domingo, 27 de outubro de 2013

Platão - Uma visão histórica de encarnado e sua participação na divulgação da Doutrina



Platão viveu de 429-347 a.C, foi  discípulo de Sócrates, e em forma de diálogos, registrou os ensinos recebidos daquele mestre da filosofia, que com seu método investigativo, promoveu o autoconhecimento.

Os filósofos que antecederam Sócrates buscavam o princípio de tudo nos elementos da natureza, mas para ele, conhecer era conduzir o indivíduo a conhecer-se melhor, voltando-se para o si próprio.

O Conhecimento para Sócrates era divino, era o seu motivo de viver. A sua missão era promover a reflexão  interior, tanto que ele adotou o dístico que constava no frontispício do Templo de Delfos, anotado em grego: "Gnôthi seauton", que significa: “Conhece-te a ti próprio”.

Filosoficamente, conhecimento é a apropriação do objeto pelo pensamento, como quer que se conceba essa apropriação: como definição, como percepção clara, apreensão completa, análise etc.

Mais jovem do que Sócrates 45 anos, Platão desenvolveu todas as suas ideias, baseadas nos anos em que se relacionou com Sócrates, nas suas próprias experiências e observações da vida em Atenas e das viagens pelo Egito, pela Itália, Sicília, que empreendeu devido a sua tristeza pela morte do seu mestre.

Ao retornar a Atenas, Platão funda nos jardins de Academo, em um povoado da Ática, a famosa “Academia”, um grande centro de estudos, considerado o lugar onde o saber é produzido, não apenas aprendido. Ele é autor de um domínio amplo acerca de Metafísica, Ética, Teoria do Conhecimento e investigações sobre a Política, que vão favorecer inúmeros filósofos, como Aristóteles, que ingressou na Academia, ainda jovem. As atividades desta escola foram mantidas até a época do império de Justiniano.

É Werner Jaeger (filólogo alemão) que  na obra Paideia destaca no capítulo, A imagem de Platão na história:

“Mais de dois mil anos já se passaram desde o dia em que Platão ocupava o centro do universo espiritual da Grécia e em que todos os olhares convergiam para a sua Academia, e ainda hoje  se continua a definir o caráter  de uma filosofia, seja ela qual for, pela sua relação com aquele filósofo.”

Percebemos na obra de Platão, a impregnação dos ensinamentos de Sócrates, de maneira que é difícil separar o que é dele e o que é do seu mestre.

Conforme obra citada acima Jaeger assinala: “ (...) Platão assume a herança de Sócrates e se encarrega da direção da luta crítica com as grandes potências educadoras de seu tempo e com a tradição histórica do seu povo; com a sofística e a retórica, o Estado e a legislação, a Matemática e a Astronomia, a ginástica, a Medicina, a poesia e a música. Sócrates apontara a meta e estabelecera a norma para o conhecimento do bem. Platão procura encontrar o caminho que conduz a essa meta, ao colocar o problema da essência do saber.”

A República, um dos mais importantes escritos de Platão retrata a investigação do conceito de justiça para uma vida harmoniosa para a cidade e os cidadãos. Ele desenvolve a Teoria das ideias e das aparências.

No diálogo filosófico, que se intitula “Fédon”, Platão narra os momentos que antecedem o envenenamento por cicuta do mestre (pela sentença de morte recebida dos juízes). Embora não tenha participado desses últimos momentos, pois se encontrava doente, Platão recebe as informações sobre o diálogo entre Equécrates e Fédon, quando   lições sobre a morte, o destino da alma e as virtudes que um cidadão deve buscar para si são desenvolvidas.

Parece ser projeto filosófico de Platão, registrado no diálogo em tela, as ideias sobre a teoria das reminiscências (acolhidas em suas andanças pelo mundo), permeadas pelo exemplo do mestre, Sócrates, nos derradeiros instantes, ensinando sobre a morte quanto uma escolha, e o aprendizado do verdadeiro filósofo de libertar a alma do corpo, que dificulta o saber pleno.

O dualismo corpo-alma em discussão nesta obra, marca a história do pensamento ocidental.

Herculano Pires, na obra Introdução à Filosofia Espírita, cap III assinala que:

“ (...) O problema do conhecimento é básico em Filosofia. Pois se esta tem por objeto a Sabedoria, o que vale dizer o nosso saber, aquilo que sabemos (...). Na Filosofia Espírita ela assume uma importância ainda mais profunda, pois a pergunta “Como conhecemos?” implica a relação espírito-corpo. E essa relação exige a definição dos seus componentes, envolvendo as perguntas “ o que é espírito” e “o que é corpo”?”

No Evangelho segundo o Espiritismo, Introdução IV, Kardec registra a identidade da teoria de Sócrates e Platão com a Doutrina Espírita, facilitando o nosso entendimento acerca das questões filosóficas que faz parte do aspecto tríplice do Espiritismo.

Cito o trecho  III: “Enquanto tivermos o nosso corpo e a alma se achar mergulhada nessa corrupção, nunca possuiremos o objeto dos nossos desejos: a verdade. Com efeito, o corpo nos suscita mil obstáculos (...) nos enche de desejos, de apetites, de temores, de mil quimeras e de mil tolices, de maneira que, com ele, impossível se nos torna ser ajuizados, sequer por um instante.”

“O Espiritismo diz: Aqui temos o princípio das faculdades da alma, obscurecidas por terem como intermediários os órgãos corporais, e o da expansão dessas faculdades após a morte. (...)”

Kardec registra no Prolegômenos de O Livro dos Espíritos, a participação desses luminares entre outros, a fornecer orientações estimuladoras da vida prática, que estruturam os postulados que a Doutrina Espírita nos oferece como subsídios.


Autor: Magdala Alves 

Fontes Bibliográfica:
Kardec Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. RJ: Ed. CELD. 2000.
Kardec Allan. O Livro dos Espíritos. RJ: Ed. CELD. 2011.
Jaeger Werner. Paidéia. SP: Ed. Martins Fontes. 1995.
Pires J. Herculano. Introdução à Filosofia Espírita. SP: Ed. FEESP. 2000.

Platão - Coleção Os Pensadores. Ed. Nova Cultural Ltda. 1996.

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