quarta-feira, 27 de maio de 2015

Obsessão Oculta

Obsessão Oculta
Obsessão Oculta
Na parte final da nossa reunião de 17 de novembro de 1955, estamos novamente honrados com a visita do Doutor Dias da Cruz, que nos brindou com brilhantes ensinamentos, alusivos à obsessão oculta.

Elaborando alguns apontamentos, em torno da obsessão oculta, cabe-nos recordar que sugestão, a rigor, é a “influência que a ideia positiva do magnetizador desenvolve sobre a mente passiva do hipnotizado, criando nele estados alucinatórios, dos quais podem partilhar todas as potências do seu cosmo orgânico”.

Justo ponderar, contudo, que o fenômeno não é privativo de escolas especializadas ou dos grandes magnetologistas do passado ou do presente.

Qual acontecia em recuadas épocas, nos templos da iniciação egípcia, a sugestão ainda hoje se reveste de inconcebível importância, em todos os planos de nossa vida, mesmo porque toda a vida, no fundo, é
processo mental em manifestação.

Desde a mais remota antiguidade, a goétia ou magia negra, filha da ignorância, dela se vale para estabelecer entre os homens o domínio dos seres que se bestializam nas trevas.

E o culto à Suprema Divindade ou à Religião, filha dos mais altos ideais da Humanidade, da sugestão se aproveita para garantir o serviço de sublimação das almas, por intermédio da comunhão com as forças da luz.

Como é fácil apreender, repetimos, o papel da sugestão é de incalculável alcance em todos os episódios de nossa marcha nas províncias da evolução, particularmente nas faixas da experiência terrestre, de vez que o tempo da alma encarnada se divide em duas fases distintas – a vigília e a hipnose, ou seja, sensório desperto e sono físico.

Não desconhecemos que o homem, examinado em seu aspecto puramente fisiológico, pode ser definido como sendo uma bateria complexo, associando e desassociando cargas de eletricidade, porquanto, traz consigo, em expressiva porção, ácidos e álcalis, metais e ametais, em diversos valores químicos, cujas trocas asseguram o metabolismo eficiente dos recursos hormonais.

Indiscutivelmente, o regime alimentar e a respiração, a temperatura e a ginástica são fatores que podem provocar sensíveis alterações na harmonia elétrica da criatura humana, entretanto, a causa da renovação para o bem ou da perturbação para o mal reside em cada um de nós, de maneira mais íntima, nas correntes de ideias que assimilamos.

Qual ocorre à matéria, que se transforma incessantemente, ao impacto de raios múltiplos, nos reinos inferiores da Natureza, o espírito se adensa na sombra ou se sutiliza na luz, sob o império dos raios mentais que elege para combustível de suas emoções mais profundas.

Reportamo-nos a semelhantes considerações para salientar o impositivo de nossa vigilância em todos os estados passivos de nossa alma, porque, através da meditação e do sono, nos identificamos, muita vez de modo imperceptível, com os pensamentos que nos são sugeridos pelas inteligências desencarnadas ou não, que se afinam conosco e, se não nos guardamos na fortaleza das obrigações retamente cumpridas, caímos sem dificuldade nas malhas da obsessão oculta, transformando-nos em agentes da irresponsabilidade e da cegueira de espírito, por despenhar-nos, inconscientemente, em desequilíbrios imanifestos, cujos resultados somente se expressarão, mais tarde, pelos princípios de causa e efeito, nos torturados labirintos da patogenia obscura, em nosso campo individual.

Lembremos-nos, assim, de que se o obsedado confesso é alguém armado pela aflição e pelo sofrimento, para o combate às forças da treva, à vítima da obsessão oculta, quase sempre, é a loucura mascarada de bom senso, acarretando, por onde passe, desastres e problemas morais para si e para os outros.

É por esse motivo que, convidando-vos ao nosso permanente programa de oração e estudo nobre, de fraternidade e serviço constante, a fim de que estejamos sob a regência das sugestões de cima, encerramos nossas breves anotações, rememorando as inesquecíveis palavras do apóstolo Paulo, no versículo 14, do capítulo 5, de sua carta aos Efésios:

“— Desperta, Ó tu que dormes, e, levantando-te dentre os mortos, o Cristo te esclarecerá”.



Autor: Dias da Cruz
Do livro: Vozes do Grande Além.

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