quinta-feira, 12 de junho de 2014

Justiça da reencarnação

171. Em que está fundamentado o dogma da reencarnação?
“Na justiça de Deus e na revelação, pois vos repetimos incessantemente: Um bom pai deixa sempre aos seus filhos uma porta aberta para o arrependimento. A razão não te diz que seria injustiça privar, para sempre, da felicidade eterna todos aqueles de quem não dependeu o melhorar-se? Não são filhos de Deus todos os homens? Só entre os homens egoístas encontram-se a iniquidade, o ódio implacável e os castigos sem-remissão.”

Todos os espíritos tendem para a perfeição e Deus lhes fornece os meios, através das provas da vida corporal; porém, na sua justiça, concede-lhes efetuar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova.” Não seria conforme a equidade, nem conforme a bondade de Deus, castigar
para sempre aqueles que encontraram obstáculos ao seu melhoramento, além de sua vontade e no próprio meio em que se achavam colocados. Se a sorte do homem fosse irrevogavelmente fixada, após sua morte, Deus não teria pesado as ações de todos na mesma balança e não os teria, absolutamente, tratado com imparcialidade.

A doutrina da reencarnação, isto é, a que consiste em admitir para o homem várias existências sucessivas é
a única que corresponde à ideia que fazemos da justiça de Deus para com os homens que se acham numa condição moral inferior, a única que pode nos explicar o futuro e embasar nossas esperanças, visto que nos oferece o meio de reparar os nossos erros, através de novas provas. A razão no-la indica e os espíritos a ensinam.

O homem que tem a consciência de sua inferioridade haure, na doutrina da reencarnação, uma consoladora esperança. Se crê na justiça de Deus, não pode esperar estar, pela eternidade, em pé de igualdade com aqueles que fizeram melhor do que ele. O pensamento de que essa inferioridade não o deserda, para todo o sempre, do bem supremo e de que poderá conquistá-lo, através de novos esforços, sustenta-o e reanima sua coragem. Quem é que, ao final de sua carreira, não lamenta ter adquirido muito tarde uma experiência de que não pode mais tirar proveito? Esta experiência tardia não fica perdida; ele a aproveitará numa nova existência.


Autor: Allan Kardec
Do livro: O Livro dos Espíritos

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