sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O Amor

O Amor
O Amor
O amor, tal como se entende comumente, na Terra, é um sentimento, um impulso do ser que o dirige para um outro ser, com o desejo de a ele se unir. Mas, na verdade, o amor reveste-se de formas infinitas, desde as mais vulgares, até as mais sublimes. Princípio da vida universal, fornece à alma, em suas manifestações mais elevadas e mais puras, aquela intensidade de irradiação que reconforta, vivifica tudo à volta dela; é através dele que a alma se sente estreitamente ligada à Potência divina, foco ardente de toda vida, de todo amor.

Acima de tudo, Deus é amor; foi por amor que criou os seres, para associá-los a suas alegrias, à sua obra. O amor é um sacrifício; nele, Deus hauriu a vida, para dá-la às almas. Ao mesmo tempo que a efusão vital, elas recebiam o princípio afetivo destinado a germinar e florescer nelas, através dos séculos, até que tivessem aprendido a se dar, por sua vez, isto é, a devotar-se, a sacrificar-se pelas outras. Assim, longe de se apequenar, elas crescem ainda, se enobrecem e se aproximam do foco supremo.

O amor é uma força inesgotável; renova-se incessantemente e gratifica, simultaneamente, quem dá e quem recebe. É pelo amor, sol das almas, que Deus age com mais eficácia no mundo; por ele, atrai para si todos os pobres seres que se retardam, nas profundezas da paixão, os espíritos cativos da matéria; ele os reergue e os introduz na espiral da ascensão infinita, em direção aos esplendores da luz e da liberdade.


O amor conjugal, o amor materno, o amor filial ou fraterno, o amor pelo país, pela raça, pela Humanidade são refrações, raios repartidos do amor divino, que envolve, penetra em todos os seres e, difundindo-se neles, faz com que eclodam e floresçam mil formas variadas, mil esplêndidas florações
de amor.

Até as profundezas do abismo da vida, as radiações do Amor divino descem e vão fazer luz entre os seres mais rudimentares, pela afeição à companheira e aos filhos, primeiros lampejos que, nesse ambiente de egoísmo feroz, serão como a aurora indecisa e a promessa de uma vida mais elevada.



Autor: Léon Denis
Do livro: O Problema do Ser e do Destino

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