quinta-feira, 23 de abril de 2015

Queixas e Reclamação

Queixas e Reclamação
Queixas e Reclamação
Irmãos, não vos queixeis uns dos outros. (Tiago – 4:11.)



A queixa, onde se situe, será sempre sintoma de desequilíbrio do sentimento, requisitando atenção para trato imediato, sem o que se transformará em porta aberta à obsessão.

Psicólogos existem que defendem a necessidade da criatura sofredora ou revoltada, colocar para fora tudo o que se lhe ergue no campo íntimo como espinho cruel, negando-lhe a possibilidade de ser feliz. No entanto, bem antes deles, o apóstolo Tiago recomendava:

Irmãos, não vos queixeis uns contra os outros.

É absolutamente certa a premissa de que ninguém deverá guardar na intimidade da alma o cacto da amargura, nem juntar, dentro do coração, as lágrimas doloridas das desilusões, transformando- as num mar lodoso, onde os melhores sonhos venham a naufragar.

Guardar mágoas, requentar ressentimentos, amordaçar os impulsos dos sentimentos doloridos é como
se deixássemos um vaso de fel trancado dentro do coração.

Entretanto, há um canal pelo qual podemos deixar fluir todas as lágrimas amarguradas, sem que contaminemos nem a própria alma nem as almas dos que de nós se acercam.

Este canal é a prece!

Pela prece, deixamos correr o rio caudaloso de nosso pranto e, por abençoado mecanismo criado pela Divina Misericórdia, receberemos, ainda por esse canal, a água pura da consolação, que é levada a todos os escaninhos de nosso ser sofredor.

Nos momentos em que as incompreensões te espancarem a alma, enodoando o teu psiquismo, ergue a tua prece dolorida, mas sincera, aquela prece que nasce do fundo de tuas mais vibrantes emoções e deixa que tuas lágrimas corram livremente.

Fala com o Pai — o nosso Pai!

Conta-lhe tudo! Abre tua alma ao Seu olhar. Confia-Lhe todas as coisas que te agitam, desconsolando-te e aguarda a resposta do Céu. os que te ofendem são apenas irmãos teus, trazendo no recôndito do ser, dores irreveladas, ansiedades que eles mesmos não sabem desvendar ou culpas que lhes pesam como uma cruz, a qual, por estar oculta, não desperta a compaixão de nenhum Cireneu que pudesse ajudá-los a carregá-la...

Tem cuidado, pois, com teus queixumes!

Se não atentares bem, eles resvalarão de teus lábios, e, como semente, medrarão em outros corações, desnorteando-os, incrementando neles uma sementeira de sombras, semelhantes a pardacentas nuvens, ameaçando se converterem em violentos temporais, comprometendo a colheita de paz pela qual todos nós ansiamos.

Afirmam os sábios da Antiguidade: Somos senhores da palavra que calamos e escravos das que pronunciamos!

Temos plena liberdade para pensar, mas a liberdade de dizer deve estar condicionada à regra áurea que recomenda fazer aos outros o que gostaríamos que conosco fosse feito, lembrando que, até hoje, não surgiu ninguém que nos trouxesse uma queixa ou reclamação para com elas construirmos o Templo da nossa Paz.

Esvazia, pois, os queixumes de teu coração no estuário luminoso do Coração Divino e segue trabalhando e servindo, amando e compreendendo, porque chegará o dia em que, como Jesus, poderás dizer, repleto de  compaixão e vitorioso sobre todo sofrimento: Perdoa-lhes, Pai, porque eles
não sabem o que fazem!



Autor: Aurélio
Do livro: Evangelho e Vida.

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