sábado, 25 de outubro de 2014

Noutra época

Noutra época
Noutra época
“... A mim, que noutro tempo era blasfemo, perseguidor e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fi z na ignorância, na incredulidade.” (1 Timóteo, cap. 1, v. 13)



Para a grande maioria dos sensitivos, a mediunidade é uma oportunidade de resgate e não uma tarefa missionária, como imaginam.

O chamado mandato mediúnico, efetivamente, é de poucos.

De maneira geral, os médiuns estão lutando para ressarcir débitos de pregressas existências. Se assim foi com Paulo, que admitia publicamente os seus erros, por que não haveria de ser conosco, que tão distantes nos encontramos do grande Apóstolo?

Para o sensitivo inteligente, a mediunidade é um caminho que leva ao autoconhecimento, ou seja, à melhor análise de suas tendências e vulnerabilidade de caráter.

A mediunidade que, no médium, só se presta ao intercâmbio com os considerados mortos, é exercida pela metade...

Mediunidade deve significar integração mais plena e consciente com a Vida!


As faculdades medianímicas em desenvolvimento devem ampliar no médium a sua compreensão, colocando-o naturalmente em sintonia com os fenômenos da existência.

A mediunidade que se direciona apenas para o que faz coloca limites a si mesma.

Seja qual for a faculdade mediúnica que exerça, que o médium não se esqueça de que a base do intercâmbio é a mente.

Desenvolver a sensibilidade em toda a sua periferia e intimidade é tão importante quanto ilustrar-se o medianeiro culturalmente.

O médium, a rigor, deve desentorpecer-se em todos os seus poros espirituais, habilitando-se em todos os seus sentidos...

A psicografia, por exemplo, não é um fenômeno que se restringe à escrita; a rigor, o bom médium psicógrafo carece de incorporar a ideia e a emoção da entidade comunicante...

Antena psíquica de diversificada sensibilidade, o médium é o tradutor das sensações que capta do ambiente em que está e do ambiente de que provém o pensamento que o mediuniza.

Quando o médium não se permite envolver pela mediunidade, ele não logra ser intérprete da emoção: será tão somente médium da palavra ou da imagem, dando a impressão de que lhe falta espírito.

Desenvolver mediunidade, pois, é também desenvolver o sentimento equilibrado.

Tornando ao que Paulo escreveu a Timóteo, não regateemos aos companheiros equivocados de ontem a credibilidade que hoje nos merecem. Ainda que tenham eles tropeçado instantes atrás, pensemos nas fragilidades que nos são próprias e não os censuremos.

Carecemos de ser misericordiosos uns com os outros.

Estendamo-nos fraternas mãos e auxiliemo-nos mutuamente na difícil caminhada.

Os problemas de ordem moral deste ou daquele companheiro da mediunidade são afetos a ele e não devemos nos constituir em impedimentos para que continue integrando o grupo, desde, é claro, que as suas dificuldades íntimas não tragam prejuízo específico para ninguém.

Dependesse da acolhida que teve entre os cristãos, logo após a sua conversão às portas de Damasco, com certeza, Paulo, renegado por eles devido aos equívocos do passado recente, não se teria transformado num dos vultos mais importantes da história do Cristianismo.



Autor: Odilon Fernandes
Do Livro: No Mundo da Mediunidade

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