domingo, 12 de abril de 2009

Imagem no espelho

Não permanecas à espreita, aguardando que as imperfeições alheias se manifestem, com o propósito de confirmar as tuas impressões a respeito desta ou daquela pessoa.

A rigor, tanto no bem quanto no mal, ninguém de que é capaz de fazer, revelando a sua verdadeira identidade.

Acautela-te, portanto, contra o que és, sem que tenhas plena consciência disto, evitando surpreender-te com as própria mazelas.

Por mais se cubra de terra uma semente, chegará o dia em que, vencendo a resistência do solo, ela eclodirá, mostrando a espécie à qual pertence.

Conhece-te melhor, para que as tuas fragilidades, emergindo de inesperado, ainda mais não te comprometam na caminhada.

A não ser para auxiliares, não te preocupes com os outros.

Com o tempo, o verniz sob o qual os homens reciprocamente intentam esconder a personalidade, descorando-se ao sol das lutas inevitáveis, acabará expondo a realidade de cada um.

Não postergues, assim, o confronto contigo mesmo para o Outro Lado da Vida; não aguardes que a morte venha retirar-te a máscara da face e constranger-te a contemplar, refletida no espelho da Verdade, a imagem de tuas deformidades.

Assim como mistério algum do Universo permanecerá insondável para a ciência, que aos poucos terá acesso aos mais intrigantes enigmas da existência, os teus segredos mais íntimos, aquele que encerras no porão da individualidade, transparecerão aos olhos de quem anseias ocultá-los.

Nada haverá de permanecer ignorado para sempre.

Não insistas em conhecer da vida alheia o que não desejas venha a ser conhecido da tua.

Certas pessoas existem que, se soubessem tão bem de si quanto sabem de seus semelhantes, avançariam a passos mais rápidos nas sendas do aperfeiçoamento e não se perderiam nos escuros labirintos da ilusão, pelos quais enveredam inadvertidamente.

Irmão José

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