quinta-feira, 31 de maio de 2018

Influência do meio e do Médium

Influência do meio e do Médium
Influência do meio e do Médium
O meio ambiente exerce insuspeitadas predisposições, efeitos nos seres vivos, alterando-lhes a constituição ou preservando-a.

Embora o meio sociocultural seja consequência da ação do homem, torna-se-lhe fator de vigorosos efeitos no comportamento, o que tem levado muitas pessoas a concluir “que o homem é o produto do meio”, salvante, naturalmente, as suas inevitáveis exceções.

É compreensível, portanto, que a influência do meio moral e emocional seja prevalente nos fenômenos mediúnicos.

Além da inevitável influência do médium, em decorrência dos seus componentes íntimos, o psiquismo do Grupo responde por grande número de resultados nos cometimentos da mediunidade.

Do ponto de vista moral, os membros que constituem o Núcleo atraem, por afinidade, os Espíritos que lhes são semelhantes, em razão da convivência mental já existente entre eles. Onde quer que se apresentem os indivíduos, aí também estarão os seus consócios espirituais.


A simples mudança de lugar por pessoa não altera o tipo das companhias que a assessoram.

De igual modo, o caráter da experiência mediúnica e a seriedade ou interesse frívolo que lhe é dedicado produzem natural intercâmbio com Entidades equivalentes.

Daí não se ter o direito de transferir para o médium a responsabilidade total da ação exercida pelos Espíritos, assim como da qualidade moral e cultural dos mesmos que por ele se comunicam.

O médium é um indivíduo sensível a determinadas influenciações do Mundo Espiritual, ao mesmo tempo receptivo a certas ondas mentais que procedem dos homens, e, não raro, produzem fenômenos de telepatia, com correspondente resposta anímica aos apelos vigorosos ou aos impulsos-determinações que lhe são dirigidos.

De bom alvitre, pois, que todo aquele que pretende exercer a mediunidade, estude e exercite os seus recursos de captação e registro, sem precipitação nem vaidade, considerando-se sempre como sendo instrumento frágil e vulnerável, a requisitar cuidados contínuos e constante disciplina.

A ansiedade, a agitação nervosa ou estado depressivo e as intenções doentias do médium produzem-lhe bloqueios compreensíveis, afastando da sua companhia os Espíritos dignos, que deixam o lugar aos inescrupulosos e vadios, sempre interessados em prejudicar e gerar desconforto, dando curso à conduta a que se acostumaram na Terra...

Outrossim, o hábito de interiorização deve constituir a forma eficaz para que o médium anule as interferências estranhas e insistentes que buscam penetrar na sua tela mental com o propósito de predominar em relação à influência dos desencarnados.

As leituras salutares, o cultivo dos bons e nobres sentimentos, as ações de benemerência e vinculação com o pensamento divino, graças à oração de recolhimento, inspiradora, abrem-lhe as portas da percepção, facilitando o intercâmbio seguro, do qual resultam efeitos bonançosos e edificantes para ele próprio como para os outros.

Cabe, desse modo, ao médium sincero, sobrepor, às influências do meio onde opera, as suas conquistas pessoais, gerando em sua volta uma psicosfera positiva quão otimista, sob todos os aspectos propícia à execução do compromisso a que se dedica.

Como não pode antever o meio no qual exercitará a mediunidade, cabe-lhe conduzir o seu clima psíquico favoravelmente ao evento, fornecendo os elementos hábeis para os resultados benéficos.

Variam as condições para o fenômeno, conforme são as diferentes mediunidades.

Não havendo dois médiuns iguais, como ocorre em outros campos de atividade, cada qual é o resultado das conquistas atuais e pregressas, que lhe ensejam os recursos indispensáveis para a execução do mister abraçado.

Assim, há aqueles que facilmente se comunicam com os Espíritos, em decorrência de as suas experiências iniciais terem ocorrido em outras reencarnações, nas quais treinaram a aptidão que possuíam. Outros, no entanto, são mais tardos nesse desiderato, o que, em nada lhes diminui o valor; pelo contrário, mais lhes amplia o merecimento, em face do esforço que empreendem até o coroamento pelo êxito.

O importante, num como noutro, serão os objetivos que perseguem em favor da tarefa espiritual, a conduta que se impõem, buscando valorizar a vida e a oportunidade na luta pelo aprimoramento interior, o desinteresse por qualquer retribuição, provinda dos que se beneficiam com o seu labor, e, principalmente, tomando para si as instruções que recebem, antes que para os outros.

A mediunidade bem exercida é roteiro de iluminação, que proporciona venturas inimagináveis, quando a afeição e o amor a abraçam, em favor da Humanidade.

Assim considerada e vivida, serão superados os fatores do meio que, ao invés de influenciar sempre, passa a sofrer-lhe a influenciação, estabelecendo-se psicosfera benéfica quão salutar para todos aqueles que constituem o Grupo no qual ela se desdobra.

Não se descarte, pois, a influência do meio, que deve ser superior, nem do médium, que se deve apresentar equipado dos recursos próprios, de modo que se recolham boas e proveitosas comunicações, ampliando-se o campo de percepção do Mundo Espiritual, causal e pulsante, no qual se encontra mergulhado, em escala menor, o físico, por onde se movimentam os homens, no processo de crescimento e evolução.



Autor: Manoel P. de Miranda
Do livro: Temas da Vida e da Morte

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