terça-feira, 15 de agosto de 2017

No Princípio e Agora Também

No Princípio e Agora Também
No Princípio e Agora Também
Não apenas no princípio, mas igualmente nos tempos atuais, a falta de esclarecimento de seus seguidores tem sido o maior entrave à propagação da Doutrina.

Muitos confrades vêem no Espiritismo uma doutrina de “uso” pessoal e querem tocá-la ao seu modo. Consideram-se “donos” de centros espíritas, isolam-se dos demais grupos, criticam o movimento unificador, e se médiuns, não admitem qualquer tipo de “concorrência” em seu campo de trabalho.

Por incrível que pareça, existem muitos espíritas assim... Acreditam saber mais que os Benfeitores Espirituais, sem, não raro conhecer as obras da codificação. “Inventam” fórmulas especiais para transmitir passes, centralizando em si todas as atividades do grupo, e ai de quem ouse discordar de suas opiniões.

Com as nossas observações não desejamos criticar nenhum companheiro de ideal, que às próprias expensas, funda e mantém ativa uma instituição, prestando imensos benefícios à comunidade. Entretanto, em doutrina espírita carecemos sempre de uma visão mais ampla das coisas, a fim de que não nos equivoquemos quanto aos seus objetivos.

Não é porque somos servidores do bem que podemos nos permitir desmandos, para que não corramos o risco de ceifar com a mão o que plantamos com a outra...


Por mais façamos a caridade, seja na Terra ou no Além, estejamos convencidos que estaremos resgatando apenas parcelas de nossos grandes débitos perante a Lei. Portanto, jamais nos sintamos justificados perante nossos erros.(...)

O apego a fórmulas e rituais numa reunião que se intitule espírita é ainda herança do paganismo e, no fundo demonstra a predominância do “exterior” sobre o interior, porque a bem da verdade, é muito mais fácil como disse o Cristo oferecer a Deus “sacrifícios matérias” o que o próprio coração...

As chamadas “correntes mediúnicas” também precisam ser melhor avaliadas. Se é fato que a afinidade estabelece sintonia entre os médiuns de um grupo, estabelecem uma “força homogênea” e direcionada no mesmo sentido, não o é a crença de que o simples ajuntamento de médiuns em torno de uma mesa que possa conferir-lhe proteção para que o trabalho se desenvolva imune dos ataques das trevas... Os médiuns podem perfeitamente ficar fisicamente distantes uns dos outros, desde que espiritualmente estejam próximos... “As correntes mediúnicas” se formam a partir dos elos dos sentimentos e não da disposição das cadeiras ocupadas pelos medianeiros.

Existem “correntes mediúnicas” que estão tão fracionadas, que são justamente elas que mais embaraçam o trabalho dos espíritos. Não raro, simples frequentadores de uma sessão espírita colaboram mais do que aqueles que permanecem à frente, com a responsabilidade da direção dos trabalhos.

Ser médium não é privilégio, e dirigir uma instituição espírita é responsabilidade das mais sérias.



Autor: Odilon Fernandes
Do livro: Mediunidade e Evangelho.

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