sexta-feira, 24 de abril de 2009

Deus na natureza

Um livro grandioso, dissemos, está aberto sob nossos olhos, e qualquer observador paciente pode nele ler a palavra do enigma, o segredo da vida eterna.

Nele se vê que uma vontade dispôs a ordem majestosa na qual se agitam todos os destinos, movem-se todas as existências, palpitam todos os espíritos e todos os corações.

Ó alma! prende, primeiramente, a suprema lição que desce dos Espaços sobre as frontes inquietas. O Sol escondeu-se no horizonte; seus últimos clarões de púrpura tingem ainda o céu; uma luz branda indica que, além, um astro velou-se aos nossos olhos. A noite estende acima de nossas cabeças sua cúpula constelada de estrelas. Nosso pensamento se recolhe e busca o segredo das coisas. Voltemo-nos para o Oriente. A Via Láctea desenrola como uma faixa imensa suas miríades de estrelas, tão comprimidas, tão longínquas que parecem formar uma massa contínua. Por toda a parte, à medida que a noite se torna mais negra, outras estrelas aparecem, outras chamas se acendem como lâmpadas suspensas no santuário divino. Através das profundezas insondáveis, esses mundos permutam seus raios prateados; eles nos impressionam à distância e nos falam uma linguagem muda.

Assim, todas as estrelas nos cantam seu poema de vida e de amor, todas nos fazem ouvir uma evocação poderosa do passado ou do porvir. Elas são as "moradas" de nosso Pai, as etapas, as soberbas balizas das estradas do infinito, e nós por aí passaremos, aí viveremos todos para, um dia, entrarmos na luz eterna e divina.

Léon Denis

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