quarta-feira, 26 de maio de 2010

Aflições

Bendize a dificuldade e a incompreensão, no caminho por onde jornadeias com outras almas.

Aflige-se a avezita na casca estreita do ovo que gerou para defrontar horizontes infinitos.

Aflige-se o embrião humilde na semente vencida para agigantar-se na superfície da Terra.

Aflige-se o filete de água, esguichando pela frincha da rocha para correr na várzea ampla.

Aflige-se o botão de rosa dobrado sobre si mesmo, desejando arrebentar-se em perfume para espalhar-se na amplidão.

Aflige-se a lagarta imobilizada na histólise para que a borboleta colorida flutue na leve manhã primaveril.

Aflige-se a alma no casulo da carne para alçar-se aos horizontes da vida imperecível.

No entanto, é necessário examinar em profundidade a própria aflição.

Há aflição que traduz vida e elevação.

Aflição para partir os elos que atam o espírito ao crime, ensejando liberdade.

Aflição para acender luz no íntimo, propiciando claridade.

Aflição em comunicar a verdade, felicitando corações.

Aflição para esquecer o mal, criando serenidade e alegria.

Aflição para vencer dificuldades, movimentando programas de ação edificante.

Aflição pelo sábio aproveitamento do tempo, valorizando a bênção das horas...

...E aflição que expressa insânia e morte.

Aflição por liberdade que é libertinagem.

Aflição por gozo que destrói a paz interior.

Aflição por amor que representa paixão animalizante.

Aflição por dinheiro que é penitenciária dourada.

Aflição pelo poder que se transforma em loucura.

Aflição por glórias que se fazem cumplicidade com o crime.

Aflição por honrarias enganosas que se cristalizam em ridículo e farsa.

Aflição no ódio que se faz veneno letal.

Aflitos e afligidos.

Aflitos em busca de paz.

Afligidos pelos tormentos da morte.

Almas atormentadas e espíritos sedentos de luz sempre os houve.

Com Jesus aprendemos a libertar-nos de todos os tormentos e suportar todas as aflições...

Conserva a tua paz quando a aflição do mundo te convocar ao mundo dos desequilibrados, e persevera lutando pela conquista dos tesouros inalienáveis do reino de Deus...

Vitorioso, por fim, constatarás, deslumbrado, quando fluíres a paz que dEle emana, o galardão da imortalidade, confirmando o inesquecível enunciado:

"Bem-aventurados os aflitos porque seerão consolados."

Autor: Joanna de Ângelis
Do livro: Messe de Amor

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