sábado, 11 de julho de 2015

Conquistai as Muralhas

Conquistai as Muralhas
Conquistai as Muralhas
Espíritas! Fugi à inconstância do vento que passa, despreocupado...

Não brinqueis de viver.

Toda Lei Divina é inderrogável. A bússola do Criador jamais emperra.

Os sentidos humanos são restritos e enganadores: num diminuto ponto do Infinito que contemplais, quantos milhões de mundos não se ocultam? Numa gota d’água, quantos milhares de vidas?

Numa página simples, quantas formas de pensamento? Numa frase comum, quanta ideia a brilhar? Apenas o estudo pode induzir-vos a ultrapassar as balizas estreitas do vosso cérebro limitado .

Avançai incessantemente, na Terra, por labirintos de incógnitas desafiadoras. Por isso, não desistais de aprender.

Nossa inteligência é fonte sublime a correr, inestancável, e, quase sempre, se perde desaproveitada na vacuidade do inútil.

Não malbarateis o talento das horas e o dom da saúde física.

Cada volume compendia determinado tipo
de experiência.

Mergulhai raciocínio e atenção nos livros edificantes que ensinam a libertação interior.

Os transeuntes da carne demandam a eternidade, e o que se aprende, agora, grava-se na memória de maneira indelével.

Valorizemos na carteira do trabalho o abecedário da Vida.

Não cultiveis fadigas esmagadoras nem desilusões amargosas.

Derribai os muros da ignorância que vos interceptam o caminhar, superando os obstáculos sorrateiros atulhados no próprio “eu”: aqui, o mofo pestilencial do desânimo; ali, a traça insaciável do vício; além, a ferrugem corruptora da preguiça; alhures, a entranhada poeira da indiferença .

Entesouremos, hoje, a centelha de uma página; amanhã, o revérbero de uma lição; depois, a pequenina chama de um bom conselho, varando os turbilhões de trevas que se nos enquistam na vereda a palmilhar.

O estudo — seara do aprendizado — é semelhante à plantação em que a leira devolve as sementes multiplicadas centenas de vezes.

Estudai servindo, seja envergando a bata do Magistério, o avental da Ciência, a beca da Filosofia, a estamenha da Fé, a túnica do Lar, a manta da Lavoura, o burel da Arte ou o macacão do ofício obscuro.

Conquistai as muralhas encadernadas das bibliotecas.

Estudar — eis a palavra de ordem para a escalada aos montes resplendentes da vida! Se não há corações impermeáveis à energia do amor, não existem mentes impenetráveis ante a força da luz!



Autor: Leopoldo Cirne
Do livro: Seareiros de Volta.

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