sexta-feira, 1 de maio de 2015

A Hora Derradeira

A Hora Derradeira
A Hora Derradeira
A entrada na outra vida causa impressões tão variadas quanto à situação moral dos espíritos. Aqueles — e o número é grande — cuja existência se desenvolve indecisa, sem faltas graves nem méritos notáveis, encontram-se mergulhados, primeiro, num estado de torpor, num abatimento profundo; depois um choque vem sacudir seu ser. O espírito sai lentamente do seu invólucro: recupera sua liberdade, mas hesitando, tímido, não ousa usá-la ainda e permanece preso pelo temor e o hábito aos lugares onde viveu. Continua a sofrer e a chorar com aqueles que partilharam da sua vida. O tempo corre para ele sem que o perceba; com o tempo, outros espíritos o assistem com seus conselhos, ajudam-no a dissipar sua perturbação, a libertar-se das últimas correntes terrestres e a elevar-se para meios menos obscuros. 

Em geral, o desprendimento da alma é menos penoso em consequência de uma longa doença, tendo esta por efeito desatar, pouco a pouco, os laços carnais. As mortes súbitas, violentas, que sobrevêm quando a
vida orgânica está na sua plenitude, produzem uma dilaceração dolorosa sobre a alma, lançando-a numa perturbação prolongada. Os suicidas são presas dessas sensações horríveis. Eles experimentam, durante anos, as angústias da hora derradeira e reconhecem, com pavor, que apenas trocaram seus sofrimentos terrestres por outros mais vivos ainda.

O conhecimento do futuro espiritual, o estudo das leis que presidem à desencarnação são de grande importância para a preparação para a morte. Eles podem atenuar nossos derradeiros instantes e tornar nosso desprendimento fácil, permitindo-nos reconhecer-nos mais rápido no mundo novo que nos é franqueado.


Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte

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