terça-feira, 30 de junho de 2015

Reino dos Céus

Reino dos Céus
Reino dos Céus
Pesquisaste, arrebatado, páginas comoventes e nobres que encerravam a linguagem do Reino dos Céus.

Ouviste expositores fluentes, informando as excelências do Reino dos Céus.

Acompanhaste missionários que erigiram templos onde se pudessem guardar as mensagens do Reino dos Céus.

Meditas, extasiado, sobre as paisagens do Reino dos Céus.

E sonhas, fascinado, ante a esperança de entrares no Reino dos Céus.

Todavia estás na Terra...

Lama e dor em toda parte.

Ignomínia e crime em enxurradas de ódio onde flutuam venenos e pestes.

Mentiras e traições emoldurando as telas mentais dos homens.

E deixas que a amargura vinque a tua face, macerando tua alma.

Desejarias saltar do trampolim da fé as cristas procelosas do oceano dos homens em aflição, atingindo a
plataforma celeste de um só impulso.

Mal sabes que o escritor das páginas impregnadas de beleza sofre também no vale das sombras, sedento de luz.

Ignoras que o pregador carrega urzes no coração e tem as mãos feridas no trato com o trabalho.

Desconheces as lágrimas que se derramam pelas faces dos apóstolos, no labor abençoado. (...)

Desdobra as percepções e apura os ouvidos.

Muitos preconizam a paz social em guerrilhas familiares a que se não podem furtar.

Outros ensinam a verdade, utilizando a astúcia, como se a sagacidade fosse o instrumento de manejo nobre a serviço do ideal.

Encontrarás missionários atarefados com as igrejas e almas abandonadas sem pastores nem agasalhos.

Não intentes um paraíso para ti, longe do trabalho fraternal aos irmãos da margem.

Nem acredites em repouso justo sem a contribuição do necessário cansaço. Há muita felicidade que é ociosidade negativa, como muita expressão que é veneno verbal.

“O Reino de Deus — disse o Mestre — está dentro de vós mesmos.”

Atende ao aflito, vigia as tuas atitudes, espalha a luz do entendimento, trabalho sem cansaço, verificando que o terreno desolado, quando arroteado com amor e perseverança, se transforma em jardim colorido e perfumado. Busca, desse modo, os céus da santificação; primeiro, porém, santifica-te na Terra, transformando-a em bendito pomar de felicidade perene, a um passo da glória da imortalidade.



Autora: Joanna de Ângelis
Do livro: Messe de Amor

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