sábado, 27 de fevereiro de 2016

Evolução e Finalidade da Alma

Evolução e Finalidade da Alma
Evolução e Finalidade da Alma
A alma, dissemos, vem de Deus; é o princípio da inteligência e da vida em nós. Essência misteriosa, ela escapa à análise, como tudo o que emana do absoluto. Criada por amor, criada para amar, tão fraca, que pode encerrar-se em uma forma limitada e frágil, tão grande, que, com um impulso do pensamento, abraça o Infinito; a alma é uma parcela da essência divina projetada no mundo material.

Desde a hora de sua descida à matéria, que caminho percorreu para retomar o ponto atual de sua caminhada?

Foi-lhe necessário passar por vias obscuras, revestir-se de formas, animar organismos que ela descartava ao final de cada existência, como se faz com um casaco que não serve mais. Todos esses corpos de carne pereceram; o sopro dos destinos dispersou- lhes o pó; mas a alma persiste e permanece, em sua perenidade; ela prossegue em sua marcha ascendente, percorre as inumeráveis estações de sua viagem e vai em direção a um objetivo grande e desejável, um objetivo divino, que é a perfeição.

A alma contém, em estado virtual, todos os germes de seu desenvolvimento futuro. Está destinada a tudo conhecer, tudo adquirir, tudo possuir. E como conseguiria isto, em uma só existência? A vida é curta e a perfeição está longe! Poderia ela, em uma vida única, desenvolver seu entendimento, esclarecer sua razão, fortificar sua consciência, assimilar todos os elementos da sabedoria, da santidade, do gênio? Não! Para rea lizar suas finalidades, é-lhe necessário, no tempo e no espaço, um campo sem-limites a percorrer. É através de inumeráveis transformações que, depois de milhares de séculos, o mineral grosseiro vira um diamante puro, irradiando mil cintilações. É assim, também, com a alma humana.


O objetivo da evolução, a razão de ser da vida, não é a felicidade terrena — como, equivocadamente, muitos acreditam —, e sim o aperfeiçoamento de cada um de nós, aperfeiçoamento que devemos realizar pelo trabalho, pelo esforço, por todas as alternativas da alegria e da dor, até que estejamos inteiramente desenvolvidos e elevados ao estado celeste. Se há, na Terra, menos alegria do que sofrimento, é porque este é o instrumento mais apropriado à educação e ao progresso, um estimulante para o ser que, sem ele, retardar-se-ia nos caminhos da sensualidade. A dor, física e moral, forma nossa experiência. A sabedoria
é sua recompensa.

Pouco a pouco, a alma se eleva e, à medida que sobe, acumula-se nela uma soma sempre crescente de saber e de virtude; sente-se mais estreitamente ligada a seus semelhantes; comunica-se mais intimamente som seu meio social e planetário. Elevando-se cada vez mais, ela logo se une, por elos bem potentes, às sociedades do Espaço e, depois, ao Ser universal.

Assim, a vida do ser consciente é uma vida de solidariedade e de liberdade. Livre, no limite que lhe é assinalado pelas leis eternas, ele se torna o arquiteto de seu destino. Seu adiantamento é obra sua. Nenhuma fatalidade o oprime, a não ser a de seus próprios atos, cujas consequências sobre ele recaem. Mas ele só pode desenvolver-se e crescer na vida coletiva, com a ajuda de cada um e em proveito de todos. Quanto mais se eleva, mais se sente viver e sofrer em todos e por todos. Em sua necessidade de elevação pessoal, chama a si todos os seres humanos que povoam os mundos onde viveu, para fazê-los atingir o estado espiritual. Quer fazer por eles o que seus irmãos mais velhos, os grandes espíritos que o guiaram em sua marcha, fizeram por ele.



Autor: Léon Denis
Do livro: O Problema do Ser e do Destino.

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