segunda-feira, 5 de maio de 2014

A vida no espaço

A vida no espaço
A vida no espaço
A vida do espírito evoluído é essencialmente ativa, embora sem fadigas. As distâncias não existem para ele. Transporta-se com a rapidez do pensamento. Seu envoltório, semelhante a um vapor tênue, adquiriu uma tal sutileza que se torna invisível aos espíritos inferiores. Ele vê, ouve, sente, percebe, não mais através dos órgãos materiais que se interpõem entre a Natureza e nós e interceptam a passagem da maior parte das sensações, mas, diretamente, sem intermediário, através de todas as partes de seu ser. Suas percepções são, também, mais precisas e em maior número do que as nossas. O espírito elevado nada, de alguma maneira, no meio de um oceano de sensações deliciosas. Quadros que mudam, desenrolam-se à sua vista, harmonias suaves embalam-no e encantam-no. Para ele, as cores são perfumes, os perfumes são sons. Mas, por mais delicadas que possam ser suas impressões, pode delas subtrair-se e recolher-se à vontade, envolvendo-se com um véu fluídico, isolando-se no seio dos Espaços.

O espírito evoluído está liberto de todas as necessidades corporais. A alimentação e o sono não têm para ele nenhuma razão de ser. Partindo da Terra, deixa para sempre os cuidados vãos, os sobressaltos, todas as quimeras que envenenam a existência nesse mundo. Os espíritos inferiores levam consigo, além-túmulo, seus
hábitos, suas necessidades, suas preocupações materiais. Não podendo elevar-se acima da atmosfera terrestre, voltam para participar da vida dos humanos, misturar-se às suas lutas, seus trabalhos, seus prazeres. Suas paixões, seus apetites, sempre despertos, superexcitados pelo contato contínuo com a Humanidade, acabrunham-nos e a impossibilidade de satisfazê-los torna-se para eles uma causa de tortura.

Os espíritos não têm necessidade da palavra para se compreenderem. Cada pensamento, refletindo-se no perispírito como uma imagem num espelho, trocam suas ideias sem esforço, com uma rapidez vertiginosa. O espírito elevado pode ler no cérebro do homem e desvendar seus mais secretos planos. Nada lhe fica oculto. Perscruta todos os mistérios da Natureza e pode explorar, à sua vontade, as entranhas do globo, o fundo dos oceanos, neles considerar as ruínas das civilizações desaparecidas. Atravessa os corpos mais densos e vê abrir-se diante de si os domínios impenetráveis do pensamento humano.



Autor: Léon Denis
Do Livro: Depois da Morte.

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