segunda-feira, 3 de junho de 2013

A Vida Superior

A Vida Superior
A Vida Superior
Como resumir as impressões do espírito na vida radiosa que se abre diante de si? A vestimenta grosseira, o pesado manto que recobria seus sentidos íntimos, despedaçando- se subitamente, tornam centuplicadas suas percepções. Sem limites, sem horizontes limitados. O Infinito profundo, luminoso, desdobra-se com suas maravilhas resplandecentes, com seus milhões de sóis, focos multicores, safiras, esmeraldas, joias enormes semeadas no azul, e seus suntuosos cortejos de esferas. Esses sóis, que aparecem aos homens como simples centelhas, o espírito as contempla na sua real e colossal grandeza; ele os vê maiores do que aquele que ilumina nosso ínfimo planeta; reconhece a força de atração que os religa, e distingue, nas longínquas profundezas, os astros formidáveis que presidem às suas evoluções. Todas essas tochas gigantescas, ele as vê em movimento, gravitar, prosseguir seu curso vagabundo, entrecruzarem-se como globos de fogo lançados no vazio através da mão de um invisível jogador. 


Nós, a quem os rumores perturbam incessantemente, os murmúrios confusos da raça humana, não podemos 
conceber a calma solene, o majestoso silêncio dos espaços, que enche a alma com um sentimento augusto, um assombro que chega às raias do pavor. Todavia, o espírito bom e puro é inacessível ao pavor. Esse infinito, silencioso e frio para os espíritos inferiores, anima-se logo para ele e faz ouvir sua voz poderosa. A alma desembaraçada da matéria percebe, pouco a pouco, as vibrações melodiosas do éter, as delicadas harmonias descidas das colônias celestes; ouve o ritmo imponente das esferas. Esse canto dos mundos, essas vozes do Infinito, que ecoam no silêncio, saboreia-as e deixa-se invadir até o arrebatamento. Recolhida, embriagada, cheia de um sentimento grave e religioso, de uma admiração que não pode se cansar, banha-se nas ondas do éter, contempla as profundezas siderais, as legiões de espíritos, sombras flexíveis, ligeiras, que aí flutuam e se agitam em véus de luz. Assiste à gênese dos mundos; vê a vida despertar, crescer na sua superfície; segue o desenvolvimento das humanidades que os povoam e, nesse espetáculo, constata que em todos os lugares a atividade, o movimento, a vida unem-se à ordem no Universo.


Autor: Léon Denis
Do Livro: Depois da Morte

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