quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Questões Sociais e a Lei Moral

Questões Sociais e a Lei Moral
Questões Sociais e a Lei Moral
Dentre os sistemas preconizados pelos socialistas para conduzir uma organização prática do trabalho e uma sábia repartição dos bens materiais, os mais conhecidos são a cooperação, a associação operária; há alguns que vão mesmo até o comunismo. Até aqui, a aplicação parcial desses sistemas não produziu no nosso país senão resultados insignificantes. É verdade que para viverem associados, para participar de uma obra na qual interesses numerosos unem-se e se fundem, seriam necessárias qualidades que se tornaram raras.

A causa do mal e o remédio não estão onde se procura com mais frequência. É em vão que se esforça para criar combinações engenhosas. Os sistemas sucedem a sistemas, as instituições dão lugar às instituições, mas o homem permanece infeliz porque se conserva mau. A causa do mal está em nós, nas nossas paixões, nos nossos erros. Eis o que é preciso transformar. Para melhorar a sociedade, é preciso melhorar o indivíduo. Para isso, o conhecimento das leis superiores de progresso e de solidariedade, a revelação da nossa natureza e dos nossos destinos são necessários, e esses conhecimentos, só a filosofia dos espíritos pode dá-los.

Talvez proteste-se contra esse pensamento. Crer que o Espiritismo, tão desdenhado, possa influenciar a vida dos povos, facilitar a solução das questões sociais, isso está tão distante de acontecer! Entretanto, por menos que nisso se reflita, seremos forçados a reconhecer que as opiniões e as crenças têm uma influência considerável sobre a forma das sociedades.


A sociedade da Idade Média era a imagem fiel das concepções católicas. A sociedade moderna, sob a inspiração do materialismo, não vê no Universo senão a concorrência vital e a luta dos seres, luta ardente, na qual todos os apetites, todos os instintos estão desencadeados. Tende a fazer do mundo atual a formidável e cega máquina que esmaga as existências, na qual o indivíduo não passa de uma peça ínfima e passageira, saída do nada para a ele logo retornar. Com essa noção da vida, qualquer sentimento de verdadeira solidariedade desaparece.

Como o ponto de vista muda, desde que o ideal novo venha esclarecer nosso espírito, regular nossa conduta! Ricos e pobres, convencidos de que essa vida é apenas um anel isolado da corrente das nossas existências, um meio de depuração e de progresso, daremos menos importância aos interesses do presente. Em virtude de estar estabelecido que cada ser humano deve renascer muitas vezes neste mundo, passar por todas as condições sociais —, as existências obscuras e dolorosas sendo em maior número, e a riqueza mal-empregada arrastando opressivas responsabilidades — qualquer homem compreenderá que, trabalhando para o melhoramento da sorte dos humildes, dos pequenos, dos deserdados, trabalha para si mesmo, já que ser-lhe-á necessário voltar à Terra e que há nove chances em dez de aí renascer pobre.

Graças a essa revelação, a fraternidade e a solidariedade se impõem; os privilégios, os favores, os títulos perdem sua razão de ser. A nobreza dos atos e dos pensamentos substitui a dos pergaminhos.

Assim encarada, a questão social mudaria de aspecto; as concessões entre classes tornar-se-iam fáceis, e ver-se-ia cessar qualquer antagonismo entre o capital e o trabalho. A verdade sendo conhecida, compreender-se-ia que os interesses de uns são os interesses de todos, e que ninguém deve ser a presa dos outros. Daí, a justiça na repartição e, com a justiça, em vez de rivalidades odiosas, uma mútua confiança, a estima e a afeição recíprocas, numa palavra, a realização da lei de fraternidade, transformada na única regra entre os homens.



Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte

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