sexta-feira, 11 de maio de 2018

Trabalho, Sobriedade, Continência

Trabalho, Sobriedade, Continência
Trabalho, Sobriedade, Continência
A primeira condição para conservar-se a alma livre, sua inteligência sã, sua razão lúcida, é ser sóbrio e casto. Os excessos da mesa perturbam nosso organismo e nossas faculdades; a embriaguez nos faz perder toda dignidade e todo equilíbrio. Seu uso frequente conduz a uma série de doenças, de enfermidades, que nos preparam uma velhice miserável.

Dar ao corpo o que lhe é necessário, a fim de torná-lo um servidor útil e não um tirano: tal é a regra do sábio. Reduzir a soma de suas necessidades materiais, comprimir os sentidos, dominar os apetites vis, é libertar-se do jugo das forças inferiores, é preparar a emancipação do espírito. Ter poucas necessidades é também uma das formas de riqueza.

A sobriedade e a continência caminham juntas. Os prazeres da carne enfraquecem-nos, enervam-nos, desviam-nos do caminho da sabedoria. A volúpia é como um mar onde o homem vê soçobrar todas suas qualidades morais. Desde que a deixamos penetrar em nós, é uma onda que nos invade, nos absorve, e que apaga tudo o que há de luzes, de generosas chamas no nosso ser. Longe de satisfazer-nos, ela apenas atiça nossos desejos. Modesta visitante no início, termina por dominar-nos, por possuir-nos completamente.



Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte.

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