domingo, 15 de julho de 2012

Mordomias


Mordomias
— Estamos construindo um mundo novo — disse Cláudio ao jovem advogado que aderia ao trabalho do grupo, e sem criticar os costumes de vários países, desejaria conhecer o pensamento de Cristo sobre mordomias. Não me lembro de nenhuma passagem do Novo Testamento que nos conduza às ideias e opiniões do Divino Mestre nesse sentido... Um professor dos que se achavam presentes tomou a palavra e informou: 

— Jesus era contrário a semelhante sistema de privilégios inaceitáveis. 

— Em que tópico será possível encontrar as conclusões a que o senhor terá chegado? Falou o rapaz... 

O educador buscou um exemplar do Novo Testamento e em voz alta narrou a expressiva história de um homem avaro entre os capítulos 19 a 21 do Evangelho do Apóstolo São Lucas: 


— E Jesus disse-lhes a seguir esta parábola: “Havia um rico homem. Suas terras haviam produzido extraordinariamente e se entretinha a pensar consigo mesmo, assim: Que hei de fazer, pois já não tenho lugar onde possa colocar tudo o que vou colher? Aqui está, disse, o que farei: demolir os meus celeiros e construir outros maiores, onde depositarei a minha colheita e todos os meus bens. E direi à própria alma: Tens de reserva muitos bens para longos anos! Repousa, come, bebe e goza. Mas Deus, ao mesmo tempo, disse ao homem: Que insensato és!... Esta noite mesmo tomar-te-ão a alma; para que servirá, então, o que acumulaste?” 

E o professor rematou: 

— Nesta parábola simples, Jesus ensinou o que pensava acerca de mordomias. O homem era rico, foi surpreendido pela produção abundante das suas próprias terras. 

Tão grande se lhe fizeram as facilidades que se propôs a levantar celeiros mais amplos, nos quais pudesse ajuntar a enorme colheita e todos os bens que possuía. Ele, que já se achava provido do necessário, queria entesourar o supérfluo? Não encontramos aí as ilações do Mestre, com respeito às mordomias dos tempos modernos? 

O jovem rapaz que acompanhava a leitura com grande respeito e atenção se manteve, então, em profundo silêncio. 


Autor: Emmanuel
Do Livro: A Semente de Mostarda

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