quarta-feira, 19 de maio de 2010

Afliges-te

Afliges-te com a vizinhança do parente menos simpático.

Esqueces-te, no entanto, dos que vagueiam sem rumo.

Afliges-te com leve dor de cabeça que o remédio alivia.

Esqueces-te, porém, dos que carregam a provação da loucura na grade dos manicômios.

Afliges-te por perder a condução, no momento oportuno.

Esqueces-te, entretanto, dos que jazem detidos em catres de sofrimento, suspirando pelo conforto de se arrastarem.

Afliges-te pelo erro sanável da costureira, na vestimenta que encomendaste.

Esqueces-te, contudo, daqueles que ostentam a pele ultrajada de chagas, sem se queixarem.

Afliges-te em casa porque alguém te não fez o prato de preferência.

Esqueces-te, todavia, dos que varam a noite, atormentados de fome.

Afliges-te com as travessuras do filhindo desajustado.

Esqueces-te,contudo, das crianças perdidas, ao sabor da intempérie.

Afliges-te, por insignificantes deveres no ambiente doméstico.

Esqueces-te, porém, dos que choram sozinhos, no leito dos hospitais.

Afliges-te, tantas vezes, por bagatelas!...

Fita, no entanto, a retaguarda e, reparando as aflições dos outros, agradecerás ao Senhor a própria felicidade que não conseguias ver.


Emmanuel
Do livro: O Espírito da Verdade

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