sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Elos entre dois Mundos

Elos entre dois Mundos
Elos entre dois Mundos
“Imagine-se que cada indivíduo está cercado de certo número de acólitos invisíveis, que se lhe identificam com o caráter, com os gostos e com os pendores. Assim sendo, todo aquele que entra numa reunião traz consigo Espíritos que lhe são simpáticos. Conforme o número e a natureza deles, podem esses acólitos exercer sobre a assembleia e sobre as comunicações influência boa ou má. Perfeita seria a reunião em que todos os assistentes, possuídos de igual amor ao bem, consigo só trouxessem bons Espíritos. Em falta da perfeição, a melhor será aquela em que o bem suplante o mal. Muito lógica é esta proposição, para que precisemos insistir.” (O Livro dos Médiuns, cap. 29, item 330.)

Naquela manhã o medianeiro despertou irritadiço, colérico.

Enquanto preparava-se para a faina do dia, a tormenta mental incendiava-lhe os pensamentos com o rancor e a vindita. Pensava que, ao sair porta afora, se topasse novamente com o vizinho ranzinza e incômodo, não lhe toleraria um só gesto de atrevimento ou desdém.

Mas aconteceu que, ao sair, a primeira fisionomia que vislumbrou, em tom irônico, foi a dele. Tomam o elevador juntos. Inicia-se então uma guerra de dardos mentais. O medianeiro, espírita, perde a fleuma cristã e desborda em palavras infelizes. Houve tumulto e o desentendimento raiou às
atitudes desequilibradas.

O dia passa e o servidor da Boa Nova encaminha-se à sua atividade noturna nas fileiras mediúnicas.

No interregno dos intercâmbios, o benfeitor amigo e atento solicita-lhe mentalmente preces, e que aguarde. A tarefa chega quase a seu final e o percipiente, incomodado, nada percebe com suas faculdades, ficando uma sensação de bloqueio.

Surge-lhe novamente o amigo espiritual e diz-lhe:

“Meu filho, tua tarefa nessa noite foi suspensa, pois quando alocamos a teu psiquismo, logo pela manhã, o adversário espiritual de teu vizinho, a fim de apaziguar-lhe as lutas que vive no lar, você expulsou o coração necessitado do atendimento em impensado descuido!

Elos entre dois mundos. Intrigado com o tema, Allan Kardec recebe sublime e esclarecedora lição dos nobres “guias”, asseverando que a influência dos Espíritos sobre o mundo físico é maior que pensais.

As Sociedades Espíritas são como um pronto socorro. A multidão sofrida pelos traumatismos de toda espécie recorre-lhe, entre os dois mundos, em busca de lenitivo, paz e esperança.

Como tens acolhido os desencarnados? Como dispensar afeto a quem não se vê na vida extrafísica, se não dispões a cativar os que ombreiam contigo na vida da carne? Que recepção terão os que vagueiam itinerantes em busca de rota e luz, se a ancoragem na casa espírita é feita entre farpas de discórdia e do entrechoque de ideias, em litígios enfermiços entre seus próprios trabalhadores?

Imagine como será guardar a expectativa de visitar alguém distante, que não vemos há muito tempo. Em lá chegando, constatamos um clima de desarmonia e infelicidade. Assim se sentem os “mortos” que asilam a esperança na alma atribulada, e têm a lamentável ocasião de presenciar as adversidades que mais lhes oneram o psiquismo e anulam as esperanças de novas sendas nas tarefas de socorro mediúnico.

A casa espírita é local “preparado” de interação e sinergia entre dois planos de vida. Consagremos as nossas melhores emoções, a fim de obtermos um quantum de ternura e fraternidade que sirva de abrigo aos sofredores em tempos de reparação e dor na vida espiritual. A casa de Jesus e Kardec deve ser um oásis de refazimento, ante o deserto das provações mundanas.

Estejamos certos, porém, que isso só amealharemos quando, no dia a dia, ampliarmos nossas noções sobre os elos que criamos e adulamos na conduta moral e afetiva, norteando as palavras, pensamentos e ações.

Afabilidade e doçura são expressões elevadas de caráter e espiritualidade, e, sobretudo, consistem em apanágio de paz e refazimento a quantos anseiam e experimentam a nossa companhia, dentro ou fora das nossas Casas de amor.

Habituem-se a essas virtudes no lar, na profissão, nas vias e, onde estiverem, essa será a garantia dos melhores elos que podemos concretizar entre os dois mundos.



Autora: Ermance Dufaux
Do livro: Laços de Afeto

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