sábado, 10 de maio de 2014

Forma e ubiquidade dos espíritos

88. Os Espíritos têm uma forma determinada, limitada e constante?
“Aos vossos olhos, não; aos nossos, sim; são, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea.”

a) Esta chama ou centelha tem uma cor qualquer?
“Para vós, ela varia do opaco ao brilho do rubi, conforme o espírito seja mais ou menos puro.”

Comumente, representam-se os gênios com uma chama ou uma estrela na fronte; é uma alegoria que lembra a natureza essencial dos Espíritos. É colocada no topo da cabeça, porque aí está a sede da inteligência.

89. Os Espíritos levam algum tempo para percorrer o espaço?
“Sim; porém, rápido como o pensamento.”

a) O pensamento não é a própria alma que se transporta?
“Quando o pensamento está em alguma parte, a alma também aí está, visto que é a alma quem pensa. O pensamento é um atributo.”

90. O Espírito que se transporta de um lugar para outro tem consciência da distância que percorre e dos espaços que atravessa, ou é subitamente transportado ao lugar onde quer ir?
“As duas coisas; o Espírito pode muito bem, se o quiser, dar-se conta da distância que atravessa; mas também esta distância pode apagar-se completamente; isto depende de sua vontade e, ainda, de sua natureza mais ou menos depurada.”


91. A matéria opõe obstáculo aos Espíritos?
“Não, eles penetram em tudo: o ar, a terra, as águas, até o fogo lhes são igualmente acessíveis.”

92. Os Espíritos têm o dom da ubiquidade; em outras palavras, o mesmo espírito pode se dividir, ou existir em vários pontos ao mesmo tempo?
“Não pode haver divisão do mesmo Espírito; porém, cada um é um centro que irradia para diferentes lados e é por isso que parece estar em vários lugares ao mesmo tempo. Vês o Sol? Ele é apenas um e, entretanto, irradia em todos os sentidos e emite os seus raios até bem distante; apesar disto, ele não se divide.”

a) Todos os Espíritos irradiam com a mesma potência?
“Falta muito para tal; isto depende do grau de pureza em que se encontrem.”

Cada Espírito é uma unidade indivisível, mas cada um deles pode estender seu pensamento para diversos lados, sem que para isto se divida. É apenas neste sentido que se deve entender o dom da ubiquidade atribuído aos espíritos. Assim como uma centelha projeta ao longe sua claridade e pode ser percebida de todos os pontos do horizonte. Ou, ainda, como um homem que, sem mudar de lugar e sem se fracionar, pode transmitir ordens, sinais e o movimento a diferentes pontos.



Autor: Allan Kardec
Livro: O Livro dos Espíritos

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