domingo, 31 de outubro de 2010

Em favor dos desencarnados

Não te encerres no passado, com a suposição de honrar a vida. Cada tempo da criatura na Terra se caracteriza por determinada grandeza, que não será lícito falsear. A infância tem a suavidade da semente que germina; a juventude guarda o encanto da flor que desabrocha e a madureza apresenta a glória tranquila da árvore frutescente.

Não julgues que ames a alguém sem que lhe compreendas as necessidades de cada período da existência. A isso nos reportamos a fim de que ajudes positivamente aos seres queridos que te precederam na grande romagem da desencarnação. Sem dúvida, agradecem eles o carinho com que lhes conservas o retrato da forma física ultrapassada; contudo, ser-te-ão muito mais reconhecidos sempre que lhes reconstituas a presença através de algum ato de bondade a favor de alguém, cuja memória agradecida lhes recorde o semblante em momentos de alegria e amor, que nem sempre no mundo puderam cultivar. Decerto, sensibilizam-se ante a flor que lhes ofertas às cinzas, mas se regozijam muito mais com o socorro que faças a quem sofre, doado em nome deles, pelo qual se sentem mais atuantes e mais vivos, junto daqueles que ficaram...

Quando mentalizes os supostos desaparecidos na voragem da morte, pensa neles do ponto de vista da imortalidade e do progresso. Um coração materno tem o direito de guardar por relíquias as roupas enfeitadas e curtas dos filhinhos que acalentou no berço, mas seria loucura impor-lhes a obrigação de usá-las, depois de homens feitos, sob o pretexto de que somente assim lhe retribuirão devotamento e ternura.

Reverencia aqueles que partiram na direção da vida maior, mas converte saudade e pesar em esperança e serviço ao próximo, trabalhando com eles e por eles, em termos de confiança e reconforto, bondade e união, porquanto eles todos, acima de tudo, são companheiros renovados e ativos, aos quais fatalmente, um dia, te reunirás.


Autor: Emmanuel
Do livro: Encontro Marcado

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Paciência

Se o orgulho é o pai de uma multidão de vícios, a caridade gera muitas virtudes. Desta derivam a paciência, a doçura, a reserva nas intenções. É fácil para o homem caridoso ser paciente e doce, perdoar as ofensas que lhe são feitas. A misericórdia é companheira da bondade. Uma alma elevada não pode conhecer o ódio, nem praticar a vingança. Ela plana acima dos mesquinhos rancores: é do alto que se observa as coisas. Compreendendo que os erros dos homens são apenas o resultado de sua ignorância, não concebe nem amargor, nem ressentimento. Sabe que perdoar, esquecer os erros do próximo, é anular qualquer gérmen de inimizade, é apagar toda causa de discórdia no futuro, tanto na Terra quanto na vida do espaço.

A caridade, a mansuetude, o perdão das injúrias tornam-nos invulneráveis, insensíveis às baixezas e as perfídias. Provocam nosso desligamento progressivo das vaidades terrestres e habituam-nos a dirigir noso olhar para as coisas que a decepção não pode atingir.

Perdoar é o dever da alma que aspira os planos elevados. Quantas vezes não tivemos nós próprios necessidadede desse perdão? Quantas vezes não o pedimos? Perdoemos para que sejamos perdoados! Não poderemos obter para nós o que recusamos aos outros. Se queremos vingar-nos, que seja através de boas ações. O bem feito a quem nos ofende, desarma nosso inimigo. Seu ódio se transforma em espanto, e seu espanto em admiração. Despertando sua consciência adormecida. Essa lição pode produzir nele uma impressão profunda. Através desse meio, esclarecendo-o, talvez tenhamos arrancado uma alma da pervesidade.

O único mal que se deve assinalar e combater, é aquele que recai sobre a sociedade. Quanto se apresenta sob a forma de hiprocrisia, de duplicidade, de mentira, devemos desmascará-lo, pois outras pessoas poderão sofrer por isso, mas é bom silenciar sobre o que atinge unicamente nossos interesses ou nosso amor-próprio.


Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Aceitemos a dor

Aceitemos realmente a dor na condição de apoio celeste com que a divina providência nos enriquece o caminho.

Toda a Natureza para ajudar a experiência do homem, alimentando-o e amparando-o, padece constantes dilacerações.

Para transformar-se em sementeira proveitosa, morre o grão esquecido no solo.

Para converter-se a espiga em farinha, humilha-se, asfixiada, sob a mó que a tritura.

Para dar-se em pão abençoado à mesa, submete-se a farinha à elevada tensão do forno.

Para servir no levantamento do edifício, sofre a pedra a pressão do martelo.

Para oferecer-se em beleza e brilho, obedece o seixo bruto ao buril que o aprimora.

Para responder às necessidades do conforto, desce o tronco aos insultos da lâmina.

Para contribuir no progresso, encontra o metal as injúrias do fogo.

A responsabilidade na oficina do caráter, é luz que engrandece todo espírito que lhe arende as obrigações.

Não lamentes a dificuldade e nem amaldiçoes o sofrimento que porventura te busquem.

Não temas a dor, na escola da vida, e recolhe, em silêncio, as bênçãos de que se faz emissária.

Não te enganes com as aparências.

Quando te vejas no usufruto dessa ou daquela promoção, atento às circunstâncias do mundo, às imposições dos que te cercam ou ás convenções em que a existência se te condiciona, escolhe a ssenda da abnegação, em auxílio aos outros, porque o Senhor nos ensinou, em espírito e verdade, que somente a preço do esforço máximo pela vitória do bem com o esquecimento de todo egoísmo, é que escalaremos o monte da paz com a nossa própria renovação.

Autor: Emmanuel
Do livro: Nascer e renascer

domingo, 24 de outubro de 2010

Amparo Espiritual

Amparo Espiritual
No plano físico, onde apareça a cultura social, multiplicam-se dispositivos de segurança contra desastres.

Isso, porém, deve igualmente ocorrer no reino da alma.

Se já acordaste para o conhecimento superior, caminhas à frente com a função de guiar.

Convence-te de que quanto mais se te amplie o aperfeiçoamento íntimo, mais dilatado o número dos olhos e ouvidos que te procuram ver e escutar, de vez que todos aqueles que se afinam contigo, em subalternidade espiritual, passam, mecanicamente, à condição de aprendizes que te observam.

Não te descuides, pois, do amparo aos que te acompanham no educandário da vida, entendendo-se que existem quedas de pensamento determinando lamentáveis acidentes de espírito.

Em toda situação, seleciona palavras e atitudes que possam efetivamente ajudar.

Antes as falhas alheias, não procedas irrefletidamente, censurando ou aprovando isso ou aquilo, sem análise justa, a pretexto de assegurar harmonia, mas define-te com bondade, providenciando corretivos aconselháveis, sem alarde e sem aspereza.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Resignação na Adversidade

Consolem-se, pois, todos vocês, ignorados, que sofrem na sombra de males cruéis, e vocês que são desprezados pela sua ignorância e suas faculdades restritas. Aprendam que entre vocês, encontram-se grandes espíritos, que quiseram renascer ignorantes para humilharem-se, abandonando por um tempo suas faculdades brilhantes, suas atitudes, seus talentos. Muitas inteligências são veladas pela expiação; mas, com a morte, esses véus caem, e aqueles que desdenhávamos pelo seu pouco saber, eclipsarão os orgulhosos que os repudiavam. É preciso não desprezar a ninguém. Sob aparências humildes e medíocres e até entre os idiotas e os loucos, grandes espíritos ocultos na carne expiam um passado terrível.

Oh! vidas humildes e dolorosas, temperadas com lágrimas, santificadas pelo dever, vidas de lutas e de renúncia, existências de sacrifício pela família, pelos fracos,os pequenos; devotamentos desconhecidos, abnegações ignoradas, mais meritórias que os devotamentos célebres, vocês são outras tantas escadas que conduzem a alma à felicidade! É a vocês, é aos obstáculos, às humilhações das quais estão semeadas que ela deve sua pureza, sua força, sua grandeza. Com efeito, somente nas angústias de cada dia, nas imolações impostas, ensinam-lhe a paciência, a resolução, a constância, toda a sublimidade da virtude, e ela deverá a vocês a auréola esplêndida, prometida no espaço para a fronte daqueles que sofreram, lutaram e venceram.


Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte

Cristãos sem Cristo

"Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados que eu vos aliviarei." - Jesus - Mateus, 11:28.

Reverencia o Divino Mestre, com todas as forças da alma, entretanto, não menosprezes honrá-lo na pessoa dos semelhantes.

Guarda-lhe as memórias entre flores de carinho, mas estende os braços aos que clamam por ele, entre os espinhos da aflição.

Esculpe-lhes as reminiscências nas obras-primas da estatuária, sem qualquer intuito de idolatria, satisfazendo aos ideais de perfeição que a beleza te arranca aos sonhos de arte, no entanto, socorre, pensando nele, aos que passam diante de ti, retalhados pelo cinzel oculto do sofrimento.

Imagina-lhe o semblante aureolado de amor, ao fixá-lo nas telas em que se te corporifiquem os anseios de luz, mas suaviza o infortúnio dos que esperam por ele, nos quadros vivos da angústia humana.

Proclama-lhe a glória imperecedoura no verbo eloquente, mas deixa que a sinceridade e a brandura te brilhem na boca, asserenando, em seu nome, os corações atormentados que duvidam e se pertubam entre as sombras da Terra.

Grave-lhe os ensinamentos inesquecíveis, movimentando a pena que te configura as luminosas inspirações, no entanto, assinalada as diretrizes dele com energia renovadora dos teus próprios exemplos.

Dedica-lhe os cânticos de fidelidade e louvor que te nascem da gratidão, mas ouve os apelos dos que jazem detidos nas trevas, suplicando-lhes liberdade e esperança.

Busca-lhe a presença, no culto da prece, rogando-lhe apoio e consolação, no entanto, oferece-lhe mãos operosas no auxílio aos que varam o escuro labirinto da agonia moral, para os quais essa ou aquela ninharia de tuas facilidades constitui novo estímulo à paciência.

Através de numerosas reencarnações, temos sido cristãos sem Cristo(...)

Agora que a Doutrina Espírita no-lo revela por mentor claro e direto da alma, ensinando-nos a responsabilidade de viver, é imperioso saibamos dignificá-lo na própria consciência, acima de quaisquer demonstrações exteriores, procurando refleti-lo em nós mesmos. Entretanto, para que isso aconteça, é preciso, antes de tudo, matricular o raciocínio na escola da caridade, que será sempre a mestra sublime do coração.


Autor: Emmanuel
Do livro: Livro da Esperança

sábado, 9 de outubro de 2010

Ânimo sempre

Trazemos a todos uma palavra de encorajamento, para que ninguém desista de lutar, de trabalhar no bem, de vencer o mal que teima em permanecer junto aos nossos corações humanos.

Tu que lutas, que sofres; tu que trabalhas não te esqueças: estás amparado por Deus e por Jesus. Se por acaso as dificuldades e os problemas forem tão grandes que te pareçam insuperáveis, recorda-te sempre da bondade de Deus, que vela por todos nós. Não te deixes abater nem te deixes amorfinar! Deus é o Pai, e as lutas hão de encontrar fim um dia.


Diante de homens que agem de modo inconsiderado e diante das nações que agem altaneiras sobre outras nações, dominando-as e tomando-lhes à força as riquezas, não esqueçam: tudo passa, tudo segue. Os homens já se pertubaram muito e passaram também. Aqueles outros que souberam permanecer venceram, superaram, caminharam na direção do bem permanente.

Que todos nós que estamos aqui, envolvidos nas tarefas do estudo e da paz, não nos esqueçamos de que tudo passa, menos Deus.

Que ele nos ajude, abençoe e fortaleça, e que dê a todos a confiança, a certeza de que o bem será feito, a despeito de todos os gestos contrários!

Que Deus fique conosco, agora e sempre!


Autor: Hermann
Do Livro: Palavras do Coração, vol 2

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Assim falou Jesus

Disse o Mestre: "buscai e achareis".

Mesmo nos céus, você pode fixar a atenção na sombra da nuvem ou no brilho da estrela.

Afirmou o Senhor: "cada árvore é conhecida pelos frutos".

Alimentar-se com laranja ou intoxicar-se com pimenta é problema seu.

Proclamou o Cristo: "orai e vigiai para não entrades em tentação, porque o espírito, em verdade, está pronto, mas a carne é fraca".

O espírito é o futuro e a vitória final, mas a carne é o nosso próprio passado, repleto de compromissos e tentações.

Ensinou o Mestre Divino: "não condeneis e não sereis condenados".

Não critique o próximo, para que o próximo não critique você.

Falou Jesus: "quem se proponha conservar a própria vida, perdê-la-á".

Quando o arado descansa, além do tempo justo, encontra a ferrugem que o desgasta.

Disse o Mestre: "não vale para o homem ganhar o mundo inteiro, se perder sua alma".

A criatura faminta de posses e riquezas materiais, sem trabalho e sem proveito, assemelha-se, de algum modo, a pulga que desejasse um cão para si só.

Afirmou o Senhor: "não é o que entra pela boca que contamina o espírito".

A pessoa de juízo são, come o razoável para rendimento da vida, mas os louco ingerem substâncias desnecessárias para rendimento da morte.

Ensinou o Mentor divino: "andai enquanto tendes luz".

O corpo é a máquina para a viagem do progresso e todo relaxamento corre por conta do maquinista.

Proclamou o Cristo: "orai pelos que vos perseguem e caluniam".

Interessar-se pelo material dos caluniadores é o mesmo que se adornar você, deliberadamente, com uma lata de lixo.

Falou Jesus: "a cada um será concedido segundo as próprias obras".

Não se preocupe com os outros, a não ser para ajudá-los; pois a Lei de Deus não conhece você pelo que você observa, mas simplesmente através daquilo que você faz.

Autor: André Luiz
do livro: O Espírito da Verdade

A prece

A prece é o pensamento voltado para o bem, o fio luminoso que prende os mundos obscuros aos mundos divinos, os espíritos encarnados às almas livres e radiosas. Desdenhá-la é desdenhar a única força que nos arranca do conflito das paixões e dos interesses, transporta-nos acima das coisas que se transformam e nos une ao que é fixo, permanente, imutável no Universo.

Ao invés de repelir a prece, em virtude dos abusos dos quais foi objeto, não seria melhor utilizá-la com sabedoria e equilíbrio? ao final de cada dia, antes de nos abandonarmos ao repouso, voltemos para nós mesmos, examinemos com cuidado nossas ações. Saibamos condenar as más, a fim de evitar-lhe o retorno, e aplaudamos tudo o que fizemos de útil e de bom. Peçamos à suprema sabedoria para nos ajudar a realizar em nós e em torno de nós a beleza moral e perfeita. Longe da Terra, elevemos nossos pensamentos. Que nossa alma atire-se, alegre e amável, para o eterno! Ele descerá novamente dessas alturas com tesouros de paciência e de coragem, que tornar-lhe-ão fáceis o cumprimento de seus deveres, sua tarefa de aperfeiçoamento.

Se, na sua impotência para exprimir nossos sentimentos, precisamos absolutamente de um texto, uma fórmula, digamos:

"Meu Deus, tu que és grande, tu que és tudo, deixa cair sobre mim, pequeno, sobre mim que só existo porque tu o quiseste, um raio de luz. Faz com que, invadido pelo teu amor, eu ache o bem fácil, o mal odioso; que animado pelo desejo de agradar-te, meu espirito supre os obstáculos que se opõem ao triunfo da verdade sobre o erro, da fraternidade sobre o egoísmo; faz com que, em cada companheiro de provação, eu veja um irmão, como tu vês um filho em cada um dos seres que emanam de ti e devem retornar a ti. Dá-me o amor pelo trabalho, que é o dever de todos na Terra, e, com ajuda da tocha que colocaste ao meu alcance, esclarece-me sobre as imperfeições que retardam meu adiantamento nessa vida e na outra."


Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Em permanente sintonia

Muitos gostariam que o programa de ascenção fosse de fácil vencimento.

Alguns cristãos de fé renovada supõem que a elevação é tarefa de um dia e para tanto se empolgam na eleboração de roteiros precipitados, como se o triunfo fosse resultante de um só golpe(...)

Não faltam aqueles que aderem às correntes de fé, como se estivessem fugindo aos compromissos redentores, na ansiedade de receberem graças e dons, que se encontram distante de merecer(...)

Persevera tu. Cristifica-te na senda iluminativa de instante a instante.

Jesus galgou o acume do Tabor para orar demoradamente por uma noite inteira, a fim de resplandecer alvinitente na madrugada de ouro diante dos vultos venerandos da raça na qual se apresentou na carne! Depois desceu aos homens para atender ao tumulto dos sofredores, nas valas redentoras da escola física,

Diária e constantemente os Espíritos Excelsos descem esperando que os homens subam até eles. Essa mesma lição eloquente no-la deu o Senhor, subindo para se encontrar com os seus tutelados, depois descendo a ensinar silenciosamente a execução do verbo amar na prática da solidariedade.

Estevão, antes de cantar a melodia rutilante da boa-nova, meditou, enquanto a enfermidade o minava, na enxerga humílima da Casa do Caminho, para se tornar depois o herói do verbo santo.

Paulo, antes de entoar a sinfonia clarificadora do Evangelho, fez um exame acurado de si mesmo em três longos anos de meditação no deserto, para sacudir, mais tarde, com o seu verbo flamívomo, os alicerces do velho mundo e tornar-se arauto da verdade(...)

E allan Kardec, o mensageiro do Consolador, acurou meditações e laborou infatigável até o momento de fazer rutilar as gemas preciosas da Doutrina Espírita, que depositou na cabeça da humanidade como coroa de jóias coruscantes e invulgares...

Galga, servidor do Cristo, a montanha das dificuldades ou das pelejas e ora demoradamente no planalto da fé, até que os corifeus da verdade te clarifiquem a alma, impulsionando-te à descida para a luta de todos os dias, em sintonia permanente com Deus.

Autor: Joanna de Ângelis
Do livro: Lampadário Espírita

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