sábado, 25 de setembro de 2010

A providência

A providência, é o espírito superior, é o anjo que vela sobre o infortúnio, é o consolador invisível, cujos fluidos vivificantes sustentam os corações acabrunhados; é o farol aceso na noite para a salvação daqueles que erram no mar tempestuoso da vida. A providência, é ainda, e sobretudo, o amor divino derramando-se em abundância sobre a criatura. E que solicitude, que previdência nesse amor! Não é apenas para a alma, para servir de moldura à sua vida, de teatro para os seus progressos, que ela dependurou os mundos no espaço, acendeu os sóis, formou os continentes e os mares? Somente para a alma, essa grande obra efetua-se, as forças naturais se combinam, os universos eclodem no seio das nebulosas.

A alma é criada para a felicidade; mas essa felicidade, para apreciá-la no seu valor, para conhecer-lhe o preço, deve ela própria conquistá-la e, para isso, desenvolver livremente as potências que nela estão. Sua liberdade de ação e sua responsabilidade aumentam com sua elevação; pois, quanto mais se esclarece, mais pode e deve conformar o jogo de suas forças pessoais às leis que regem o Universo.

Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da morte

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Ante o sofrimento

A problemática dos sofrimentos humanos encontra, na reencarnação, a resposta mais eficaz e a solução legítima, a fim de equacioná-la.

Sendo o espírito herdeiro de si mesmo, em cada etapa do caminho evolutivo consegue resgatar débitos pretéritos ou adicionar experiências com que se credencia a maiores voos na direção da sublimação, que é o fanal de todos nós.

Enquanto jaz ergastulado nas limitações a que se vincula, padece as constrições naturais da própria insipiência, começando em círculo vicioso as conquistas que não lobriga legitimar.

Representando a morte física mudança de estado vibratório, o espírito transfere de uma para outra existência os labores nos quais malogrou ou em que não conseguiu necessariamente concluir a tarefa iniciada.

Não cessa a jornada redentora...

O que agora não se consegue, posteriormente se realiza.

A vida são as contínuas e sucessivas etapas reencarnatórias, em cujo curso cada um é o arquiteto do próprio destino, construtor da desgraça ou da felicidade que todos buscamos.(...)

O que hoje se configura difícil, logo mais ressurge na condição de possibilidade que lhe compete utilizar para a materialização dos objetivos elevados que persegue.(...)

Transforma-se a lagarta em borboleta voejante no ar, e a bolota esmagada no subsolo liberta o carvalho que está miniaturizado na intimidade do seu bojo.

Também o ser imortal...

Logo se desatrelam os liames carnais, o ser imperecível - o espírito - retorna ao seio da vida donde proveio e se integra na paisagem a que pertence: a erraticidade!

Se conseguiu vencer as paixões e os gravames que o maceravam, paira acima e além das vicissitudes.

Se, no entanto, transformou a bênção do corpo em compromisso negativo com a retaguarda, retorna a novo corpo sob a constrição do sofrimento ou da amargura, em clima de sombra ou desesperação para resgatar e crescer.

Jesus, o incomparável herói da renúncia, lecionando a ética libertadora e básica para a legítima felicidade, sintetizou no amor as mais altas aspirações a que nos devemos permitir, como método de construir a felicidade em nós e em torno de nós, sem mácula, sem necessidade de novos recomeços, porquanto, no amor, síntese da vida, estão os semes da misericórdia de Deus, base de todas as coisas...

... E amou de tal forma, que deu a Sua pela nossa vida, como a dizer que a verdadeira felicidade consiste, sim, em amar, porque somente quando se ama se consegue a real plenitude, longe de quaisquer sofrimentos e desditas.

Autor: Joanna de Ângelis
Do livro: Celeiro de Bênçãos

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Estados da Alma

Essa melancolia profunda que chega, sorrateira, e se enraíza no coração, é saudade de regiões mais felizes, onde a dor não mais tem razão de ser, e o espírito aspira por ali viver. Imanado ao corpo, como se estivesse encarcerado em cela estreita, as forças lhe diminuem, fazendo-o cair em abatimento.

Essa tristeza inexplicável, que derrama sombras nas paisagens íntimas, resulta, algumas vezes, de recordações de fatos ditosos, ora distantes, que parecem não mais se repetirão. O espírito, sentindo-se impedido de fugir das algemas carnais, entorpece-se e tomba em desânimo.

Esse desencanto insistente, que tira a coragem de lutar e leva à depressão, provém da consciência do degredo que o espírito experimenta, na Terra, longe dos afetos e da paz que não consegue reencontrar. Sabendo-se em situação penosa, de provação necessária, receia não conquistar a liberdade para voar...

Tais acontecimentos podem tornar a existência mais amarga, extenuando o ser em luta, que lentamente se entrega e exaure.

Há outros motivos de deperecimento emocional, que resultam dos problemas naturais da atual existência, contribuindo para a infelicidade, especialmente quando considerada do ponto de vista imediato.

Surgem, assim, distúrbios psicossociais, desajustamentos emocionais, pertubações orgânicas.

O corpo experimenta essas influências e, às vezes, arruína os equipamentos vitais, ameaçados de desarranjos graves quão funestos.

Resiste com todo o vigor aos variados estados da alma.

Eles terminarão, se perseveram, rompendo as forças da tua bontade e dos elos que mantêm o espírito ligado ao corpo.

Recorda-te de que, após a noite, esplende, luminoso, o dia, como a enfermidade sucede a saúde benfazeja.

É natural que aneles por mais largas conquistas.

Para isso, aqui estás, em luta contínua, ao lado de outros espíritos também necessitados, a fim de que evoluam, qual ocorre contigo mesmo.

Quando concluídas as tuas provações, que deves enfrentar com resolução, liberarás, ditoso, nesses lugares de plenitude, que nos aguardam após as necessárias aflições terrenas.


Autor: Joanna de Ângelis
Do livro: Luz da Esperança

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A questão social e a mulher

A questão social não abarca somente as relações das classes entre si; ela concerne também à mulher de todas as classes, à mulher, essa grande sacrificada, à qual seria justo dar, com o exercício de seus direitos naturais, uma situação digna dela, se quisermos ver a família mais forte, com mais moral e mais unida. A mulher é a alma do lar, é ela que representa os elementos de doçura e de paz na humanidade. Libertada do julgo da superstição, se pudesse fazer ouvir sua voz no conselho dos povos, se sua parte de influência pudesse se fazer sentir, veríamos logo desaparecer o flagelo da guerra.

A filosofia dos espíritos, ensinando que o corpo é a forma de empréstimo e que o princípio da vida está na alma, estabelece a igualdade do homem e da mulher do ponto de vista dos méritos e dos direitos. Os espíritos reservam para a mulher uma grande parte nas suas reuniões e seus trabalhos. Ela aí ocupa mesmo uma situação preponderante, pois é ela que fornece os melhores médiuns, a delicadeza de seu sistema nervoso tornando-a mais apta para preencher esse papel.

Os espíritos afirmam que encarnando-se de preferência no sexo feminino, a alma eleva-se mais rapidamente de vidas para a perfeição. É que a mulher adquire mais facilmente essas virtudes soberanas: a paciência, a doçura, a bondade. Se a razão parece dominar no homem, nela o coração é mais vasto e mais profundo.

A situação da mulher na sociedade é geralmente mais apagada; ela é frequentemente escrava; por isso, é mais elevada na vida espiritual; pois quanto mais um ser é humilhado, sacrificado neste mundo, mais mérito tem diante da eterna justiça; mas seria absurdo tirar pretexto dos gozos futuros para perpetuar as iniquidades sociais. Nosso dever é trabalhar, na medida de nossas forças, para a realização na Terra dos desígnios da providência. Ora, a educação e o engrandecimento da mulher, a extinção do pauperismo, da ignorância e da guerra, a fusão das classes na solidariedade, a organização do globo, todas essas reformas fazem parte do plano divino, que não é outro senão a própria lei do progresso.

Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da morte

domingo, 5 de setembro de 2010

Deus é o supremo juíz

O homem sempre se julgou o senhor da própria vida e, por um delírio, julga-se senhor da vida do próximo também. Bastaria que ele refletisse melhor sobre isso, para entender que é um direito falso o de dispor da vida do seu próximo ou mesmo pôr termo às suas lutas.

Ao espiritista, este assunto é de profundo interesse, pois muitas vezes, embora não se declare formalmente que o próximo deva desencarnar, encontramos criatura, mesmo que no meio espírita, que julgam ser o momento adequado para que este ou aquele companheiro pare de sofrer.

A Lei de Deus, entretanto, ignora tais apelos e faz prosseguir sua justiça junto àqueles que sofrem, e sofrem porque procuram resgatar suas dívidas de outras vidas.

Concebamos, na nossa existência, que cada um de nós passa adequadamente pelas lutas e pelos sofrimentos de que precisa. Busquemos aliviar, busquemos cooperar, busquemos ensinar, busquemos ajudar e estimular, mas sempre guardemos no coração a certeza absoluta de que Deus é o supremos juiz para decidir sobre a continuidade ou não das lutas de cada um.

Que, de nossa parte, saibamos respeitar a Lei de Deus, para que amanhã não venhamos a chorar por tê-la desrespeitado.

Que Deus a todos nos ajude, abençoe e conduza, hoje e sempre!

Muita paz!


Autor: Hermann
Do livro: Palavras do coração, Volume 2

Perante os sonhos

Encarar com naturalidade os sonhos que possam surgir durante o descanso físico, sem preocupar-se aflitivamente com quaisquer fatos ou idéias que se reportem a eles.

Há mais sonhos na vigília que nosso sono natural.

Extrai sempre os objetivos edificantes desse ou daquele painel entrevisto em sonho.

Em tudo há sempre uma lição.

Repudiar as intrerpretações superticiosas que pretendam correlacionar os sonhos com jogos de azar e acontecimentos mundanos, gastando preciosos recursos e oportunidades da existência em preocupação viciosa e fútil.

Objetivos elevados, tempo aproveitado.

Acautelar-se quanto às comunicações inter vivos, no sonho vulgar, pois, conquanto o fenômeno seja real, a sua autenticidade é bastante rara.

O espírito encarnado é tanto mais livre no corpo denso, quanto mais escravo se mostre aos deveres que a vida lhe preceitua.

Não se prender demasiadamente aos sonhos de que se recorde ou às narrativas oníricas de que se faça ouvinte, para não descer ao terreno baldio da extravagância.

A lógica e o bom senso devem presidir a todo raciocínio.

Preparar um sono tranquilo pela consciência pacificada nas boas obras, acendendo a luz da oração, antes de entregar-se ao repouso normal.

A inércia do corpo não é calma para o espírito aprisionado à tensão.

Admitir os diversos tipos de sonhos, sabendo, porém, que a grande maioria deles se originam de reflexos psicológicos ou transformações relativas ao próprio campo orgânico.

O espírito encarnado e o corpo que o serve respiram em regime de reciprocidade no meio das vibrações.


Autor: André Luiz
Do livro: Conduta espírita

O estudo

A maioria dos homens diz amar o estudo e objeta que lhe falta tempo para isso dedicar. Entretanto, muitos dentre eles, consagram noites inteiras ao jogo, às conversações ociosas. Replica-se, também, que os livros custam caro, e, entretanto, despende-se em prazeres fúteis e de mau gosto mas dinheiro do que seria necessário para se compor uma rica coleção de obras. E, além disso, o estudo da Natureza, o mais eficaz, o mais reconfortante de todos, não custa nada.

A ciência humana é falível e variável. A Natureza, não. Ela não se desmente nunca. Nas horas de incerteza e de desencorajamento, voltemo-nos para ela. Como uma mãe, acolhernos-á, sorrirá para nós, embalar-nos-á em seu seio. Ela nos falará numa linguagem simples e terna, da qual a verdade surgirá sem disfarce, sem afetações; mas essa linguagem pacífica, bem poucos sabem ouvi-la, compreendê-la. O homem traz consigo, no mais íntimo de seu ser, suas paixões, suas agitações internas, cujos ruídos abafam o ensino íntimo da Natureza. Para discernir a revelação imanente no seio das coisas, é preciso impor silêncio às quimeras do mundo, a essas opniões turbulentas que pertubam nossas sociedades; é preciso recolher-se, fazer a paz em si e em torno de si. Então, todos os ecos da vida pública se calam; a alma volta para si mesma, retorna o sentimento da Natureza, ds leis eternas, e comunica-se com a razão suprema.


Autor: Léon Denis
Do livro:Depois da Morte

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Afinidade

O homem permanece envolto em largo oceano de pensamentos, nutrindo-se de substância mental, em grande proporção.

Toda criatura absorve, sem perceber, a influência alheia nos recursos imponderáveis que lhe equilibram a existência.

Em forma de impulsos e estímulos, a alma recolhe, nos pensamentos que atrai, as forças de sustentação que lhe garantem as tarefas no lugar em que se coloca.

O homem poderá estender muito longe o raio de suas próprias realizações, na ordem material do mundo, mas, sem a energia mental na base de suas manifestações, efetivamente nada conseguirá.

Sem os raios vivos e diferenciados dessa força, os valores evolutivos dormiriam latentes, em todas as direções.

A mente, em qualquer plano, emite e recebe, dá e recolhe, renovando-se constantemente para o alto destino que lhe compete atingir.

Estamos assimilando correntes mentais, de maneira permanente.

De modo imperceptível, “ingerimos pensamentos,” a cada instante, projetando, em torno de nossa individualidade, as forças que acalentamos em nós mesmos(...)

Princípios idênticos regem as nossas relações uns com os outros, encarnados e desencarnados.

Conversações alimentam conversações.

Pensamentos ampliam pensamentos.

Demoramo-nos com quem se afina conosco.

Falamos sempre ou sempre agimos pelo grupo de espíritos a que nos ligamos.

Nossa inspiração está filiada ao conjunto dos que sentem como nós, tanto quanto a fonte está comandada pela nascente.

Somos obsidiados por amigos desencarnados ou não e auxiliados por benfeitores, em qualquer plano da vida, de conformidade com a nossa condição mental.

Daí, o imperativo de nossa constante renovação para o bem infinito.

Trabalhar incessantemente é dever.

Servir é elevar-se.

Aprender é conquistar novos horizontes.

Amar é engrandecer-se.

Trabalhando e servindo, aprendendo e amando, a nossa vida íntima se ilumina e se aperfeiçoa, entrando gradativamente em contacto com os grandes gênios da imortalidade gloriosa.


Autor: Emmanuel
Do livro: Roteiro

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