domingo, 5 de outubro de 2014

A vingança

A vingança
A vingança
A vingança sob todas as formas, o duelo, a guerra são vestígios da selvageria primitiva, a herança de um mundo bárbaro e atrasado. Aquele que entreviu o encadeamento grandioso das leis superiores, desse princípio de justiça cujos efeitos se repercutem através dos tempos, poderá pensar em vingar-se?

Vingar-se é fazer de uma só falta, de um só crime, dois; é tornar-se tão culpado quanto o próprio ofensor. Quando o ultraje ou a injustiça nos atingir, imponhamos silêncio à nossa dignidade ferida, pensemos naqueles que, no passado sombrio, nós mesmos ofendemos, ultrajamos, espoliamos, e suportemos a injúria como uma reparação. Não percamos de vista o objetivo da existência, que esses acidentes nos fariam esquecer. Não deixemos o caminho reto e seguro; não nos deixemos arrastar pela paixão nos declives perigosos que nos conduziriam à bestialidade; escalemo- los, de preferência, com redobrada coragem. A
vingança é uma loucura que faria perder o fruto de muitos progressos, recuar sobre o caminho percorrido. Um dia, quando tivermos deixado a Terra, talvez abençoemos aqueles que tenham sido duros, impiedosos para conosco, que nos tenham roubado, enchido de mágoa; nós os abençoaremos, pois de suas iniquidades surgirá nossa felicidade espiritual. Acreditavam fazer-nos o mal, e facilitaram nosso adiantamento, nossa elevação, dando-nos a oportunidade de sofrer desmesuradamente, de perdoar e de esquecer.



Autor: Léon Denis
Do Livro: Depois da Morte

Nenhum comentário:

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...