terça-feira, 29 de junho de 2010

Provas decisivas

Clamas contra o infortúnio que te visita e desespera-te, sem reação construtiva, ante as horas de luta.

Falaram-te do Senhor e dos aprendizes abnegados que o seguiram, nas horas primeiras, na senda marginada de prantos e sacrifícios... Queres, porém, comungar-lhe a paz e viver em menor esforço...

Todavia, quase todos os grandes vultos da humanidade, em todas as épocas e em todos os povos, passaram pelo tempo das provas decisivas.

Senão observemos:

Cervantes ficou paralítico da mão esquerda e esteve preso sob a acusação de insolvente, mas sobrepairou acima da injúria e legou um tesouro à literatura da Terra...

Shakespeare sentiu-se em tão grande penúria, que se achou, um dia, a incendiar um teatro, tomado de desespero; entretanto, superou a crise e deixou no mundo obras-primas inesquecíveis.

Victor Hugo esteve exilado durante dezoito anos; todavia, nunca abandonou o trabalho e depôs o corpo físico, no solo de sua pátria, sob a admiração do mundo inteiro...

Hertz enfrentou imensa falta de recursos e foi vendedor de revistas para sustentar-se; entretanto, venceu as dificuldades e tornou-se um dos maiores cientistas mundiais.

De igual modo, entre os espíritas as condições de existência terrestre não têm sido outras.

Na França, Allan Kardec sofreu, por mais de uma década, insultuoso sarcasmo da maioria dos contemporâneos; contudo,jamais desanimou, entregando à posteridade o luminoso patrimônio da Codificação.

Na Espanha, Amália Domingo Sóler, ainda em plenitude das forças físicas, tolerou o suplício da fome, na flagelação da cegueira; todavia, nunca duvidou da providência divina, consagrando ao pensamento espírita a riqueza de suas páginas imortais.

No Brasil, Bezerra de Menezes, abdicando das fulgurações
da política humana e, não obstante a posição de médico ilustre, partiu da Terra, em extrema necessidade material, o que não impediu a sua elevação ao título de Apóstolo.

Em razão disso, não te deixes vencer pelos obstáculos.

A resignação humilde, a misturar lágrimas e sorrisos, anseios e ideais, consolações e esperanças, constrói sobre a criatura invisível auréola de glória que se exterioriza em ondas de simpatia e felicidade.

Quando o carro de tua vida estiver transitando pelo vale da aflição, recorda a paciência e continua trabalhando, confiando e servindo com Jesus.


Autor: Lameira de Andrade
Do livro: O Espírito da Verdade

domingo, 27 de junho de 2010

Museu de cera

Muito embora a exaltação dos mortos já comumente falaciona homenagens aos vivos, os filhos de Deus integram, em toda parte, uma só família.

O corpo físico é apenas envoltório para efeito de trabalho e de escola nos planos de consciência.

Os piores corpos habitam, por vezes, as melhores almas.

O mesmo perfume é suscetível de ser transportado, tanto no vaso de latão quanto na ânfora de cristal.

Cada túmulo representa um destino, um caminhao ou um exemplo que passaram. A sepultura para muitas almas é estranho repouso, leito hospitalar ou enxerga carcerária.

O cemitério pode ser comparado a museu de cera onde se expõem e se desmancham as formas criaturas, e não a essência de que se constituem na eternidade. Os corpos que aí se desfazem assinam simplesmente estágios e tarefas do espírito.

São as estátuas manchadas daqueles que passaram pela carne e nada fizeram.

Bonecas adornadas e mudas recordando mulheres que viveram exclusivamente para cuidar de si mesmas.

Mantos venerandos de mães que transformaram lágrimas em sementes de luz...

Hábitos missionários largados pelos que, um dia, se consagraram ás lides religiosas.

Farrapos de mendingos em que discípulos da virtude ensaiaram paciência e humildade...

Fantasias dos turistas da vida e da morte que se enganaram com a função do dinheiro, envenenando, não raro, a existência e perdendo o tempo...

Pensa nos que ontem estavam na Terra renteando-te os passos e hoje se encontram em paragens diferentes, na certeza de que te encontras na carne para execução de serviço determinado.

Não te ensoberbeças pelo que tens, nem te desesperes acreditando que algo te falte.

Trabalha, fazendo o bem.

Cada homem e cada mulher receberam na vida os instrumentos de amor e de dor para atenderem à missão que lhes cabe na arena do mundo.

O berço é o ninho de entrada.

O sepulcro é o museu da saída.


Autor: Eurípedes Barsanulfo
Do livro: Seareiros de volta

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Aceita a vida

Atitude reprochável negar-se o homem a lutar pelo seu progresso espiritual, seja qual for a justificativa em que se busque apoiar.

O solo mais árido, convenientemente corrigido, torna-se abençoado jardim e pomar.

A água contaminada, experimentando tratamento conveniente, faz-se potável e útil.

A pedra bruta, sob rigoroso cuidado, submete-se ao escultor e revela formas primorosas.

Os metais rijos, necessariamente aquecidos, amoldam-se a formas e situações diversas.

O homem, desejando educar-se e instruir-se, supera quaisquer impedimentos. ...

Toda conquista se incorpora ao patrimônio do espírito, que pode, temporariamente, não a utilizar, porém, que jamais se perde.

Aceitar a ignorância e submeter-se-lhe é forma de preguiça e desinteresse pela vida.

Contentar-se na inferioridade é manifestar lamentável estado de morbidez.

Todo anseio deve ser dirigido para a conquista, a perfeição.

Renasceste para alcançar os objetivos elevados.

Reúnes experiências, que somam lições a se transformarem em apredizagem libertadora.

O que te parece de difícil logro, constitui desafio e não impedimento.

Fracasso é somente uma rentativa que não deu certo.

Desequilíbrio é resultado de erro do próprio comportamento.

Toda sombra tem como gênese luz ausente.

Enriquece-te de amor e inicia a sua vivência, aprimorando-te...

Tudo depende do que se deseja, para que se quer e como se pretende conseguir.

Concede-te a bênção da luta edificante, sem muletas desculpistas.

Os que atingem quaisquer alturas passaram pelos trâmites difíceis e venceram as baixadas.

Disse Jesus: "Tudo é possível àquele que crê", afirmando que acreditar é forma de motivar-se à ação que propicia os resultados compatíveis com os objetivos de que se reveste.

Jamais te negues o recomeço, a outra oportunidade, o esforço pessoal.

A chegada em triunfo é o somatório dos passos que venceram a distância.

Aceita a vida e ganha-a com alegria para o teu próprio bem.

Autora: Joanna de Ângelis
Do livro: Roteiro de libertação

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Tua Fé

“E ele lhe disse:
Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz.”
(Lucas, XVIII-48.)

É importante observar que o Divino Mestre, após o benefício dispensado, sempre se reporta ao prodígio da fé, patrimônio sublime daqueles que O procuram.

Diversas vezes, ouvimo-lo na expressiva afirmação: — “A tua fé te salvou.” Doentes do corpo e da alma, depois do alívio ou da cura, escutam a frase generosa. É que a vontade e a confiança do homem são poderosos fatores no desenvolvimento e iluminação da vida.

O navegante sem rumo e que em nada confia, somente poderá atingir algum porto em virtude do jogo das forças sobre as quais se equilibra, desconhecendo, porém, de maneira absoluta, o que lhe possa ocorrer.

O enfermo, descrente da ação de todos os remédios, é o primeiro a trabalhar contra a própria segurança. O homem que se mostra desalentado em todas as coisas, não deverá aguardar a cooperação útil de coisa alguma.

As almas vazias embalde reclamam o quinhão de felicidade que o mundo lhes deve. As negações, em que perambulam, transformam-nas, perante a vida, em zonas de amortecimento, quais isoladores em eletricidade. Passa corrente vitalizante, mas permanecem insensíveis.

Nos empreendimentos e necessidades de teu caminho, não te isoles nas posições negativas.

Jesus pode tudo, teus amigos verdadeiros farão o possível por ti; contudo, nem o Mestre e nem os companheiros realizarão em sentido integral a felicidade que ambicionas, sem o concurso de tua fé, porque também tu és filho do mesmo Deus, com as mesmas possibilidades de elevação.

Autor: Emmanuel
Do livro: Pão Nosso

Fazendo Sol

Amanheceste chorando pelos que te não compreendem.

Amigos diletos rixaram contigo.

Nos mais amados, viste o retrato da ingratidão.

Aspiravas a desentranhar o carinho nos corações queridos, com a pureza e a simplicidade da abelha que extrai o néctar das flores sem alterá-las, e, porque não conseguiste, queres morrer...

Não te encarceres, porém, nos laços do desespero.

Afirmas-te à procura do amor, mas não te recordas daqueles para quem o teu simples olhar seria assim como o sorriso da estrela, descerrado nas trevas.

Mostram a cabeça encanecida, à feição de nossos pais, são irmãos semelhantes a nós ou são jovens e crianças que poderiam ser nossos filhos... Contudo, estiram-se em leitos de pedra ou refugiam-se em antros, fincados no solo quais se fossem proscritos atormentados.

Não te pedem mais que um pão, a fim de que se lhes restaurem as energias do corpo enfermo, ou uma palavra de esperança que lhes console a alma dorida.

Não percas o tesouro das horas, na aflição sem proveito.

Podes ser, ainda hoje, o apoio dos que esmorecem, desalentados, ou a luz dos que jazem nas sombras; podes estender o cobertor agasalhante sobre aqueles a quem a noite pede perdão por ser longa e fria, aliviar o suplício dos companheiros que a moléstia carcome ou dizer a frase calmante para os que enlouqueceram de sofrimento...

Sai, pois, de ti mesmo para conhecer a glória de amar!...

Perceberás, então, que a existência na Terra é apenas um dia na eternidade, aprendendo a iluminá-la de amor, como quem anda fazendo sol, nos caminhos da vida, e encontrarás, mais tarde, em cânticos de alegria, todos aqueles que te não amam agora, amando-te muito mais, por te buscarem a luz no instante do entardecer.

Autora: Meimei
Do livro: O Espírito da Verdade

sábado, 19 de junho de 2010

Memórias

"Deve ser horrível - diz você - o escândalo em torno de nossa memória. O homem arrastado ao pelourinho do escárnio público e ao pasto da maledicência, deve ser uma fogueira de angústia para o coração acordado, além da morte".

Você tem razão.

A ave, em pleno céu, que se visse constrangida a voltar à casca do ovo, ou a árvore luxuriante que fosse obrigada a retornar para a cova de lodo, sofreriam menos que a alma desencarnada, sob a intimidação de regresso às perigosas infantilidades da experiência humana.

Em tais circunstância, laços mais pesados nos religam o espírito, com mais intensidade, a gleba da carne, e a voz dos nossos julgadores, não raros, nos converte os ouvidos em receptores gigantescos para os quais convergem todos os apontamentos justos ou injustos de quantos nos apreciam a conduta e as decisões.

Você já pensou num homem, cujo o corpo seja uma chaga viva, tangindo violentamente por milhares de mãos descaridosas e rude?

Esse é o símbolo pálido com que ousamos qualificar o suplício do infortunado que lega aos contemporâneos as recordações da própria viagem pela Terra, quando essas memórias se referem às situações que fazem o enferno dos seus semelhantes...

Creia você que, em verdade, tudo isso é terrível e doloroso, de vez que o arrependimento irremediável nos tranforma em duendes infortunados, em aflitivas peregrinação.

Não adimita, porém, que isso seja apenas lamentável previlégio de alguns.

Não é necessário fixarmos reminiscência da Terra, em bronze ou papel, para que a vida nos revele aos outros tais quais somos.

Trazendo conosco o arquivo que nos é próprio.

Sentimento e idéias, palavras e ações são marcas em nossa alma.

todos alcançaremos o plano em que nosso espírito é um livro aberto.

Intenções ocultas, interferências nos destinos alheios, assaltos desfarçados à felicidade do próximo, crimes consagrados pela admiração do mundo, misérias íntimas e desequilíbrios morais aparecem claramente, espantando a nós mesmos, que não suspeitávamos, de leve, da nossa própria degradação.

Vodê que conhece tão bem o assunto, cuide dos seus passos e vele pelo futuro de sua alma eterna, porque a existência, meu caro, seja onde for, é sempre um livro que nosso coração anda escrevendo.

Irmão X
do livro: Sentinelas da luz

O remédio justo

Perguntas, muitas vezes, pela presença dos espíritos guardiães, quando tudo indica que forças contrárias às tuas noções de segurança e conforto, comparecem, terríveis, nos caminhos terrestres.

Desastres, provações, enfermidades e flagelos inesperados arrancam-te indagações aflitivas.

Onde os amigos desencarnados que protegem as criaturas?

Como não puderam prevenir certos transes que te parecem desoladoras calamidades?

Se aspiras, no entanto, a conhecer a atitude moral dos espíritos benfeitores, diante dos padecimentos desse matiz, consulta os corações que amam verdadeiramente a Terra.

Auscuta o sentimento das mães devotadas que bendizem com lágrimas as grades do manicômio para filhos que se desvairaram no vício, de modo a que não se transfiram da loucura à criminalidade confessa.

Ouve os gemidos de amargura suprema dois pais amorosos que entregam os rebentos do próprio sangue no hospital, para que lhes seja amputado esse ou aquele membro do corpo, a fim de que a moléstia corrutora, a que fizeram jus pelos erros do passado, não lhes abrevie a existência...

Perquire o pensamento dos filhos afetuosos, ao carregarem, esmagos de dor, os pais endividados em doenças infectocontagiosas, na direção das casas de isolamento, a fim que não se convertam em perigo para a comunidade.

Todos eles trocam as frases de carinho e os dedos veludosos pelas palavras e pelas mãos de guardas e enfermeiros, algumas vezes desapiadados e frios, embora continuem mentalmente jungidos aos seres que mais amam, orando e trabalhando para que lhes retornem ao seio.

Quando vejas alguém submetido aos mais duros entraves, não suponhas que esse alguém permaneça no ouvido, por parte dos benfeitores espirituais que lhe seguem a marcha.

O amor brilha e paira sobre todas as dificuldades, à maneira do sol que paira e brilha sobre todas as nuvens.

Ao invés de revolta e desalento, oferece paz e esperança ao companheiro que chora, para que, à frente de todo o mal, todo o bem prevaleça.

Isso porque onde existem almas sinceras, à procura do bem, o sofrimento é sempre o remédio justo da vida para que, junto delas, não suceda o pior.

Autor: Emmanuel
Do livro: Livro da esperança

sábado, 12 de junho de 2010

Seres amados

"Aquele que ama a seu irmão permanece na luz e nele não há nenhum tropeço." (I João, 2:10)


Os seres que amamos!... Com que enternecimento desejaríamos situá-los nos mais elevados planos do mundo!... Se possível, obteríamos para cada um deles um nicho de santidade ou um título de herói!...

Entretanto, qual ocorre a nós mesmos, são eles seres humanos, matriculados no educandário da vida. E, nos círculos das experiências em que se debatem, como nos acontece, erram e acertam, avançam na estrada ou se interrompem para pensar, solicitando-nos apoio e compreensão.

Assim como estamos em luta a fim de sermos, um dia, o que devemos ser, aprendamos a amá-los como são, na certeza de que precisam, tanto quanto nós, de auxílio e encorajamento para a necessária ascensão espiritual.

Nunca exigir-lhes o impossível, nem frustar-lhes a esperança.

Doemos a cada um a bênção da estima sem requisições descabidas, acatando as experiências para as quais se inclinem e respeitando os tipos de felicidade que elejam para si próprios.

Todos somos viajores do Universo com encontro marcado numa só estação de destino - a perfeição na imortalidade. À face disso, e levando em consideração que nos achamos individualmente em marcos diferentes da estrada, se queremos auxiliar aqueles a quem amamos, e abençoá-los com o nosso afeto, cultivemos, à frente deles, a coragem de compreender e a paciência de esperar.

Autor: Emmanuel
Do livro: Ceifa de Luz

Caridade segundo o apóstolo Paulo

terça-feira, 8 de junho de 2010

Caridade do Esquecimento

Não olvides a caridade do esquecimento de todo mal.

Nela reside a força progressiva do bem.

Dissabores revividos são espinhos bem cultivados.

Diariamente, é possível exercê-la, porque o cipoal dos desgostos de toda sorte nasce também de sementes minúsculas.

A benefício da paz, não te fixes nas pequenas desarmonias que te rodeiam.

Esquece o erro do vizinho.
O mau temperamento do próximo.
A irritação do companheiro.
A ingratidão da parentela.
A intriga sutil.
A palavra maldosa.
A frase contudente.
A resposta impensada dos outros.
A saudação não respondida.
A ilusão dos que te seguem.
A irreflexão de alguns ou de muitos.
A ignorância do associado de luta.
A atitude do irmão, em desacordo com a tua.
A opnião diferente da que adotas.
A cicatriz ou a ferida dos semelhantes.
A infelicidade do companheiro inseguro.
A observação injuriosa que procura ferir-te a dignidade pessoal.
A incompreensão do meio a que serves.
A dificuldade e o obstáculo que se apresentam por abençoadas provas à tua fortaleza moral ou à tua boa vontade.

Lembra-te do auxílio simples do esquecimento da sombra que se interpõe entre o nosso espírito e a realidade.

Abre o coração à luz e adianta-te, olvidando as trevas da jornada.

Quem recebe a dádiva da luta na condição de um tesouro por engrandecer e aperfeiçoar, realmente encontrou para a própria felicidade, o verdadeiro caminho do céu.

Autor: Emmanuel
Do livro: Instrumentos do tempo

Serão Consolados

Nem todos aflitos, porém...

Muitos que sofrem engendraram as aflições de que se tornaram vítimas inermes. Carregam o sofrimento aspirando e exalando o gás da ira do mal dissimulada com que mais se intoxicam e mais envenenam em derredor.

Pessoas aflitas esmagam-se nas paredes estreitas da usura, de que se não libertam; estertoram nas garras do ciúme que as enceguecem; desagregam-se sob os camartelos da insatisfação face aos prazeres disolventes; transitam em sofreguidão contínua ao estridor da revolta que as agoniam; turbam-se nas densas nuvens da desesperança; tombam-se, desfalecidas, nas urdiduras do desânimo.

Toda aflição se fixa em raízes que devem ser extirpadas...

Aflições de vários portes conduzem ao crime de muitas denominações.

Somente a aflição resignada e confiante, de pronto receberá consolo.

A chuva que reverdece a terra crestada, em tempestade, aniquila colheitas, despedaça jardins, carcome o solo...

O repouso sensato refaz as forças; prolongado, anestesia os estímulos, entorpecendo a vontade e a ação.

Aflitos que, não obstante, em lágrimas, atendem alheio pranto; apesar de perseguidos, não se fazem perseguidores; embora sob injustiça, confiam na probidade; sem embargo, enfermos, estimam a saúde do próximo; todavia, incompreendidos, desculpam e sustentam a coragem do bem; no entanto, esfaimado, alevantam o ânimo onde se encontram; mesmo em quase alucinação, tal a monta de problemas e dificuldades, recorrem à oração refazente e à meditação renovadora - serão consolados!

Nem todos os aflitos, porém, lograrão consolação.

Há os que impõem tais ou quais medidas a fim de saciar-se; que esperam este ou aquele resultado com que pensam comprazer-se; que situam esse ou outro fator como o único pelo qual se apaziguariam; uma ou duas únicas opções para fruírem felicidade, e, entretanto, são recursos da ilicitude, quando não dão caprichos que estão sendo disciplinados pela própria aflição...

Transladarão oportunidades, adiarão benesses, sofrerão...

Indispensável valorizar a aflição, sopesando-a com discernimento, de modo a conduzí-la às fontes inexauríveis do Evangelho em clima de serenidade, respeito e amor. Ali, todas as dores se acalmam, todas as lágrimas se enxugam, todos os aflitos são consolados.

Autor: Joanna de Ângelis
Do livro: Celeiro de Bênçãos

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