quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Tiptologia

Tiptologia
Tiptologia
Com a ajuda do seu perispírito é que o espírito agia sobre o seu corpo vivo; é ainda por intermédio desse mesmo fluido que ele se manifesta, atuando sobre a matéria inerte, que ele produz os ruídos, os movimentos de mesas e de outros objetos que ele levanta, derruba ou transporta.

Esse fenômeno nada tem de surpreendente se considerarmos que, entre nós, os mais possantes motores se encontram nos fluidos mais rarefeitos, e mesmo imponderáveis, como o ar, o vapor e a eletricidade.

É também com o auxílio do seu perispírito que o espírito faz com que os médiuns escrevam, falem e desenhem; não tendo corpo tangível para agir ostensivamente quando quer se manifestar, ele se utiliza do corpo do médium, cujos órgãos toma por empréstimo, e o faz agir como se fora o seu próprio corpo, mediante o eflúvio fluídico que verte sobre ele.

É por esse mesmo meio que o espírito atua sobre a mesa, seja para fazê-la mover-se sem significação determinada, seja para fazê-la dar pancadas inteligentes, indicando as letras do alfabeto para formar
palavras e frases, fenômeno designado sob o nome de tiptologia. A mesa não é mais que um instrumento do qual ele se utiliza, assim como faz com o lápis para escrever. O espírito lhe dá uma vitalidade momentânea através do fluido com que a penetra, mas não se identifica absolutamente com ela.

As pessoas que, na sua emoção, vendo manifestar-se um ente querido, abraçam a mesa, fazem um papel ridículo.

É exatamente como se abraçassem a bengala que um amigo usa para bater no chão. O mesmo acontece com os que dirigem a palavra à mesa, como se o espírito estivesse dentro da madeira, ou como se a madeira houvesse se tornado um espírito.

Quando as comunicações ocorrem por esse meio, deve-se imaginar o espírito não na mesa, mas ao lado dela, tal como se acharia se estivesse vivo, e como seria visto se, naquele momento, ele pudesse se tornar visível. O mesmo acontece nas comunicações escritas; veríamos o espírito ao lado do médium, dirigindo sua mão ou lhe transmitindo seus pensamentos por meio de uma corrente fluídica.



Autor: Allan Kardec
Do Livro: A Gênese.

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