sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Escrita direta

Escrita direta
Escrita direta
Os fenômenos de escrita direta, embora frequentes, são ultrapassados em número pelos da escrita medianímica. A faculdade dos médiuns escreventes é uma das mais difundidas e a que oferece os aspectos mais diversos.

Tendo parecido muito lento o processo das comunicações através das pancadas a alguns experimentadores, eles imaginaram construir aparelhos especiais, como o quadrante ou a prancheta, para a escrita, a fim de facilitar as manifestações. Simplificou-se ainda.

Algumas pessoas tiveram a ideia de se substituírem, elas próprias, em qualquer aparelho. Segurando um lápis, elas se abandonavam ao impulso exterior e recebiam mensagens de que não tinham consciência e que pareciam emanar de espíritos de defuntos.

Porém, logo se defrontaram com numerosas dificuldades. Primeiro, teve-se que reconhecer que o automatismo da mão que escreve não constitui, por si só, um fenômeno espírita. As experiências de Gurney e Myers, na Inglaterra, sobre a escrita dos sonâmbulos ao despertar; as dos senhores Pierre Janet, Ferré, Dr. Binet, e outros, na França, demonstraram que se pode provocar a escrita automática num sensitivo, por meio da sugestão, e dar a esse fenômeno todas as aparências da mediunidade.


Sensitivos hipnotizados recebiam dos experimentadores a ordem de representar, no seu despertar, tal ou qual personagem, de escrever ordens, mensagens, referindo-se ao papel imposto. Tendo-se realizado a sugestão, de ponto a ponto, o Sr. Pierre Janet e, com ele, outros sábios, acreditaram ter descoberto, na ação pós-hipnótica, a explicação de todos os fenômenos de escrita medianímica. Os médiuns, disseram eles, sugestionam-se a si próprios, ou então, sofrem uma sugestão exterior.

Outros, como Taine e o professor Flournoy, atribuem as comunicações à influência da segunda pessoa, isto é, de um segundo eu subconsciente ou subliminal, que lhes parece existir em nós e que, nos casos de mediunidade, se substituiria à personalidade normal, para agir sobre o pensamento e a mão do sensitivo.

A essas dificuldades é preciso, ainda, acrescentar a ação telepática dos vivos, a distância e a transmissão de pensamento. Como se vê, o fenômeno da escrita medianímica ligase aos problemas os mais delicados da personalidade e da consciência, aos estados anormais da alma, considerada nas suas múltiplas manifestações.



Autor: Léon Denis
Do Livro: No Invisível.

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