terça-feira, 31 de março de 2015

Vibrações

Vibrações
Vibrações
No homem, a inteligência e o desenvolvimento do cérebro estão em correlação íntima; uma não pode se manifestar sem o outro. À medida que o ser se eleva na escala humana, do mais selvagem ao mais civilizado, a fronte aumenta, o crânio se alarga ao mesmo tempo que a inteligência desabrocha. Quando o desenvolvimento exterior atinge seu apogeu, o pensamento aumenta a potência interna do cérebro, multiplicando as linhas, cavando sulcos. Ele desenha estrias, circunvoluções inumeráveis; eleva cumes. Faz do cérebro um mundo maravilhoso e complicado, a tal ponto que o exame desse órgão, ainda vibrante pelas impressões da vida que acaba de escapar, é um dos espetáculos mais cativantes para o fisiologista.

Aí temos uma prova de que o pensamento trabalha e configura o cérebro, que há entre eles uma relação estreita; ele é o instrumento admirável, o teclado, no qual ele toca, do qual tira todas as harmonias da inteligência e do sentimento. Porém, como se exerce sua ação sobre a matéria cerebral? Através do
movimento. O pensamento imprime às moléculas do cérebro movimentos vibratórios de uma intensidade variada.

Tudo, na Natureza, nós o vimos, se resume em vibrações, perceptíveis para nós, enquanto estão em harmonia com nosso próprio organismo, mas que nos escapam desde que sejam muito rápidas ou muito lentas. Nosso poder de visão e de audição é muito limitado; porém, além dos limites que ele nos traça, as forças da Natureza continuariam a vibrar com uma rapidez vertiginosa sem que nada percebêssemos.

Pois bem! Assim como os sons e a luz, os sentimentos e os pensamentos se exprimem em vibrações, que se propagam na imensidão, com intensidades diversas. Os pensamentos de ódio e de cólera, os ternos apelos do amor, o lamento do infeliz, os gritos de paixão, os impulsos de entusiasmo, se vão através do Espaço, contando a todos a história de cada um e a história da Humanidade. As vibrações dos cérebros pensantes, de homens ou de espíritos, se cruzam e se entrecruzam ao infinito sem jamais se confundirem. Em torno de nós, por toda a parte, na atmosfera, rolam e passam, como rios sem-fim, correntes de ideias, ondas de pensamentos que impressionam os sensitivos e são, frequentemente, uma causa de perturbação e de erro nas manifestações.



Autor: Léon Denis
Do livro: No Invisível.

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