguem a Ciência, lancem, através das multidões, os escritos, as palavras que reerguem e fortificam. Que de uma extremidade à outra do mundo, unidos na obra gigantesca, cada um de nós faça esforço, a fim de contribuir para enriquecer o domínio material, intelectual e moral da humanidade!


Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da morte

domingo, 15 de agosto de 2010

A vida moral

As doutrinas do nada fazem dessa vida um impasse e chegam, logicamente, ao sensualismo e à desordem. As religiões, fazendo da existência uma obra de salvação pessoal, muito problemática, consideram-na de um ponto de vista egoísta e acanhado.

Com a filosofia dos espíritos, esse ponto de vista muda, a perspectiva se alarga. O que devemos procurar, não é mais a felicidade terrestre, - a felicidade daqui é rara e precária, - é um melhoramento contínuo; e o meio de realizá-la, é a observação da moral sob todas as formas.

Com um tal ideal, uma sociedade é indestrutível; desafia todas as vicissitudes,todos os acontecimentos. Cresce na infelicidade, encontra na adversidade os meios de se elevar acima de si mesma. Despojada de ideal, embalada pelos sofismas dos sensualistas, uma sociedade só pode corromper-se e enfraquecer-se; sua fé no progresso, na justiça, apaga-se com a virilidade; ela não é senão um corpo sem alma e torna-se, fatalmente, a presa dos seus inimigos.

Feliz do homem que, nessa vida cheia de obscuridade e de armadilhas, caminha constantemente em direção ao objetivo elevado que discerne, conhece, do qual está certo! Feliz daquele que um sopro do alto inspira suas obras e leva-o adiante. Os prazeres deixam-no indiferente; as tentações da carne, as migrações enganosas da fortuna não têm mais domínio sobre ele. Viajor em marcha, o objetivo o chama; ele se precipita para atingí-lo.


Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Ontem no hoje

Não rogues prodígios à memória cerebral, a fim de que penetres o domínio do passado, de modo a conhecer a bagagem das próprias dívidas.

Recordar pormenores das defecções e deserções a que empenhávamos ontem os melhores recursos da vida, seria encarcerar-nos hoje em feridas e sombras, sem capacidade de esperança e de movimento.

Ainda assim, nas linhas do olvido temporário em que a Misericórdia do Senhor te situa, valorizando-te a oportunidade de recapitular e redimir, pagar e reaprender, podes refletir no pretérito, baseando ilações e raciocínios nas
circunstâncias que te rodeiam.

O berço é marco de reinício.

O templo doméstico é oficina salvadora em que retomamos o trabalho interrompido e as lutas que nos cercam falam sem palavras da natureza de nossos erros e compromissos.

A enfermidade no corpo físico referir-se-á a ruinosos excessos que precisamos retificar, e a inibição da inteligência, na dificuldade e no pauperismo, é lembrança do abuso intelectual que nos reclama o serviço da corrigenda.

A aflição na equipe familiar reporta-se aos sacrifícios edificantes que devemos aos desafetos antigos, e os impedimentos no trabalho profissional recordam nossa desídia e relaxamento de outrora, solicitando-nos tolerância e fidelidade na obrigação a cumprir.

A dor prolongada é advertência contra nossas distrações sistemáticas e a incompreensão social, quase sempre, é o caminho em que se nos regenerará por intermédio de lágrimas sucessivas, a consciência culpada.

Na tela das circunstâncias de agora, é possível auscultar as causas de nossas amarguras e expiações, no presente, bastando que o nosso espírito se incline com humildade ao entendimento da Lei.

Recordemos o Evangelho do Cristo quando nos diz que “o amor cobre a multidão de nossas faltas” e, servindo aos outros, na lavoura do progresso e do aperfeiçoamento incessante, baniremos hoje as trevas de ontem para que o nosso amanhã fulgure, sublime, em sublime vitória de paz e luz.


Autor: Emmanuel
Do livro: Escrínio de Luz

A dor

O primeiro movimento dohomem infeliz é revoltar-se sob os golpes da sorte. Mais tarde, porém, depois de o espírito ter subido os aclives e quando contempla o escabroso caminho percorrido, o desfiladeiro movediço de suas existências, é com um enternecimento alegre que se lembra das provas, das tribulações com cujo auxílio pôde alcançar o cimo.

Se, nas horas da provação, soubéssemos observar o trabalho interno, a ação misteriosa da dor em nós, em nosso “eu,” em nossa consciência, compreenderíamos melhor sua obra sublime de educação e aperfeiçoamento. Veríamos que ela fere sempre a corda sensível. A mão que dirige o cinzel é a de um artista incomparável, não se cansa de trabalhar, enquanto não tem rredondado, polido, desbastado as arestas de nosso caráter. Para isso voltará tantas vezes à carga quantas sejam necessárias. E, sob a ação das marteladas repetidas, forçosamente a arrogância e a personalidade excessiva hão de cair neste indivíduo; a moleza, a apatia e a indiferença desaparecerão em outro;
a dureza, a cólera e o furor, num terceiro. Para todos terá processos diferentes, infinitamente variados segundo os indivíduos, mas em todos agirá com eficácia, de modo a provocar ou desenvolver a sensibilidade, a delicadeza,
a bondade, a ternura, a fazer sair das dilacerações e das lágrimas alguma qualidade desconhecida que dormia silenciosa no fundo do ser ou então uma nobreza nova, adorno da alma, para sempre adquirida.


Autor: Léon Denis
Do livro: O Problema do Ser do Destino e da Dor

No campo das provas

A vida na Terra pode ser comparada a campo imenso
de provas em que cada espírito ingressa, procurando
o triunfo em si próprio, na pauta dos valores de que não
prescinde na imortalidade vitoriosa.

É assim que não há berços iguais para os que abordam
a enorme arena de nossas antigas lutas.

Cada coração recolhe a valiosa oportunidade da experiência
no lugar e no clima que digam respeito às suas
justas necessidades.

Sabendo agora que carreamos para o Além as paixões
desvairadas e as indesejáveis inclinações a que nos afeiçoamos,
durante o estágio no corpo físico, é preciso lembrar
que renascemos sempre na paisagem e na situação
em que possamos alcançar a bênção de nosso resgate ou
de nossa cura.

Desse modo o alcoólatra reaparecerá junto de pais
dipsômanos, para sofrer de novo a vizinhança do vício,
alijando-o de si mesmo.

O criminoso ressurge no ambiente em que delinquiu
para dominar os pensamentos culposos que lhe vergastam
o espírito.

O suicida retornará ao veículo denso com os mesmos
problemas em que se emaranhou nas trevas da alma, recapitulando,
de novo, a lição do sofrimento para entesourar
fortaleza e superação.

O malfeitor renascerá nos sítios em que as sombras se
refugiam para compreender a grandeza da luz, consagrando-
se a ela.

Quase sempre pela porta de entrada na esfera das criaturas
humanas, é possível identificar a natureza de nossos
débitos e reconhecer a nossa posição diante da Lei, exceção
feita aos grandes missionários cujo patrimônio de
virtude e de amor, de compreensão e sabedoria transcende
o quadro de todas as influências terrestres.

Repara em que espécie de provação e em que linha
social te situas, buscando exercer a humildade e o bem, a
coragem e o serviço onde estiveres, porque, hoje ou amanhã,
a vida ensinar-te-á que ninguém recebe um corpo de
carne para falir, mas sim para trabalhar e aprender dignamente,
alcançando-se com o tempo a mais altos níveis da
Vida Eterna.


Autor: Emmanuel
Do livro:Semeador em tempos novos

Resistência ao mal

Bem-aventurados os pobres de vaidades e ambições que sabem render culto de confiança ao Pai!

Bem-aventurados os ricos de amor indiscriminado e indistinto que sabem ampliar as fronteiras do Reino da
Esperança entre os que se debatem nas malhas cruéis do desespero e da ignorância!

Bem-aventurados os simples que não se ensoberbecem na grandeza nem se amesquinham na aflição!

Bem-aventurados os que se doam ao melhor da vida para a vida melhor do espírito!

Somos a imensa família do Cristo, atados por liames fortes do pretérito-próximo, convocados para a redenção de nós mesmos. Lutas e desenganos não nos devem arrefecer ante as tarefas que nos competem desenvolver. Somos espíritos enfermos em tratamento de emergência nas mãos de Jesus, o amigo incomparável e constante. Muitas chagas que teimam por continuar abertas, aguardam nossa imediata enfermagem envidando esforços expressivos para cicatrizá-las.

Aqui é a antipatia gratuita esperando nosso apaziguamento; ali é a revolta insensata aguardando pacificação;
à frente é pessimismo retratando hoje os fracassos de ontem, que devemos combater com a clara manhã da esperança; ao lado é a dor, são as mágoas, são os constrangimentos irritantes desejando o bálsamo da nossa bondade e a esponja do nosso otimismo, embora nos pareçam trevas ameaçadoras em nossos céus...

Para que haja paz, em nós, ajudemos todos com a nossa cordialidade e sigamos adiante...

Companheiros valorosos se dizem desanimados ante os maus exemplos e os fracassos que constatam a cada passo. Esquecem-se, no entanto, dos triunfos demorados daqueles que só hoje caíram, quando poderiam ter caído há tempos; daqueles que sofreram o dilacerar do coração sob o relho de tormentos íntimos, por todos ignorados; dos que se debruçaram sobre as bordas do abismo do autocídio e recuaram, derrapando com desvios de consequências menos graves; dos amigos que estiveram loucos na dor, discretamente lutando sozinhos, e só agora não mais conseguiram manter a aparência, entregando-se exânime ao desequilíbrio...


Autor: Joanna de Ângelis
Do livro: Lampadário Espírita

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Juízo

Não é necessário que a morte abra as portas de tribunais supremos para que o homem seja julgado em definitivo.

A vida faz análise todos os dias e a luta é o grande movimento seletivo, através do qual observamos diversas sentenças a se evidenciarem nos variados setores da atividade humana.

A moléstia julga os excessos.

A exaustão corrige o abuso.

A dúvida retifica a leviandade.

A aflição reajusta os desvios.

O tédio pune a licença.

O remorso castiga as culpas.

A sombra domina os que fogem à luz.

O isolamento fere o orgulho.

A desilusão golpeia o egoísmo.

As chagas selecionam as células do corpo.

Cada sofrimento humano é aresto do juízo divino em função na vida contingente da Terra.

Cada criatura padece determinadas sanções em seu campo de experiência.

Compreendendo a justiça imamente do Senhor, em todas as circunstâncias e em todas as coisas, atendamos a sementeira do bem, aqui e agora, na certeza de que, segundo a palavra do Mestre, cada espírito receberá os bens e os males do patrimônio infinito da vida, de conformidade com as próprias obras.

Autor: Emmanuel
Do livro: taça de Luz

domingo, 8 de agosto de 2010

Tudo é beleza

Tudo é beleza na Obra Divina. Reservado vos está, em vossa ascensão, apreciar os inumeráveis aspectos, risonhos ou terríveis, desde a flor delicada até os astros rutilantes, assistir às eclosões dos mundos e das humanidades; sentireis, ao mesmo tempo, desenvolver-se vossa compreensão das coisas celestiais e aumentar vosso desejo ardente de penetrar em Deus, de vos mergulhardes nele, em sua luz, em seu amor; em Deus, nossa origem, nossa essência, nossa vida!

A inteligência humana não pode descrever os futuros que pressente, as ascensões que entrevê. Nosso espírito, encarcerado num corpo de argila, nos laços de um organismo perecível, não pode encontrar nele os recursos necessários para exprimir estes esplendores; a expressão ficará sempre aquém das realidades. A alma, em suas intuições profundas, tem a sensação das coisas infinitas, de que ela participa e às quais aspira. Seu destino é vivê-las e gozá-las cada vez mais. Mas, em vão procuraria
exprimi-las com o balbuciar da fraca linguagem humana, debalde se esforçaria por traduzir as coisas eternas na linguagem da Terra. A palavra é impotente, mas a consciência evolvida percebe as radiações sutis da vida superior.

Dia virá em que a alma engrandecida dominará o tempo e o espaço. Um século não será para ela mais do que um instante na duração e, num lampejo do seu pensamento, transporá os abismos do céu. Seu organismo sutil, apurado em milhares de vidas, há de vibrar a todos os sopros, a todas as vozes, a todos os apelos da imensidade. Sua
memória mergulhará nas idades extintas. Poderá reviver à vontade tudo o que tiver vivido, chamar a si as almas queridas que compartilharam de suas alegrias e de suas dores, e juntar-se a elas.


Autor: Léon Denis
Do livro: O Problema do Ser, do Destino e da Dor

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Prejuízos e Vantagens

Quem assestar a observação pessoal em torno de si, descobrirá que o mundo se constitui de recantos multifaces, atraindo reflexões, qual se os olhos fossem caleidoscópios para visões de profundidade nos domínios da alma.

De trecho em trecho, um quadro sugerindo meditações:

O campo cultivado, embora a rudeza do solo.

O charco absorvendo considerável extensão de terra boa.

O jardim florindo, conquanto, às vezes, adubado a detritos.

O espinheiro deitando acúleos sobre a gleba fértil.

A casa singela de quatro aposentos, em muitas ocasiões, aguentando mais de vinte pessoas.

O edifício de formação enorme, superlotado de comodidades, carregando apenas dois a três habitantes.

A árvore sacrificada pela influência de passaritos e ofertando frutos em todas as direções.

O tronco opulento, rico de galharia, a revestir-se de beleza sem a mínima utilidade.

A fonte distribuindo benefícios, apesar de movimentar-se entre montões de pedras e areia.

O repuxo multicolorido que impressiona a vista sem saciar a sede, posto que situado no reconforto da praça pública.

Do mesmo modo encontramos o mundo moral em que respiramos.

Cada criatura é recanto vivo nos planos da consciência.

Muitos se queixam de imperfeições e dificuldades; inúmeros não enxergam as oportunidades e os talentos que usufruem.

Se todos temos empeços, todos igualmente desfrutamos vantagens.

Uns, possuindo vastos recursos, ocasionam prejuízos sem conta; outros, cercados de obstáculos, produzem valores imperecíveis.

Dirijamos as lentes do estudo desapaixonado sobre nós mesmos e perceberemos, de imediato, o que realmente somos e o que podemos ser, em matéria de bem ou mal, para os outros, na ordem da vida, tudo dependendo da aplicação de nosso livre-arbítrio.

Autor: André Luiz
Do livro: Sol das Almas

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A caridade

A caridade tem outras formas que não a solicitude pelos desgraçados. A caridade material, ou a beneficência, pode se aplicar a um certo número de nossos semelhantes, sob a forma de socorro, de sustentação, de encorajamento. A caridade moral deve se estender a todos aqueles que partilham da nossa vida nesse mundo. Ela não consiste mais em esmolas, mas numa benevolência que deve envolver todos os homens, do mais virtuoso ao mais criminoso, e regular nossas relações com eles. Essa caridade, todos podemos praticá-la, por mais modesta que seja nossa condição.

A verdadeira caridade é paciente e indulgente. Não magoa, não desdenha a ninguém, é tolerante, e se procura dissuadir, é com doçura, sem machucar nem atacar as idéias enraizadas.

Entretanto, essa virtude é rara. Um certo fundo de egoísmo nos leva muito mais a observar, a criticar os defeitos do próximo, enquanto nos cegamos para com os nossos. Mesmo que haja em nós tantos defeitos, empregamos voluntariamente nossa sagacidade para fazer sobressair os defeitos dos nossos semelhantes. Por isso, não há verdadeira superioridade moral sem a caridade e a modéstia. Não temos o direito de condenar nos outros faltas a que nós mesmos estamos expostos; e, embora nossa elevação moral nos tenha libertado dessas fraquezas para sempre, não devemos esquecer de que houve um tempo em que nos debatíamos contra a paixão e o vício.

Há poucos homens que não têm maus hábitos a corrigir, deploráveis pendores a reformar. Lembremo-nos de que seremos julgados com a mesma medida que nos tenha servido para medir nossos semelhantes. As opniões que temos deles são quase sempre um reflexo da nossa própria natureza. Sejamos mais prontos em desculpar do que em censurar.

Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte

Alienação mental

Enquanto o vício se nos reflete no corpo, os abusos da consciência se nos estampa na alma, segundo a modalidade de nossos desregramentos.

É assim que atravessamos as cinzas da morte, em perigoso desequilíbrio da mente, quantos se consagraram no mundo à crueldade e à injustiça, furtando a segurança e a felicidade dos outros.

Fazedores de guerra que depravaram a confiança do povo com peçonhento apetite de sangue e ouro, legisladores despóticos que perverteram a autoridade, magnatas do comércio que segregaram o pão, agravando a penúria do próximo, profissionais do Direito que buscaram torturar a verdade em proveito do crime, expoentes da usura que trancafiaram a riqueza coletiva necessária ao progresso, artistas que venderam a sensibilidade e a cultura, degradando os sentimentos da multidão, e homens e mulheres que trocaram o templo do lar pelas aventuras da deserção, acabando no suicídio ou na delinquência, encarceram-se nos vórtices da loucura, penetrando, depois, na vida espiritual como fantasmas de arrependimento e remorso, arrastando consigo as telas horripilantes da culpa em que se lhes agregram os pensamentos.

E a única terapêutica de semelhantes doentes é a volta aos berços de sombra em que, através da reencarnação redentora, ressurgem no vaso físico - cela preciosa de tratamento - , na condição de crianças-problema em dolorosas pertubações.

Todos vós, desse modo, que recebestes no lar anjos tristes, no eclipse da razão, conchegai-os com paciência e ternura, porquanto são, quase sempre, laços enfermos de nosso próprio passado, inteligências que decerto auxiliamos irrefletidamente a perder e que, hoje, retornam à concha de nossos braços, esmolando entendimento e carinho, para que se refaçam, na clausura da inibição e da idiotia, para bênção da liberdade e para a glória da luz.

Autor: Emmanuel
Do livro: Religião dos Espíritos

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Honestidade

A honestidade é a essência mesma do homem moral. Desde que daí se desvie, fica infeliz. O homem bom faz o bem pelo bem, sem procurar aprovação nem recompensa. Ignorando o ódio, a vingança, esquece as ofensas e perdoa os inimigos. É benevolente com todos, protetor dos humildes. Em cada homem vê um irmão, não importa qual seja seu país, qual seja sua fé. Cheio de tolerância, respeita as crenças sinceras, desculpa os defeitos dos outros, ressalta-lhes as qualidades e nunca maldiz. Usa com moderação os bens que a vida lhe concede, consagra-os ao melhoramento social, na pobreza, não inveja e não sente ciúmes de ninguém.

A honestidade perante o mundo nem sempre é a honestidade segundo as leis divinas. A opinião pública tem seu preço; torna mais agradável a prática do bem, mas não se poderia considerá-la infalível. O sábio não a desdenha, sem dúvida; mas, quando é injusta ou insuficiente, vai além e pauta seu dever por uma regra mais segura. O mérito, a virtude são, às vezes, desconhecidos na Terra, e os julgamentos da multidão são frequentemente influenciados pelas suas paixões e seus interesses materiais. O homem bom procura, antes de tudo, sua própria estima e o consentimento de sua consciência.

Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte

terça-feira, 27 de julho de 2010

Cada erro, uma lição

Quantas vezes nos colocamos diante do Senhor da vida e dizemos a ele que pretendemos mudar nossos hábitos, nossas palavras, nossos sentimentos, enfim. E quantas vezes temos falhado no cumprimento da promessa!

A Lei de Deus estabelece para nós que à medida que nos afastamos do cumprimento da mesma, que nos desviamos das vibrações equilibradas da Lei, sentimos os reflexos desse afastamento. Quando nos afastamos do bem, resvalamos para as faixa do desiquilíbrio, da desarmonia, que nos levam ao mal. Quandos nos afastamos do equilíbrio voltamos as nossoa mentes e sentimentos para a desarmonia psíquica, para o sofrimento. Assim, à medida que nos afastmos do bem, resvalamos as direções elevadas, resvalamos para o lado contrário, para o mal.

Aos olhos de muitos, isso parecerá um contrassenso, mas é a realidade do homem, em sua tragetória infinita na busca do equilíbrio e da evolução.

Há quem pense que tal atitude não pode vir de Deus, uma vez que provoca dor e sofrimento, mas se pensarmos corretamente nas atitudes que tomamos e nos resultados imediatos de tais atitudes, veremos que Deus nos corrige pelo próprio erro que cometemos. É o próprio erro que nos faz reconhecer que erramos.

Assim, resvalando para as faixas do fanatismo, o homem encontrará a dor dos fanáticos, ou seja, sentirá exatamente o que os fanáticos produzem em si mesmos; aqueles que se identificarem com gestos dominadores encontrarão criaturas que também reagirão com sentimento de força, de domínio, o psiquismo desencontrado, afastado do equilíbrio, encontrará somente pertubações e obsessões em derredor.

Disse-nos Jesus que deveríamos seguir o caminho que leva ao Pai, mostrando, por isso mesmo, que todos nós temos um roteiro a ser seguido e que esse roteiro equilibrado nos mantém nas faixas do equilíbrio. Se dele nos desviarmos, encontraremos o mal, e este trará, por sua vez, o remédio que há de nos fazer retornar às faixas da harmonia, que levarão à paz e consequentemente a Deus.

Aprendamos, portanto, a ver no que sofremos o resultado do que plantamos e busquemos considerar a vida de forma equilibrada.

Trabalhemos sempre pelo equilíbrio e pela paz.



Autor: Baltazar
Do livro: Pela graça infinita de Deus, Vol.1

sábado, 24 de julho de 2010

Corpo físico

Alguns daqueles que abordam a luz renovadora dos princípios espíritas, deslumbram-se diante das perspectiva do Universo, enternecem-se com as revelações da imortalidade, capacitam-se da grandeza da vida e, quase sem perceber, se alheiam do corpo físico que lhes serve de bendito instrumento ao desempenho de valiosos encargos na estância terrestre. Há mesmo quem chegue a desprezá-lo, no pressuposto de que semelhante comportamento lhes abrevia o trabalho de burilamento moral.

Simples ilusão dos que se ausentam da lógica que orienta os processos da natureza.

Antes que o pão brilhante a mesa, o trigo que lhe deu forma passou pelo claustro materno da terra benfazeja, a fim de constituir-se.

No mesmo sentido, que adiantaria ao aluno de letras primárias frequentar a universidade, claramente sem base para assimilar as lições dos cursos superiores?

A cela física, nas escolas do planeta, é a carteira de estudo ou o cubículo de retificação que nos patrocina o progresso. Abençoá-la, conservá-la, auxiliá-la e preservá-la, através de hábitos baseados em equilíbrio e retidão, nos quais os recursos da existência sejam usados sem excessos, é simples dever.

Geralmente, muitos de nós somente nos apercebemos da preciosidade de uma bênção depois que essa mesma bênção depois nos escapa das mãos.

É assim que, muito comumente, apenas quando caímos na enfermidade irreversível ou após ultrapassar as fronteiras da encarnação é que atribuímos ao corpo físico a importância de que ele se reveste.

Não esperes o sofrimento para bendizer a felicidade perdida.

Trabalha, realiza, procura o bem e aperfeiçoa-te agora.

É pelo corpo físico que entesouramos experiências de subido valor para a eternidade.

Ampara teu corpo para que teu corpo te ampare. Se robusto, não lhe dissipes em vão as energias e agradece-lhe o equilíbrio de que desfrutas. Se doente ou mutilado, defeituoso ou inibido, agradece-lhe o ensejo de reajuste.

Teu corpo é o livro em que aprendes na escola da vida. Não lhe fujas ao apoio do trabalho nem à luz da lição.


Autor: Emmanuel
Do livro: No portal da luz

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Ante a desencarnação

Por mais se alongue, a existência física na Terra não passa de uma estação temporária.

Como o desgaste natural, a indumentária carnal se consome, renovando-se, incessantemente, até se transformar em outras formas de vida, no silêncio do solo, quando abandonado pelo espírito.

Tudo quanto nasce, morre é da Lei.

A reencarnação é ensejo de aprendizagem necessária e breve.

O corpo, por isso mesmo, é veículo que a divindade honra o ser facultando-lhe a ascensão aos planos celestes.

Todos morrem num estado vibratório para renascerem noutro. Não há consumação. A vida prossegue!

Além do portal de lama e cinza, a vida continua como primavera formosa após noite sombria e torturada.

Ama os que foram instrumento da tua carne ou razão da tua felicidade, sem os constrangeres a uma temporada mais longa entre as limitações do vaso carnal.

Saudosos da Grande Pátria anseiam por voltar, embora as retenções no caminho.

Não os atormentes com teu amor. Eles proseguirão contigo noutro estado de consciência.

Ajudar-te-ão na dor, enxugando suores e lágrimas e orarão por ti nas travessias difíceis...

Prepara-os com amor, informando quanto à vida no mundo maior, e desembaraça-os dos cipós e elos que os prendam na retaguarda.

Recorda-te e lembra-lhes a alvorada sublime que os aguarda, esclarecendo quanto à ressurreição triunfal além da transitoriedade de todas as coisas.

Preenche, de tua parte, a saudade deles no coração, com a lembrança das horas felizes que eles proporcionaram, o bem que fizeram, o que representaram na vida...

Começa a morrer desde que se renasce na carne.

A memória deles te fará feliz e todo o bem que te fizeram, como o amor que lhes destes, será a coroa de luz que terás na vida.

Recorda, por fim que, dominados por imensa saudade, recolhidos e atemorizados, os discípulos reunidos em Jerusalém receberam a visita do inesquecível Amigo que os saudou jubiloso, retornando da morte e felicitando a todos, através dos milênios, com o legado da vitória da vida sobre a desencarnação, como hoje atestam os que venceram o túmulo, retornando, felizes, aos corações amados que se demoram na carne, a repetir "paz seja convosco", qual hino de consolação imortal, que nada consome.

Autor: Joanna de Ângelis
Do livro: Messe de Amor

terça-feira, 20 de julho de 2010

Penas depois da morte

Diante do antigo dogma das penas eternas, cuja criação a teologia terrestre atribui ao Criador, examinemos o comportamento do homem - criatura imperfeita - perante as criações estruturadas por ele mesmo.

Determinada companhia de armadores constrói um navio; contudo, não o arremessa ao mar sem a devida assistência. Comandantes, pilotos, maquinistas e marinheiros constituem-lhe a equipagem para que atenda dignamente aos seus fins. Quando alguma brecha surge na embarcação, ninguém se lembra de arrojá-la ao fundo. Ao revés, o socorro habitual envida o máximo esforço, de modo a recuperá-la. E se algum sinistro sobrevém, doloroso e inevitável, o assunto é motivo para vigorosos estudos, a fim de que novos barcos se levantem amanhã, em mais alto nível de segurança.

Na mesma diretriz, o avião conta com mecânicos adestrados, em cada estação de pouso; o automóvel dispõe, na estrada, dos postos de abastecimento, a locomotiva transita sobre trilhos certos e chaves condicionadas; a fábrica produz com supervisores e técnicos; o hospital funciona com médicos e enfermeiros; e a habitação recolhe o amparo de engenheiros e higienistas.

Em todas as formações humanas respeitáveis, tudo está previsto, de maneira que o trabalho seja protegido e os erros retificados, com aproveitamento de experiência e sucata, sempre que esse ou aquele edifício e essa ou aquela máquina entrem naturalmente em desuso.

Isso acontece entre homens, cujas obras estão indicadas pelo tempo a incessante renovação.

Em matéria, pois, de castigos, depois da morte, reflitamos, sim, na justiça da lei que determina realmente seja dado a cada um conforme as próprias obras; entretanto, acima de tudo e em todas as circustâncias, aceitemos Deus, na definição de Jesus, que no-lo revelou como sendo o "Pai nosso que está nos céus."

Autor: Emmanuel
Do livro: Justiça Divina

O direito

O direito, como disse Godin, fundador do familistério de Guise, é feito do dever cumprido. Sendo os serviços prestados à humanidade a causa, o direito vem a ser o efeito. Numa sociedade bem organizada, cada cidadão classificar-se-á de acordo com o seu valor pessoal e grau de sua evolução e em proporção com sua cota social.

O indivíduo só deve ocupar a situação merecida; seu direito está em proporção equivalente à sua capacidade para o bem. Tal é a regra, tal é a base da sua ordem , universal, e a ordem social, enquanto não for sua contraprova, sua imagem fiel, será precária e instável.

Cada membro de uma coletividade deve, por força desta regra, em vez de reinvidicar direitos fictícios, tornar-se digno deles, aumentando o próprio valor e sua participação na obra comum. O ideal social transforma-se, o sentido da harmonia desenvolve-se, o campo do altruímo dilata-se; mas, no estado atual das coisas, no seio de uma sociedade onde fermentam tantas paixões, onde se agitam tantas forças brutais, no meio de uma civilização feita de egoísmo e cobiça, de incoerência e má vontade, de sensualidade e sofrimentos, são de temer muitas convulções.

Ás vezes ouve-se o bramido da onda que sobe. O queixume dos que sofrem transforma-se em brados de cólera. As multidões contam-se interesses seculares são ameaçados. Levanta-se, porém, uma nova fé, iluminada por um raio do Alto e assente em fatos, em provas sensíveis. Diz a todos: "Sede unidos, porque sois irmãos, irmãos neste mundo, irmãos na imortalidade. Trabalhai em comum para tornardes mais suaves as condições da vida social, mais fácil o desempenho de vossas tarefas futuras, Trabalhai para aumentar os tesouros de saber, de sabedoria, de poder, que são a herança da humanidade. A felicidade não está na luta, na vingança; está na união dos corações e das vontades!"

Autor: Léon Denis
Do livro: O Problema do Ser, do Destino e da Dor

domingo, 18 de julho de 2010

Sintonia Moral

Sintonia Moral
As leis da afinidade ou de sintonia que vigem em toda parte, respondem pela ordem e pelo equilíbrio universal.

Pequena alteração para mais ou para menos, entre os fenômenos do magnetismo e as forças de gravitação universal, tornaria as estrelas gigantes azuis ou pequenos astros vermelhos perdidos no caos...

Sentimentos viciosos encontram ressonância em caracteres morais equivalentes produzindo resultados idênticos.

O homem colérico sempre encontrará motivo para a irritação; assim como a pessoa dócil com fcilidade identifica as razões para desculpar e entender.

Há uma inevitável atração entre personalidades de gostos e objetivos semelhantes como repulsa em meio àqueles que transitam em faixas de valores que se opõem...

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A vida lhe coloca onde você escolheu estar...

Nasceste no lar que precisavas.

Vestiste o corpo físico que merecias.

Moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento.

Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades, nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.

Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.

Teus parentes e amigos são as almas que atraístes, com tua própria afinidade.

Portanto, teu destino está constantemente sobre teu controle.

Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas, tudo aquilo que te rodeia a existência.

Teus pensamentos e vontade são a chave de teus atos, atitudes são as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivencial.

Não reclames, nem te faças de vítima.

Antes de tudo, analisa e observa.

A mudança está em tuas mãos.

Reprograme tua meta,

Busque o bem e viverás melhor.


Autor: Francisco Cândido Xavier

Infelicidade

Ante o manancial de bênçãos do Espiritismo com Jesus, a verdadeira infelicidade será sempre:

Receber sem dar;

Reter os bens do mundo sem distribuí-los;

Guardar a fé, menosprezando os que sofrem o frio da indiferênça;

Iluminar a si mesmo, escarnecendo os que ainda jazem na sombra;

Exibir humildade, amaldiçoando as vítimas do orgulho;

Ornar a própria senda com os mais altos valores culturais, recusando a esmola do alfabeto aos que padecem a chaga da ignorância;

Conservar a própria saúde, olvidando os enfermos;

Encastelar-se no conforto, esquecendo os que são afrontados pela miséria...

O infortúnio será ainda:

Ensinar o bem sem praticá-lo;

Conhecer a verdade e consagra-se ao erro sistemático;

Aceitar os princípios da sublimação espiritual, mergulhando-se nas trevas da animalidade e da estagnação nas linhas inferiores do mundo;

Saber o caminho da elevação própria, tentando enganar a si mesmo no fundo despenhadeiro da ilusão;

Matar o tempo destinado a enriquecer-nos de vida...

Há muita felicidade na Terra que não constitui senão trilho descendente para o abismo da aflição...

Muitos riem agora, ostentando falsa alegria na máscara de carne para chorarem amargamente depois...

Aprendamos a viver para o bem dos outros, a fim de encontrarmos o nosso verdadeiro bem.

Almas inúmeras se julgam bem quando apenas se encontram bem mal no exclusivismo a que se afeiçoam, e outras tantas se supõem mal dotadas pela existência, encontrando nas dores que assaltam o acesso à libertação do mal a que se escravisavam.

A felicidade duradoura e justa nasce para nós da felicidade que acendermos no caminho dos outros, e, por isso, compreendendo com o Evangelho que mais vale dar que receber, procuremos distibuir os bens que o Senhor nos empresta, a bem de todos, na certeza de que somente assim conquistaremos, em nosso favor, a felicidade do Sumo Bem.

Autor: Emmanuel
Do livro: Perante Jesus

terça-feira, 13 de julho de 2010

Sempre adiante

O espírito encarnado, a fim de alcançar os altos objetivos da vida, precisa reconhecer sua condição de aprendiz, extraindo o proveito de cada experiência, sem escravisar-se.

O dinheiro ou a necessidade material, a doença e a saúde do corpo são condições educativas de imenso valor para os que saibam aproveitar o ensejo de elevação em sua essência legítima.

Infelizmente, porém, de maneira geral, a criatura apenas reconhece semelhantes verdades quando se abeira da transformação pela morte do corpo terrestre.

Raras pessoas transitam de uma situação para outra com a dignidade devida. Comumente, se um rico é transferido a lugar de escassez, dá-se a tão extrema lamentações que acaba vencido, como servo miserável da medicância; se o pobre é conduzido a elevada posição financeira, não raro se transforma em ordenador insensato, escravisando-se à extravagância e à tirania.

É imprescindível muito cuidado para que as posições transitórias não paralisem os vôos da alma.

Guarda a retidão de consciência e atira-te ao trabalho edificante; então, a teus olhos, toda situação representará oportunidade de atingir o "mais alto" e o "mais além".

Autor: Emmanuel
Do livro: Caminho Verdade e Vida

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