quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A parábola relembrada

Depois da parábola do bom samaritano, à noite, em casa de Simão, Tadeu, sinceramente interessado no assunto, rogou ao Mestre fosse mais explícito no ensinamento, e Jesus, com a espontaneidade habitual, falou:

- Um homem enfermo jazia no chão, em esgares de sofrimento, às portas de grande cidade, assistido por pequena massa popular menos esclarecida e indiferente.

"Passou por ali um moço romano de coração generoso, em seu carro, apressado, e atirou-lhe duas moedas de prata, que um rapazejo de maus costumes subtraiu às ocultas.

"Logo após, transitou pelo mesmo local um venerando escriba da Lei, que, alegando serviços prementes, prometeu enviar autoridades em benefício do mendigo anônimo.

"Quase de imediato, desfilou por ali um sacerdote que lançou ao viajante desamparado um gesto de bênção e, afirmando que o culto ao Supremo Senhor esperava por ele, exortou o povo a asilar o doente e alimentá-lo.

"Depois dele, surgiu, de relance, respeitável senhora, a quem o pobre se dirigiu em comovedora súplica; todavia, a nobre matrona, lastimando as dificuldades da sua condição de mulher, invocou o cavalheirismo masculino para aliviá-lo, como se fazia imprescindível(...)

"O doente tremia e suava de dor, rojado ao pó, quando surgiu ali velho publicano, considerado de má vida por não adorar o Senhor segundo as regras dos fariseus. Com espanto de todos, aproximou-se do infeliz, endereçou-lhe palavras de encorajamento e carinho, deu-lhe o braço, levantou-o e, sustentando-o com as próprias energias, conduziu-o a uma estalagem de confiança, fornecendo-lhe medicação adequada e dividindo com ele o reduzido dinheiro que trazia consigo. Em seguida, retomou sua jornada, seguindo tranquilamente o seu caminho".

Depois de interromper-se, ligeiramente, o Mestre perguntou ao discípulo:

- Em tua opinião, quem exerceu a caridade legítima?

- Há! sem dúvida - exclamou Tadeu, bem humorado -, embora aparentemente desprezível, foi o publicano, porquanto, além de dar o dinheiro e a palavra, deu também o sentimento, o tempo, o braço e o estímulo fraterno, utilizando, para isso, as próprias forças.

Jesus, complacente, fitou no aprendiz os olhos penetrantes e rematou:

- Então, faze tu o mesmo. A caridade, por substitutos, indiscutivelmente é honrosa e louvável, mas o bem que praticamos em sentido direto, dando de nós mesmos, é sempre o maior e o mais seguro de todos.


Autor: Neio Lúcio
Do livro: Jesus no Lar

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O talismã divino

Entabularam os familiares interessante palestra acerca das faculdades sublimes de que o Mestre dava testemunho amplo, curando loucos e cegos, quando Salomé, a zelosa genitora de João e Tiago, indagou, sem preâmbulos:

- Senhor, terás contigo algum talismã de cuja virtude possamos desfrutar? Algum objeto mágico que nos possa favorecer?

Jesus pousou na matrona de olhos penetrantes e falou, risonho:

Realmente, conheço um talismã de maravilhoso poder. Usando-lhe os milagrosos recursos, é possível iniciar a aquisição de todos os dons de nosso Pai. Oferece a descoberta de tesouros do amor que resplandecem ao redor de nós, sem que lhe vejamos, de pronto, a grandeza. Descortina o entendimento, onde a desarmonia castiga os corações. Abre a porta às revelações da Arte e da Ciência. Estende possibilidades de luminosa comunhão com as fontes divinas da vida. Convida à bênção da meditação nas coisas sagradas. Reata relações de companheiros em discordância. Discerra passagens de luz aos espíritos que se demoram nas sombras. Permite abençoadas sementeiras de alegria. Reveste-se de mil oportunidades de paz com todos. Indica vasta rede de trilhos para o trabalho salutar. Revela mil modos de enriquecer a vida que vivemos. Facilita o acesso da alma ao pensamento dos grandes mestres. Dá comunicações com os mananciais celestes da intuição.

- Que mais? - disse o Senhor, imprimindo ênfase à pergunta.

E, após complacente, continuou:

- Sem esse divino talismã, é impossível começar qualquer obra de luz e paz na Terra.

Os olhos dos ouvintes permutavam expressões de assombro, quando a esposa de Zebedeu inquiriu, espantada:

- Mestre, onde poderemos adquirir semelhante bênção? Dize-nos. Precisamos desse acumulador de felicidade.

O Cristo, então, acrescentou, bem-humorado:

- Esse bendito talismã, salomé, é propriedade comum a todos. É "a hora que estamos atravessando"... Cada minuto de nossa alma permanece revestido de prodigioso poder oculto, quando sabemos usá-lo no infinito bem, porque toda grandeza e toda decadência, toda vitória e toda ruína são iniciadas com a colaboração do dia.

E, diante da perplexidade de todos, rematou:

- O tempo é divino talismã que devemos aproveitar.


Autor: Neio Lúcio
Do livro: Jesus no Lar

domingo, 12 de dezembro de 2010

O Auxílio Mútuo

Diante dos companheiros, André leu expressivo trecho de Isaías e falou, comovido, quanto as necessidades da salvação(...)

Jesus ouvia os apóstolos em silêncio e, quando as discussões, em derredor, se enfraqueceram, comentou, muito simples:

- Em zona montanhosa, através de região deserta, caminhavam dois velhos amigos, ambos enfermos, cada qual a defender-se, quanto possível, contra os golpes do ar gelado, quando foram surpreendidos por uma criança simimorta, na estrada, ao sabor da ventania de inverno.

"Um deles fixou o singular achado e clamou, irritadiço: "- Não perderei tempo. A hora exige cuidado para comigo mesmo. Sigamos à frente.

"Outro, porém, mais piedoso, considerou:

"- Amigo, salvemos o pequenino. É nosso irmão em humanidade.

"- Não posso - disse o companheiro, endurecido -, sinto-me cansado e doente. Este desconhecido seeria um peso insuportável. Temos frio e tempestade. Precisamos ganhar a aldeia próxima sem perda de minutos.

"E avançou para diante em largas passadas.

"O viajor de bom sentimento, contudo, inclinou-se para o menino estendido, demorou-se alguns minutos colando-o paternalmente ao próprio peito e, aconchegando-o ainda mais, marchou adiante, embora menos rápido.

"A chuva gelada caiu, metódica, pela noite dentro, mas ele, sobraçando o valioso fardo, depois de muito tempo atingiu a hospedaria do povoado que buscava. Com enorme surpresaa, porém, não encontrou aí o colega que o precedera. Somente no dia imediato, depois de minuciosa procura, foi o infeliz viajante encontrado sem vida num desvão do caminho alagado.

"Seguindo à pressa e a sós, com a idéia egoística de presevar-se, não resistiu à onda de frio que se fizera violenta e tombou encharcado, sem recursos com que pudesse fazer face ao congelamento, enquanto o companheiro, recebendo, em troca, o suave calor da criança que sustentava junto do próprio coração, superou os obstáculos da noite frígida, guardando-se indene de semelhante desastre. Descobrira a sublimidade do auxílio mútuo... Ajudando ao menino abandonado, ajudara a si mesmo. Avançando com sacrifício para ser útil a outrem, conseguira triunfar dos percalços da senda, alcançando as bênçãos da salvação recíproca"(...)

Foi então que Jesus, depois de curto silêncio, concluiu expressivamente:

Ajudando, seremos ajudados. Dando, receberemos: esta é a Lei Divina.


Autor: Neio Lúcio
Do livro: Jesus no Lar

sábado, 4 de dezembro de 2010

A lição da semente

Diante da perplexidade dos ouvintes, falou Jesus, convincente:

- Em verdade, é muito difícil vencer os aflitivos cuidados da vida humana. Para onde se voltem nossos olhos, encontramos a guerra, a incompreensão, a injustiça e o sofrimento. No Templo, que é o Lar do Senhor, comparecem o orgulho e a vaidade nos ricos, o ódio e a revolta nos pobres. Nem sempre é possível trazer o coração puro e limpo, como seria de desejar, porque há espinheiros, lamaçais e serpentes que nos rodeiam. Entretanto, a idéia do Reino Divino é assim como a semente minúscula do trigo. Quase imperceptível é lançada à terra, suportando-lhe o peso e os detritos, mas, se germina, a pressão e as impurezas do solo não lhe paralisam a marcha. Atravessa o chão escuro e, embora dele retire em grande parte o próprio alimento, o seu impulso de procurar a luz de cima é dominante. Deste então, haja sol ou chuva, faça dia ou noite, trabalha sem cessar no próprio crescimento e, nessa ânsia de subir, frutifica para o bem de todos. O aprendiz que sentiu a felicidade do avivamento interior, qual ocorre à semente de trigo, observa que as longas raízes o prendem às inibições terrestres... Sabe que a maldade e a suspeita lhe rondam os passos, que a dor é ameaça constante; todavia, experimenta, acima de tudo, o impulso de ascenção e não mais consegue deter-se. (...)Sem perceber, produz frutos de esperança, bondade, amor e salvação, porque jamais recua para contar os benefícios de que se fez instrumento fiel. A visão do Pai é a preocupação obcecante que lhe vibra na alma de filho saudoso.

O Mestre silenciou por momentos e concluiu:

- Em razão disso, ainda que o discípulo guarde os pés encarcerados no lodo da Terra, o trabalho infatigável no bem, no lugar em que se encontra, é o traço indiscutível de sua elevação. Conheceremos as árvores pelos frutos e identificaremos o operário do Céu pelos serviços em que se exprime.

A essa altura, Pedro interferiu, perguntando:

- Senhor: que dizer, então, daqueles que conhecem os sagrados princípios da caridade e não os praticam?

Esboçou Jesus manifesta satisfação no olhar e elucidou:

- Estes, Simão, representam sementes que dormem, apesar de projetadas no seio dadivoso da terra. Guardam consigo preciosos valores do Céu, mas jazem inúteis por muito tempo. Estejamos, porém, convictos de que os aguaceiros e furacões passarão por elas, renovando-lhes a posição no solo, e elas germinarão, vitoriosas, um dia. Nos campos de nosso Pai, há milhões de almas assim, aguardando as tempestades renovadoras da experiência, para que se dirijam à glória do futuro. Auxiliemo-las com amor e prossigamos, por nossa vez, mirando a frente!

Em seguida, ante o silêncio de todos, Jesus abençoou a pequena assembléia familiar e partiu.

Autor: Neio Lúcio
Do livro: Jesus no Lar

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Humildade: Amor no coração

Falando das necessidades que o homem possui basicamente, Jesus nos chamou a atenção para o grande sentimento que é o amor. Não se pode ter a noção de humildade de espírito sem que tenha o amor no coração. Só podemos doar-nos, entender o nosso próximo, suas dificuldades, seu problemas, só podemos fazer aquilo que o mundo chama de quitar-se diante de uma pessoa arbitrária, só podemos trazer dentro de nós a capacidade de calar a boca, deixando que o outro fale, quando temos amor no coração. Se não for assim, o homem poderá até mesmo tornar-se submisso, mas o fará por medo, por acomodação, por desejar não enfrentar o próximo, nunca por humildade de espírito, na concepção crística.

Na concepção de Jesus, humildade de espírito passa, inegavelmente, pela noção de amor ao semelhante, somente quando somos capazes de compreender a necessidade do próximo, somente quando temos verdadeiramente condição de entender superiormente os problemas dos outros é que carregamos conosco as marcas do equilíbrio, da bondade que nos faz ter a chamada pobreza de espírito no dizer evangélico. Por aí se vê que a pobreza de espírito de que nos fala o Evangelho nada tem a ver com a classe social que o homem ocupe, mas, sim, com a noção que ele mesmo tenha da vida espiritual, da sua própria existência e do amor de Deus.

Às vezes, o indivíduo, por ser manso, por ser pacífico, é chamado de pobre de espírito, quando na realidade é apenas uma pessoa quieta. Na acepção crística, portanto, pobre de espírito é o ser que traz tanto amor no coração, que não se deixa envolver pelos sentimentos cruéis ou negativos, ou até mesmo sofredores, daquele que o procura atingir.

Pensemos nisso, meus irmãos, e elevemos os nossos pensamentos, no sagrado propósito de aprender para entender e entender para praticarmos os ensinamentos do Senhor e Mestre Jesus.


Autor: Balthazar
do livro: Pela graça infinita de Deus - Vol. 1

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