sábado, 11 de outubro de 2014

Ante os mortos

Ante os mortos
Ante os mortos
É verdade que te martirizas, à frente da morte, na Terra, mormente quando a morte surge, a ceifar-te os entes caros.

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Aflitiva é a contemplação dos que partem do mundo, em nossos braços, quando nos achamos no mundo, muita vez a nos endereçarem angustioso olhar, como a pedir-nos mais vida no corpo físico, sem que nos possamos arredar da impossibilidade de fazê-lo.

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Profundamente constrangedora é a mágoa de sentir-lhes as mãos desfalecentes em nossas mãos ansiosas, na despedida.

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Entretanto, pensa neles, os companheiros que partem, na condição de viajores amados que te deixam provavelmente carregando consigo indagações muito mais agudas do que aquelas que se te estacam no coração.


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Reflete nisso e não lhes agraves a dor.

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Muitos deles se afastam marcados por impositivos urgentes de reajuste.

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Compelidos a se arrancarem de hábitos longamente estabelecidos, quase sempre oscilam ante os chamamentos da rotina terrestre e as exigências de renovação da Vida Espiritual. E isso lhes custa empeços e problemas para as readaptações necessárias.

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Mentaliza-os na condição de criaturas queridas, em refazimento para que se afeiçoem, sem maiores delongas, aos encargos novos que os aguardam.

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Abençoa-os com as tuas melhores recordações, porque a lembrança ou a palavra alcançam a todos eles, com endereço exato.

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Compadece-te dos supostos mortos e abstém-te de sobretaxar-lhes as preocupações com o pranto da angústia.

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Em vez disso, dá-lhes a cobertura afetiva, cumprindo, tanto quanto possível, os deveres que estimariam ainda continuar a satisfazer.

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Eles estão em outras faixas de vivência, mas não irremediavelmente distantes.

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São amigos que te antecederam na inevitável viagem para a Vida Maior, a te rogarem auxílio, a fim de se retornarem no próprio equilíbrio, ante o desempenho das novas tarefas que abracem.

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Não olvides: converte a saudade em oração de esperança e envia-lhes os teus pensamentos de compreensão e de paz.

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Ampara-os agora para que te amparem depois.



Autor: Emmanuel
Do Livro: Canais da Vida.

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