quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Adversidade


Adversidade
Lutar contra a adversidade é um dever; abandonar-se, deixar-se  levar pela preguiça, suportar sem reagir aos males da vida seria uma covardia. As dificuldades que temos a vencer exercem e desenvolvem nossa  inteligência. Todavia, quando nossos esforços tornam-se supérfluos, quando o inevitável ergue-se, chega a hora de apelar para a resignação. Nenhuma força poderia desviar de nós as consequências do passado.
Revoltar-se contra a lei moral seria tão insensato quanto querer resistir às leis da distância e da gravidade. Um louco pode procurar lutar contra a Natureza imutável das coisas, enquanto que o espírito sensato encontra
na provação um meio de retemperar-se, de fortalecer suas qualidades viris. A alma intrépida aceita os males do destino; mas, através do pensamento, eleva-se acima deles e transforma-os em degrau para atingir a virtude.

As aflições mais cruéis, as mais profundas, quando aceitas com submissão que é o consentimento da razão
e do coração, indicam, geralmente, o término de nossos males, a quitação da última prestação da nossa dívida. É o instante decisivo onde importa permanecer firme, apelar para toda nossa resolução, para nossa energia moral, a fim de sair vitorioso da prova e dela recolher as vantagens.



Com frequência, nas horas difíceis, o pensamento da morte vem visitar-nos. Não é repreensível pedir a morte, mas só é verdadeiramente desejável quando após ter triunfado sobre todas as nossas paixões. De que adianta
desejar a morte se, não estando curado dos nossos vícios, tivermos que voltar ainda para nos purificar através de penosas encarnações? Nossas faltas são como a túnica do centauro colada ao nosso ser, e cujo arrependimento e expiação só podem nos desvencilhar.

Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte

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