sexta-feira, 17 de julho de 2015

Manifestações Inconvenientes

Manifestações Inconvenientes
Manifestações Inconvenientes
Quando um espírito inferior se manifesta, pode-se obrigá-lo a retirar-se? “Sim, não o escutando mais. Mas como quereis que se retire, quando vos divertis com suas torpezas? Os espíritos inferiores se prendem àqueles que os ouvem com complacência como os tolos entre vós.” (O Livro dos Médiuns, Cap. XXV – Segunda Parte – Item 282.)

Por manifestações inconvenientes, referimo-nos àquelas manifestações que ocorrem em locais e momentos inadequados.

Os espíritos esclarecidos sabem aguardar o instante e o local apropriado para se manifestarem, respeitando a intimidade dos lares e a disciplina existente nos centros espíritas; os espíritos ignorantes, não raro propositadamente, manifestam-se a qualquer hora e em qualquer lugar, valendo-se da invigilância dos médiuns de que se utilizam.

Consideramos inconvenientes as manifestações que acontecem durante a transmissão de passes, reuniões de caráter público nos templos espíritas, nas realizações de cultos do Evangelho no lar, no
ambiente de trabalho profissional, nas ruas, encontro de jovens, salas de evangelização infantil, visitas a doentes nos hospitais...

Quando ocorrer uma manifestação mediúnica imprevista ou inconveniente, é de bom alvitre que um doutrinador presente, agindo com a presteza e descrição possíveis, convide o espírito para se retirar, esperando o momento aconselhável para se expressar como necessita.

Os médiuns, com algum conhecimento da Doutrina, sabem que não devem permitir a passividade quando o ambiente não seja propício; se o fazem carecem de ser alertados para que o fato não se repita.

É muito comum que médiuns em desenvolvimento, mormente no campo da mediunidade psicográfica, sintam impulsos para escrever a toda hora... Não raro, interrompem o trabalho profissional ou a própria refeição para fazê-lo. Isto não deve acontecer. O espírito tanto quanto o médium, deve saber que o exercício mediúnico se fundamenta na disciplina.

É indispensável que o médium principiante se controle, fazendo prevalecer a sua vontade sobre a vontade do espírito; se ele cede sempre, pode acabar perdendo o equilíbrio, transformando o seu desenvolvimento mediúnico num caso de obsessão.

Não sejamos, todavia, tão rigoristas. O bom senso carece de prevalecer sobre tudo. Esporadicamente um ou outro caso de manifestação imprevista de um espírito pode ser “tolerado”. Às vezes, o fato está se dando com a permissão dos benfeitores espirituais, aproveitando-se talvez das condições favoráveis do momento... Normalmente, quando existe essa permissão, o espírito que consegue romper o bloqueio e comunicar-se o faz por extrema necessidade sua ou das pessoas às quais se dirige. Pode ser para evitar um suicídio, para dar uma prova da sobrevivência, para “assustar” os descrentes.

Mas que não permaneça nenhuma dúvida: o local apropriado para exercer a mediunidade é no centro espírita e nas reuniões específicas, organizadas conforme as orientações básicas da Doutrina Espírita.

Médium que quer incorporar a todo instante, psicografar a toda hora, que vê ou ouve os espíritos a cada minuto, está sob evidente desequilíbrio e manda a caridade que este seja alertado a respeito. Pode ser inclusive, que haja a necessidade de uma pausa momentânea em suas atividades mediúnicas, “saneando” o seu psiquismo, a fim de que, depois, ele as retome com mais discernimento e controle sobre as próprias emoções.

Infelizmente, a verdade é dura e carece de ser dita: Os médiuns acham que a partir do momento em que recebem a primeira comunicação já estão desenvolvidos... É como alguém que passasse a se considerar homem por ter alcançado a maioridade... Crendo-se assim desenvolvidos, eles próprios se dispensam de qualquer estudo do Espiritismo, acreditando que já chegaram aonde muitos ainda estão se esforçando para chegar... É que, em geral, os médiuns, crendo que serão instruídos pelos espíritos, não gostam de estudar. Mas é também por isto que muitas mediunidades não avançam além do primeiro passo.

Os espíritos não têm o direito de ser inconvenientes em suas manifestações; quando são, parcela dessa inconveniência deve ser tributada à invigilância e à indisciplina dos médiuns.



Autor: Odilon Fernandes
Do livro: Mediunidade e Evangelho.

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