segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O talismã divino

Entabularam os familiares interessante palestra acerca das faculdades sublimes de que o Mestre dava testemunho amplo, curando loucos e cegos, quando Salomé, a zelosa genitora de João e Tiago, indagou, sem preâmbulos:

- Senhor, terás contigo algum talismã de cuja virtude possamos desfrutar? Algum objeto mágico que nos possa favorecer?

Jesus pousou na matrona de olhos penetrantes e falou, risonho:

Realmente, conheço um talismã de maravilhoso poder. Usando-lhe os milagrosos recursos, é possível iniciar a aquisição de todos os dons de nosso Pai. Oferece a descoberta de tesouros do amor que resplandecem ao redor de nós, sem que lhe vejamos, de pronto, a grandeza. Descortina o entendimento, onde a desarmonia castiga os corações. Abre a porta às revelações da Arte e da Ciência. Estende possibilidades de luminosa comunhão com as fontes divinas da vida. Convida à bênção da meditação nas coisas sagradas. Reata relações de companheiros em discordância. Discerra passagens de luz aos espíritos que se demoram nas sombras. Permite abençoadas sementeiras de alegria. Reveste-se de mil oportunidades de paz com todos. Indica vasta rede de trilhos para o trabalho salutar. Revela mil modos de enriquecer a vida que vivemos. Facilita o acesso da alma ao pensamento dos grandes mestres. Dá comunicações com os mananciais celestes da intuição.

- Que mais? - disse o Senhor, imprimindo ênfase à pergunta.

E, após complacente, continuou:

- Sem esse divino talismã, é impossível começar qualquer obra de luz e paz na Terra.

Os olhos dos ouvintes permutavam expressões de assombro, quando a esposa de Zebedeu inquiriu, espantada:

- Mestre, onde poderemos adquirir semelhante bênção? Dize-nos. Precisamos desse acumulador de felicidade.

O Cristo, então, acrescentou, bem-humorado:

- Esse bendito talismã, salomé, é propriedade comum a todos. É "a hora que estamos atravessando"... Cada minuto de nossa alma permanece revestido de prodigioso poder oculto, quando sabemos usá-lo no infinito bem, porque toda grandeza e toda decadência, toda vitória e toda ruína são iniciadas com a colaboração do dia.

E, diante da perplexidade de todos, rematou:

- O tempo é divino talismã que devemos aproveitar.


Autor: Neio Lúcio
Do livro: Jesus no Lar

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