terça-feira, 1 de agosto de 2017

Revelação pela Dor

Revelação pela Dor
Revelação pela Dor
A dor não é somente o critério por excelência da vida, o juiz que pesa os caracteres, as consciências e mede a verdadeira grandeza do homem. Ela é, também, um processo infalível para reconhecer o valor das teorias filosóficas e das doutrinas religiosas. A melhor será, evidentemente, aquela que nos reconfortar, aquela que disser por que as lágrimas são o quinhão da Humanidade e fornecer os meios de estancá-las. Por meio da dor, descobrimos, com mais segurança, o foco de onde emana a mais bela, a mais suave luz da verdade, aquela que não se extingue.

Se o Universo é apenas um campo fechado entregue às forças caprichosas e cegas da Natureza, uma odiosa fatalidade que nos esmaga; se, nele, não há consciência, nem justiça, nem bondade, então, a dor não tem sentido nem utilidade; ela não comporta consolações. Só nos resta impor silêncio ao coração ferido, pois seria pueril e inútil importunar os homens e o céu com nossas lamentações!


Para todos aqueles cuja vida é limitada pelos horizontes estreitos do materialismo, o problema da dor é insolúvel; não existe esperança para aquele que sofre.

Não é mesmo uma coisa estranha a impotência de tantos sábios, filósofos, pensadores, há milhares de anos, para explicar e consolar a dor, para nos fazer aceitá-la, já que ela é inevitável? Uns a têm negado, o que é pueril. Outros têm aconselhado esquecê-la, distrair-se, o que é inútil, indigno, quando se trata da perda daqueles que amamos. Em geral, nos têm ensinado a temê- la, receá-la, detestá-la. Bem poucos a têm compreendido; bem poucos a têm explicado!



Autor: Léon Denis
Do livro: O Problema do Ser e do Destino.

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