segunda-feira, 11 de junho de 2018

Médiuns Fascinados

Médiuns Fascinados
Médiuns Fascinados
A fascinação, se assim nós podemos expressar, é uma espécie de hipnose a que o espírito obsessor induz o médium obsidiado. Referimo-nos como médium obsidiado, porque, em última análise, o obsidiado não deixa de ser um médium em potencial.

Fascinado, o médium não se julga equivocado nas comunicações que esteja intermediando, no entanto a fascinação exercida sobre ele pode ir muito mais longe...

O médium fascinado, em seus instantes de lucidez, recusa, por exemplo a advertência que lhe é feita pelos Espíritos Amigos, os quais prevalecendo-se das clareiras mentais em seu quase permanente estado de fascinação, tentam acordá-lo para as suas responsabilidades.

Curiosamente, existem medianeiros que, paralelamente, conseguem, segundo as suas conveniências pessoais, abrir-se à inspiração de ordem superior e trancarem-se na inflexibilidade da fascinação que estimam cultivar. Vejamos se conseguimos expressar melhor: embora isto não aconteça por muito tempo, médiuns existem que conseguem sustentar duas sintonias em polos completamente opostos, ou seja, captam mensagens de teor positivo e submetem-se de bom grado às sugestões infelizes que lhes atendam os interesses inferiores.


Por que então – muitos indagariam – a Espiritualidade se mostraria benevolente com tais companheiros da mediunidade que intentam servir ao Bem e ao Mal? Por vários motivos – responderíamos. O primeiro deles e, talvez, o mais importante seria não deixar o medianeiro completamente à mercê de uma influência negativa... Acaso os pais do mundo sonegam conselhos aos filhos que apenas os escutam parcialmente? A água pura da fonte, na ânsia de alcançar os lábios sedentos do peregrino, furtar-se-ia ao leito enlameado?

Como qualquer ser humano, o médium está sujeito a deslizes que não devem desaboná-lo nos acertos que, por outro lado, seja capaz de efetuar... Se da boca de pessoas consideradas íntegras podemos, às vezes, registrar palavras chulas ou anedotas deprimentes, sem que tal lhes arranhe o alto conceito em que os temos, da boca de irmãos habituados a assuntos infelizes podemos, não raro, captar verdades que nos fornecem a impressão de um lírio florescendo no charco...

Necessitamos ainda considerar que o problema da fascinação sobre os médiuns não deve ser imputado apenas aos desencarnados, posto que muitos deles se transformam em vítimas das próprias alucinações nas ideias mirabolantes que formam a respeito de si mesmos. Aliás, esta fascinação é a mais grave de todas, porque o medianeiro não se coloca na condição de quem admite estar necessitando ajuda para reencontrar o discernimento.

Um sábio da Antiguidade escreveu: “É esforçar-se em vão pretender trazer entendimento a quem imagina possuir entendimento”.

Que fazer pelo doente incapaz de aceitar que esteja enfermo? Que providências tomar em benefício de quem, estando imerso nas sombras, se considera na luz?

Dos Espíritos com os quais temos lidado no Além, os fascinados por si mesmos são os mais difíceis de auxiliar; somente a dor, na linguagem silenciosa do tempo, conhece a argumentação irrefutável que terminará por vencê-los, obrigando-os à introspecção de que fogem, receosos certamente de seu encontro com a Verdade.

Quantos Espíritos, encarnados e desencarnados, não temem o autoconhecimento, que os compeliria à humildade, no reconhecimento das limitações que preferem ignorar?! Quantos outros decidem-se pelo comodismo moral por incapacidade de renunciar ao “homem velho”, desanimados pela antevisão do longo caminho a percorrer, na renovação íntima?!

Dos problemas da fascinação, portanto, o dos médiuns vítimas de comunicados que não resistem ao crivo da razão ao qual devem ser submetidos, é o mais insignificante.

Fácil desmascarar a mentira; difícil não mentir...

Fácil apontar erros alheios; difícil aceitar que se esteja errado...

Busquemos a conscientização indispensável, e o caminho que trilhamos se nos apresentará menos obstruído.

Saibamos onde se encontram, dentro de nós, as pedras de tropeço que carecemos remover ou evitar.

Reflitamos na extensão e na dificuldade da jornada evolutiva que nos compete empreender e, sem desânimo, prossigamos, passo a passo, sedimentando em nós as virtudes que, um dia, haverão de redimir-nos.

Serenamente, acrescentemos à nossa edificação íntima os tijolos do amor e da sabedoria com que os anjos, na argamassa do suor e das lágrimas que derramaram, já construíram o castelo da felicidade inalterável em que residem, entre as estrelas!...



Autor: Odilon Fernandes
Do livro: Mediunidade e Obsessão

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