quarta-feira, 21 de julho de 2010

Ante a desencarnação

Por mais se alongue, a existência física na Terra não passa de uma estação temporária.

Como o desgaste natural, a indumentária carnal se consome, renovando-se, incessantemente, até se transformar em outras formas de vida, no silêncio do solo, quando abandonado pelo espírito.

Tudo quanto nasce, morre é da Lei.

A reencarnação é ensejo de aprendizagem necessária e breve.

O corpo, por isso mesmo, é veículo que a divindade honra o ser facultando-lhe a ascensão aos planos celestes.

Todos morrem num estado vibratório para renascerem noutro. Não há consumação. A vida prossegue!

Além do portal de lama e cinza, a vida continua como primavera formosa após noite sombria e torturada.

Ama os que foram instrumento da tua carne ou razão da tua felicidade, sem os constrangeres a uma temporada mais longa entre as limitações do vaso carnal.

Saudosos da Grande Pátria anseiam por voltar, embora as retenções no caminho.

Não os atormentes com teu amor. Eles proseguirão contigo noutro estado de consciência.

Ajudar-te-ão na dor, enxugando suores e lágrimas e orarão por ti nas travessias difíceis...

Prepara-os com amor, informando quanto à vida no mundo maior, e desembaraça-os dos cipós e elos que os prendam na retaguarda.

Recorda-te e lembra-lhes a alvorada sublime que os aguarda, esclarecendo quanto à ressurreição triunfal além da transitoriedade de todas as coisas.

Preenche, de tua parte, a saudade deles no coração, com a lembrança das horas felizes que eles proporcionaram, o bem que fizeram, o que representaram na vida...

Começa a morrer desde que se renasce na carne.

A memória deles te fará feliz e todo o bem que te fizeram, como o amor que lhes destes, será a coroa de luz que terás na vida.

Recorda, por fim que, dominados por imensa saudade, recolhidos e atemorizados, os discípulos reunidos em Jerusalém receberam a visita do inesquecível Amigo que os saudou jubiloso, retornando da morte e felicitando a todos, através dos milênios, com o legado da vitória da vida sobre a desencarnação, como hoje atestam os que venceram o túmulo, retornando, felizes, aos corações amados que se demoram na carne, a repetir "paz seja convosco", qual hino de consolação imortal, que nada consome.

Autor: Joanna de Ângelis
Do livro: Messe de Amor

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