sexta-feira, 13 de março de 2015

Médiuns Doentes

Médiuns Doentes
Médiuns Doentes
“(...) Deve-se desviar, por todos os meios possíveis, as que apresentem os menores sintomas de excentricidade nas ideias ou enfraquecimento das faculdades mentais, visto que há, nelas, predisposição evidente para a loucura, que qualquer causa superexcitante pode fazer desenvolver.” (Cap. XVIII, Segunda Parte, Item 222)


Ao orientar alguém para o desenvolvimento mediúnico, é necessário ter-se muito cuidado, porque nem todas as pessoas encontram-se em condições de lidar com as suas faculdades psíquicas.

Às vezes, recomendar que determinada pessoa procure desenvolver-se mediunicamente é empurrá-la para maior desequilíbrio, visto que, do ponto de vista do equilíbrio emocional, ela pode não estar preparada.

Como sempre, Kardec foi muito feliz ao escrever o texto que encima as nossas reflexões neste capítulo.

Como alguém com certa tendência esquizofrênica poderia se ocupar da mediunidade, sem alterar ainda mais
o seu psiquismo?!

Quase todos os nossos irmãos mentalmente alterados revelam certa disposição para o que consideram “sobrenatural”... Vivendo já, psiquicamente, entre os dois mundos, com suas visões e vozes, esses companheiros devem canalizar seus recursos mediúnicos para alguma tarefa assistencial, onde, através do tempo, encontrem o equilíbrio que procuram. (...)

Os médiuns doentes primeiro carecem de tratamento — tratamento médico especializado e tratamento espiritual, a fim de que, futuramente, quem sabe até numa próxima encarnação, tornem-se aptos ao exercício propriamente dito de suas faculdades mediúnicas.

Esses médiuns doentes, aqui chamados assim por nós, para maior clareza de entendimento, alcançando significativa melhora em seu estado geral, poderão até cooperar na transmissão de passes no centro espírita; todavia, de forma alguma seria aconselhável que, mediunicamente, excedessem este mister. E, mesmo cooperando na transmissão dos passes, devem fazê-lo em reunião menos concorrida, onde não haja tanta aglomeração de pessoas.

A pretexto de caridade, os responsáveis pelas atividades do grupo espírita nunca deverão permitir que esses nossos irmãos médiuns em processo de reequilíbrio mediúnico excedam-se nas atribuições que lhes são confiadas. (...)

Vejamos, pois, a responsabilidade que assumem os que, indiscriminadamente, orientam as pessoas para o desenvolvimento mediúnico, sem uma noção mais exata de seu estado psicológico; a sua responsabilidade é tão grande quanto a daqueles que rotulam os outros de doentes mentais, colocando-lhes sobre os ombros a pesada cruz da marginalização social.

A caridade não deve desprezar o bom senso, para que o bem que desejamos fazer, e nos seja feito, alcance toda a sua extensão.

Não nos esqueçamos de que a nossa fé é raciocinada e, por isto, coração e razão precisam se entender, falando a mesma linguagem.

Nem sempre o que se deixa levar apenas pelo coração está agindo corretamente.

O Amor de Deus pelas criaturas não é cego.



Autor: Odilon Fernandes
Do Livro: Somos Todos Médiuns.

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