quinta-feira, 1 de junho de 2017

Charlatanismo e Venalidade

Charlatanismo e Venalidade
Charlatanismo e Venalidade
A perfídia dos espíritos malévolos não é o único escolho que o Espiritismo encontra na sua estrada; outros perigos ameaçam-no e, esses, vêm dos homens. O charlatanismo e a venalidade, mais temível que a hostilidade mais escarnecida, podem invadir e arruinar as novas doutrinas, como invadiram e arruinaram a maioria das crenças que se sucederam nesse mundo. Produtos espontâneos e mórbidos de um meio corrompido, desenvolvem-se e espalham- se em quase toda a parte. A ignorância da maioria favorece e alimenta essa fonte de abusos. Desde então, inúmeros falsos médiuns, exploradores de todos os graus, procuraram no Espiritismo um meio de fazer dinheiro. O magnetismo, nós o vimos, não está mais ao abrigo desses industriais e, sem dúvida, é preciso ver aí uma das causas que afastaram, durante longo tempo os sábios do estudo dos fenômenos. 

Entretanto, deve-se compreender que a existência de produtos falsificados não dá o direito de negar a dos produtos naturais. Porque saltimbancos intitulam-se físicos, conclui-se daí que as ciências físicas são indignas de atenção e de exame? A fraude e a mentira são consequências inevitáveis da inferioridade das sociedades humanas. Sempre à espreita das ocasiões de enriquecer-se às custas da credulidade, insinuam-se em toda a parte, sujam as melhores causas, comprometem os princípios mais sagrados. 


Também inteiramente temível é essa tendência de alguns fazerem comércio com a mediunidade, criando para si uma situação material com a ajuda de faculdades reais, mas com um caráter variável. A produção dos fenômenos, sendo devida à ação livre dos espíritos, não se poderia contar com uma intervenção permanente e regular de sua parte. Espíritos elevados não poderiam-se prestar a fins interesseiros, e o menos que se pode temer, em caso semelhante, é de cair sob a influência de espíritos frívolos e zombadores. Uma tendência fatal levará o médium remunerado, na ausência de fenômenos reais, a simulá-los. 


Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte.

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