segunda-feira, 27 de junho de 2016

Os Espíritos Inferiores e a Ação do Homem sobre os Espíritos Infelizes

Os Espíritos Inferiores e a Ação do Homem sobre os Espíritos Infelizes
Os Espíritos Inferiores e a Ação do Homem
 sobre os Espíritos Infelizes
O espírito puro traz, em si, sua luz e sua felicidade, que o seguem por toda parte, e fazem parte integrante de seu ser. Assim também, o espírito culpado arrasta consigo sua noite, seu castigo, seu opróbio. Os sofrimentos das almas perversas, por não serem materiais, não são menos vivos. O inferno é apenas um lugar quimérico, um produto da imaginação, um espantalho talvez necessário para enganar povos infantis, mas que nada tem de real. Muito diferente é o ensino dos espíritos com relação aos tormentos da vida futura: não há hipótese em parte alguma.

Esses sofrimentos, com efeito, aqueles mesmos que os experimentam nos vêm descrevê-lo, como outros vêm nos retratar seu arrebatamento.

Eles não são impostos por uma vontade arbitrária. Nenhuma sentença é pronunciada. O espírito sofre as consequências naturais de seus atos, que recaindo sobre ele, glorificam-no ou acabrunham-no.

O ser sofre na vida de além-túmulo, não somente pelo mal que fez, mas também pela sua inação e pela sua fraqueza. Numa palavra, essa vida é obra sua; tal qual confi gurou com suas próprias mãos. 

O sofrimento é inerente ao estado de imperfeição; atenua-se com o progresso; desaparece quando o espírito vence a matéria.


O castigo do espírito mau prossegue, não somente na vida espiritual, mas também nas encarnações sucessivas que o arrastam aos mundos inferiores, onde a existência é precária, onde a dor reina soberana. Tais são os mundos que poderiam ser qualificados de inferno. A Terra, em certos pontos de vista, deve ser classificada entre eles. Em torno desses mundos, prisões de forçados que rolam na imensidão, flutuam as sombrias legiões dos espíritos imperfeitos, aguardando a hora da reencarnação.

Vimos como é penosa, prolongada, cheia de perturbação e de angústia, a fase de desprendimento corporal para o espírito entregue às paixões. A ilusão da vida terrestre nele prossegue durante anos. Incapaz de levar em conta seu estado e de romper os elos que o acorrentaram, não tendo jamais elevado sua inteligência e seu coração além do círculo estreito de sua existência, continua a viver como o fazia, antes da morte, escravizado aos seus hábitos, aos seus pendores, indignando-se porque seus próximos parecem não mais vê- lo nem ouvi-lo, vagando, triste, sem objetivo, sem esperança, nos lugares que lhe são familiares. São essas almas penadas cuja presença suspeitou- se, durante muito tempo em algumas moradias, e cuja realidade é estabelecida, cada dia, através de numerosas e ruidosas manifestações.

A situação do espírito, depois da morte resulta unicamente das aspirações e dos gostos que em si desenvolveu. É sempre a inexorável lei da semeadura e da colheita. Aquele que depositou todas as suas alegrias, toda sua felicidade nas coisas desse mundo, nos bens da Terra, sofre cruelmente desde que se encontre disso privado. Cada paixão traz sua punição em si mesma. O espírito que não soube libertar-se dos apetites grosseiros, dos desejos brutais, torna-se seu joguete, seu escravo. Seu suplício é ser atormentado por eles, sem poder satisfazê-los.


Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte

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