sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A Prece

A Prece
A Prece
Nessas conversas da alma com a Potência Suprema, a linguagem não deve ser preparada, anotada com antecedência; deve variar segundo as necessidades, o estado do espírito do ser humano. É um grito, um lamento, uma efusão ou um canto de amor, um ato de adoração, um inventário moral feito sob o olhar de Deus, ou, ainda, um simples pensamento, uma lembrança, um olhar levantado para os céus.

Não há horas para a prece. É bom, sem dúvida, elevar seu coração a Deus no início e no fim do dia. Mas se se sentirem indispostos, não orem. Em compensação, quando sua alma for abrandada, transportada por um sentimento profundo, pelo espetáculo do Infinito, mesmo que seja à beira dos oceanos, sob a claridade do dia ou sob a cúpula cintilante das noites, no meio dos campos e dos bosques sombrios, no silêncio das florestas, orem, então; é boa e grande toda causa que molhe seus olhos de lágrimas, faça dobrar seus joelhos e jorrar do seu coração um hino de amor, um grito de adoração em direção à Potência Eterna que guia seus passos na beira dos abismos.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Kardec

Kardec
Kardec
Em nossas fileiras, cuidemos para divulgar o Consolador com qualidade e respeito. Jamais façamos, da hora da pregação, um show em que os pândegos do mundo se apresentam para divertir as massas.

Espiritismo é doutrina séria, que expressa alegria nas ideias sublimes que divulga e tem como objetivo o esclarecimento e conforto espiritual.

Não façamos da mediunidade um jogo de adivinhação em que a buena dicha engana e diverte, repudiemos, com postura cristã, as tentações do dinheiro e da corretagem.

Edifiquemos Centros onde a burocracia não atrapalhe a simplicidade do Evangelho e as portas estejam sempre abertas aos necessitados de todo jaez.

Ergamos obras benemerentes que eduquem e libertem, evangelizando e transformando o homem.

Apresentemo-nos com coragem, a fim de que nossas instituições alcancem os objetivos que os Espíritos do Senhor vêm traçando para o Espiritismo na Terra.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Heroísmo Oculto

Heroísmo Oculto
Heroísmo Oculto
Terás ouvido narrativas em torno de feitos sublimes, nos quais criaturas intrépidas ofereceram a própria existência para salvar os outros, quais os que tombaram na defesa da coletividade, em honra da justiça, e os que foram surpreendidos pela desencarnação inesperada, em louvor da Ciência, ao perquirirem processos de socorro aos sofrimentos da Humanidade.

Reverenciemos, sim, o nome dos que se esqueceram, em benefício dos semelhantes, contudo, não nos será lícito esquecer que existe um heroísmo obscuro, tão autêntico e tão belo quanto aquele que assinala os protagonistas das grandes façanhas, perante a morte – o heroísmo oculto dos que sabem viver, dia por dia, no círculo estreito das próprias obrigações, a despeito dos empecilhos e das provações que os supliciam na estrada comum.

Pondera isso, quando os embaraços da vida te amarguem o coração!... Certifica-te de que se existem multidões na Terra que aplaudem as demonstrações de coragem dos que sabem morrer pelas causas nobres, existem multidões no Mundo Espiritual que aplaudem os testemunhos da compreensão e sacrifício dos que sabem viver, no auxílio ao próximo, apagando-se, a pouco e pouco, em penhor do levantamento de alguém ou da melhoria de alguns na arena terrestre.

domingo, 25 de setembro de 2016

Livre Arbítrio e Providência

Livre Arbítrio e Providência
Livre Arbítrio e Providência
A liberdade do ser se exerce, portanto, num círculo limitado, de um lado, pelas exigências da lei natural, que nenhum ultraje pode sofrer, nenhuma alteração na ordem do mundo; do outro, pelo seu próprio passado, cujas consequências jorram sobre ele através dos tempos, até a reparação completa. Em nenhum caso o exercício da liberdade humana pode entravar a execução dos planos divinos; sem isso, a ordem das coisas seria a cada instante perturbada. Acima das nossas visões limitadas e mutantes, a ordem imutável do Universo se mantém e prossegue. Somos, quase sempre, maus juízes daquilo que é para nós o verdadeiro bem; e se a ordem natural das coisas tivesse que se dobrar aos nossos desejos, que perturbações medonhas não resultariam disso?

O primeiro uso que o homem faria de uma liberdade absoluta seria o de afastar de si todas as causas de sofrimento e de assegurar para si, desde aqui na Terra, uma vida de felicidades. Ora, se há males que a inteligência humana tem o dever e os meios de conjurar e de destruir —, por exemplo, aqueles que provêm do meio terrestre — há outros, inerentes à nossa natureza moral, que só a dor e a compreensão podem dominar e vencer; tais são os nossos vícios. Nesse caso, a dor torna-se uma escola, ou melhor, um remédio indispensável e as provas suportadas são apenas uma repartição equitativa da infalível justiça. É, portanto, a nossa ignorância dos fins objetivados por Deus que nos faz recriminar a ordem do mundo e suas leis. Se as criticamos é porque ignoramos os meios ocultos.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A Virtude

A Virtude
A Virtude
“A virtude, no seu mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem.” (Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo. 5. ed. CELD, 2010. Cap. XVII, item 8, 1o §.)



Valor característico dos seres que alcançaram alguns estágios na evolução, a virtude é conquista que o espírito faz, através dos séculos e dos milênios, buscando chegar às regiões de luz, de felicidade, em plenitude com os benfeitores maiores da vida.

Na Terra, costuma-se dizer que o homem que alcançou a virtude é um ser que se supera a si mesmo, e nisso tendes razão, pois a virtude é conquista infinita, não havendo limites para ela.

Avançando, caminhando para o futuro, o ser adquire maior quantidade de virtudes, fortalece as que já possui e cria maiores condições para exercê-las.

Nessa busca incessante, o padrão que toma como exemplo na Terra é a figura de Jesus, e certamente que, assim, caminhará com decisão, coragem, absoluta determinação, para chegar ao objetivo maior da sua vida.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

O Lado Fraco

O Lado Fraco
O Lado Fraco
Não apenas os médiuns.

Viste, muita vez, os melhores amigos iludidos na boa-fé.

Muitos que se acreditavam resguardados pelo dinheiro caíram em miserabilidade pela exaltação da própria cobiça.

Outros que se supunham inacessíveis à tentação, desceram para as furnas do vício, arrastados pela fraqueza do sentimento.

Grandes inteligências, categorizadas por infalíveis, rolaram na lama, por se haverem levantado em pedestais de orgulho.

Criaturas que consideravas como sendo poemas de beleza sublime desfiguraram-se à pressa, mostrando máscaras de agonia, pelo abuso do prazer.

Pregadores do heroísmo social e doméstico acabaram no suicídio, escorregando na vaidade.

Nobres tarefeiros do progresso pararam a máquina da própria ação, no meio do caminho, corroídos pelo desânimo.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Espíritos Elementais

Espíritos Elementais
Espíritos Elementais
Os espíritos elementais, efetivamente, existem. O homem está longe de conhecer todas as formas de expressão da Vida no Universo.

Entre um reino e outro, temos os chamados seres de transição, porque, de fato, “na Natureza, nada dá saltos”.

A Vida, nas dimensões da matéria densa, em suas formas conhecidas, se desdobra e se continua nas Dimensões Espirituais, em formas inimagináveis pelos homens.

O espírito não regride em suas conquistas de caráter intelectomoral, no entanto, transitoriamente, pode estagiar em condições degradantes da forma, seja por punição ou por atribuições que lhe sejam conferidas.

Aos que negam a categoria dos elementais, tomaríamos a liberdade de dirigir as seguintes questões: o que somos nós, seres humanos, para aquelas entidades que já transcenderam os domínios da forma?

Perante a evolução do Cristo, o que representávamos para Ele, que, das Esferas Resplendentes, desceu ao vale escuro da experiência humana, submetendo-se às circunstâncias impostas por um mundo de provas e expiações? Não teria Ele, o Senhor, no que se refere à forma, se adaptado, com o propósito de se nos assemelhar?

sábado, 17 de setembro de 2016

Fé, Esperança e Consolações

Fé, Esperança e Consolações
Fé, Esperança e Consolações
A fé é mãe dos nobres sentimentos e das grandes ações. O homem profundamente convencido permanece inabalável diante do perigo, como no meio das provas. Acima das seduções, das adulações, das ameaças, mais alto que as vozes da paixão, ouve uma voz que ecoa nas profundezas da sua consciência e cujos ruídos o sustentam na luta, advertem-no nas horas perigosas.

Para produzir tais resultados, a fé deve repousar sobre o fundamento sólido que lhe oferecem o livre exame e a liberdade de pensar. Ao invés de dogmas e de mistérios, deve apenas reconhecer os princípios decorrentes da observação direta, do estudo das leis naturais. Tal é o caráter da fé espírita.

A filosofia dos espíritos nos oferece uma crença que, por ser racional, é tanto mais robusta. O conhecimento do mundo invisível, a confiança numa lei superior de justiça e de progresso, tudo isso imprime à fé um duplo caráter de calma e de certeza.

O que se pode temer, com efeito, quando se sabe que nenhuma alma pode perecer, que após as tempestades e as dilacerações da vida, para além da noite sombria onde tudo parece afundar-se, ver-se-á despontar o clarão radioso dos dias intermináveis?

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O Dever

O Dever
O Dever
O dever é o conjunto das prescrições da lei moral, a regra de conduta do homem nas suas relações com seus semelhantes e com o Universo inteiro. Figura nobre e santa, o dever plana acima da Humanidade, inspira os grandes sacrifícios, os puros devotamentos, os belos entusiasmos. Risonho para uns, temível para outros, sempre inflexível, ergue-se diante de nós e nos mostra essa escada do progresso, cujos degraus se perdem nas alturas incomensuráveis.

Aquele que soube compreender todo o alcance moral do ensino dos espíritos tem uma concepção mais elevada ainda do dever. Sabe que a responsabilidade é proporcional ao saber, que a posse dos segredos de além-túmulo lhe impõe a obrigação de trabalhar com mais energia em seu melhoramento e no de seus irmãos. As vozes do Alto nele fizeram vibrar ecos, despertaram forças que dormiam na maioria dos homens; solicitam-no poderosamente na sua marcha ascensional. Um nobre ideal estimula-o e atormenta-o simultaneamente, faz dele motivo de risadas dos maus, mas não o trocaria por todos os tesouros de um império. A prática da caridade tornou- se-lhe fácil. Ensinou-lhe a desenvolver suas sensibilidades e suas qualidades afetivas. Compassivo e bom, sofre todos os males da Humanidade; quer espalhar sobre todos os seus companheiros de infortúnio as esperanças que o sustentam; gostaria de enxugar todas as lágrimas, pensar todas as chagas, suprimir todas as dores.



Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Missões

Missões
Missões
Aspiras à posição dos grandes administradores; entretanto, não sopesas as responsabilidades que lhes requeimam a fronte, quais invisíveis anéis de fogo.

Anelas o renome dos grandes juízes, mas não sabes em quantas ocasiões padecem, agoniados, para não caírem nos erros de consciência.

Desejas a fama dos grandes cientistas; contudo, não indagas quanto ao preço que pagam à disciplina, para manterem fidelidade às suas obrigações.

Queres as vantagens dos grandes industriais; no entanto, desconheces a imensa luta em que se desgastam.

Abraça a atividade singela que o mundo te reservou, respeitando a importância da vida.

Se a experiência de sacrifício te chama a decifrar-lhe os segredos, lembra-te do alicerce que se esconde no solo, preservando a segurança da construção.

Se o apostolado familiar é a renúncia que te compete, recorda que não existem personalidades notáveis, entre os homens, sem o devotamento silencioso de mães e pais, professores e companheiros que se apagam, pouco a pouco, a fim de que elas se levantem na evidência terrestre, à feição das obras-primas de estatuária, em pedestais obscuros.

domingo, 11 de setembro de 2016

O Remédio Justo

O Remédio Justo
O Remédio Justo
“Bem-aventurados os que choram porque serão consolados.” – Jesus – Mateus, 5: 4.

 “Por estas palavras: “Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados, Jesus aponta a compensação que hão de ter os que sofrem e a resignação que leva o padecente a bendizer do sofrimento, com o prelúdio da cura.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. V, 12.)



Perguntas, muitas vezes, pela presença dos espíritos guardiões, quando tudo indica, que forças contrárias às tuas noções de segurança e conforto, comparecem, terríveis, nos caminhos terrestres.

Desastres, provações, enfermidades e flagelos inesperados arrancam-te indagações aflitivas.

Onde os amigos desencarnados que protegem as criaturas?

Como não puderam prevenir certos transes que te parecem desoladoras calamidades?

Se aspiras, no entanto, a conhecer a atitude moral dos espíritos benfeitores, diante dos padecimentos desse matiz, consulta os corações que amam verdadeiramente na Terra.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O Amor

O Amor
O Amor
O amor, tal como se entende comumente, na Terra, é um sentimento, um impulso do ser que o dirige para um outro ser, com o desejo de a ele se unir. Mas, na verdade, o amor reveste-se de formas infinitas, desde as mais vulgares, até as mais sublimes. Princípio da vida universal, fornece à alma, em suas manifestações mais elevadas e mais puras, aquela intensidade de irradiação que reconforta, vivifica tudo à volta dela; é através dele que a alma se sente estreitamente ligada à Potência divina, foco ardente de toda vida, de todo amor.

Acima de tudo, Deus é amor; foi por amor que criou os seres, para associá-los a suas alegrias, à sua obra. O amor é um sacrifício; nele, Deus hauriu a vida, para dá-la às almas. Ao mesmo tempo que a efusão vital, elas recebiam o princípio afetivo destinado a germinar e florescer nelas, através dos séculos, até que tivessem aprendido a se dar, por sua vez, isto é, a devotar-se, a sacrificar-se pelas outras. Assim, longe de se apequenar, elas crescem ainda, se enobrecem e se aproximam do foco supremo.

O amor é uma força inesgotável; renova-se incessantemente e gratifica, simultaneamente, quem dá e quem recebe. É pelo amor, sol das almas, que Deus age com mais eficácia no mundo; por ele, atrai para si todos os pobres seres que se retardam, nas profundezas da paixão, os espíritos cativos da matéria; ele os reergue e os introduz na espiral da ascensão infinita, em direção aos esplendores da luz e da liberdade.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

No Serviço da Pregação

No Serviço da Pregação
No Serviço da Pregação
Lembremo-nos de que Jesus foi o maior orador a serviço da Boa Nova que a humanidade já recebeu.

Cônscio do seu mister, o Cristo procurava reunir o povo e pregava seus belos discursos, tendo como palco a Palestina e como cenário a simplicidade excelsa da natureza. Periodicamente, fazia das colinas da Cidade Santa sua tribuna, iluminada por fulgentes instruções, aproveitando dos costumes do seu povo para, pedagogicamente, construir as lindas parábolas que coroam o Novo Testamento.

Viajou de maneira incansável, irradiando seu verbo aos israelitas na pureza profunda das suas verdades.

Nas pregações, Jesus foi absolutamente respeitoso, sua seriedade e inteligência impressionavam os céticos; desejava esclarecer o povo e não poupou esforços para que sua mensagem atingisse os necessitados em toda parte.

Jamais faltou com o respeito, seu objetivo era esclarecimento e conforto de toda gente. Não se utilizou, porém, de recursos menos dignos para aglutinar as massas, não fez promessas de curar corpos ou espetáculos fenomênicos, não se apresentou como um sacerdote da palavra, muito menos como um mambembe divertindo o vulgo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Influenciações Espirituais Sutis

Influenciações Espirituais Sutis
Influenciações Espirituais Sutis
Sempre que você experimente um estado de espírito tendente ao derrotismo, perdurado há várias horas, sem causa orgânica ou moral de destaque, avente a hipótese de uma influenciação espiritual sutil.

Seja claro consigo para auxiliar os Mentores Espirituais a socorrer você. Essa é a verdadeira ocasião de humildade, da prece, do passe.

Dentre os fatores que mais revelam essa condição da alma, incluem-se:

— dificuldade de concentrar ideias em motivos otimistas;

— ausência de ambiente íntimo para elevar sentimentos em oração ou concentrar-se em leitura edificante;

— indisposição inexplicável, tristeza sem razão aparente e pressentimentos de desastres imediatos;

— aborrecimentos imanifestos por não encontrar semelhantes ou assuntos sobre quem ou o que descarregá-los;

— pessimismos sub-reptícios, irritações surdas, queixas, exageros de sensibilidade e aptidão a condenar quem não tem culpa;

— interpretação forçada de fatos e atitudes suas ou dos outros, que você sabe não corresponder à realidade;

— hiperemotividade ou depressão raiando na iminência de pranto;

sábado, 3 de setembro de 2016

Interferência Espiritual

Interferência Espiritual
Interferência Espiritual
Que os Espíritos interferem na vida dos homens, não há dúvida.

Afinal, os Espíritos são as almas dos homens, que viveram, na Terra, com as suas paixões perniciosas, com as suas aspirações elevadas.

Que a vida responde conforme a quantidade da sementeira de cada um, não se pode negar.

Cada semente repete a espécie, sempre e indefinidamente.

Que o homem atual é o sanatório dos seus atos procedentes das reencarnações passadas, não há porque contestá-lo.

Qualquer edificação resulta da reunião das peças que são aplicadas na sua execução.

Que as situações, pessoas e realidades que a criatura defronta, são decorrência dos investimentos morais e espirituais utilizados,  ninguém deve desconhecer.

Toda ação produz uma reação semelhante.

Que o futuro está sendo construído enquanto o ser age no presente, não se refuta. Qualquer movimento gera uma correspondente onda que se espraia.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Questões Sociais e a Lei Moral

Questões Sociais e a Lei Moral
Questões Sociais e a Lei Moral
Dentre os sistemas preconizados pelos socialistas para conduzir uma organização prática do trabalho e uma sábia repartição dos bens materiais, os mais conhecidos são a cooperação, a associação operária; há alguns que vão mesmo até o comunismo. Até aqui, a aplicação parcial desses sistemas não produziu no nosso país senão resultados insignificantes. É verdade que para viverem associados, para participar de uma obra na qual interesses numerosos unem-se e se fundem, seriam necessárias qualidades que se tornaram raras.

A causa do mal e o remédio não estão onde se procura com mais frequência. É em vão que se esforça para criar combinações engenhosas. Os sistemas sucedem a sistemas, as instituições dão lugar às instituições, mas o homem permanece infeliz porque se conserva mau. A causa do mal está em nós, nas nossas paixões, nos nossos erros. Eis o que é preciso transformar. Para melhorar a sociedade, é preciso melhorar o indivíduo. Para isso, o conhecimento das leis superiores de progresso e de solidariedade, a revelação da nossa natureza e dos nossos destinos são necessários, e esses conhecimentos, só a filosofia dos espíritos pode dá-los.

Talvez proteste-se contra esse pensamento. Crer que o Espiritismo, tão desdenhado, possa influenciar a vida dos povos, facilitar a solução das questões sociais, isso está tão distante de acontecer! Entretanto, por menos que nisso se reflita, seremos forçados a reconhecer que as opiniões e as crenças têm uma influência considerável sobre a forma das sociedades.

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