domingo, 8 de março de 2009

Caridade para com os adversários

No fundo, o adversário gratuito, que se converte em perseguidor contumaz e sistemático, amargando tuas horas e anatematizando teus esforços dirigidos para o bem, não deve receber tua reação negativa.

Justo te precatares contra a irritação e a cólera, em relação a ele.

Não poucas vezes sentirás a presença da revolta e dos nervos em desalinho, face a constrição que te é infligida, convertendo-se em duro acicate ao ódio ou pelo menos ao revide. Apesar disso, arma-te de paciência e age com prudência.
O vendaval enrija as fibras do arvoredo, o fogo purifica os metais, a drenagem liberta o lodo, o cinzel aprimora a pedra e a dor acrisola o espírito.

Observado pela má vontade e contundido pela impulsividade dos perseguidores serás convidado, ao exercício da abnegação e da humildade, preciosas virtudes mediante as quais resgatarás dívidas de outra procedência, enquanto eles, a seu turno, despertarão para a responsabilidade depois.

Porque te persigam, não é lícito te convertas em sicário também.

Todos nós encontramos na Terra em exercício de sublimação espiritual.

Embora te sintas arder nas provocações e sofrer pelas injustiças impostas não te cumpre qualquer revide infeliz.

Apazigua as paisagens íntimas e prossegue dedicado aos misteres abraçados.

Enquanto te fiscalizem, acusem, duvidem de ti, utilizarás mais a prudência e a temperança auferindo maior soma de benefícios.

No fragor da perseguição, oferta a tua prece de gratidão em favor dos que se converteram em inimigos gratuitos da tua paz, reservando-te caridade para com eles.

Se insistires desculpando-os, constarás que, não obstante, desconheçam, fazem-se teus mestres ignorados, graças a cuja permanente antipatia ascenderás na direção do Grande Incompreendido da humanidade que prossegue até hoje esperando por todos nós.

Joanna de Ângelis

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